Você acha possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?
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Você acha possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

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Ei, Psiu!!

Você já se sentiu apaixonado (a) por duas ou mais pessoas ao mesmo tempo??

Você já teve vontade de se relacionar afetivamente e sexualmente com mais de um parceiro sem o peso da culpa e com o consentimento de todos os envolvidos?

Você já ouviu falar no Poliamor?

Em uma “zapeada” pela internet esbarrei no tema e achei interessante abordá-lo aqui na nossa coluna, afinal assuntos interessantes tem um espaço especial aqui (rs).

A primeira coisa a fazer para conhecer o poliamor é distingui-lo de outros conceitos com os quais, muitas vezes, ele é confundido.

O poliamor não é…

O Poliamor não é um relacionamento livre.  Em relacionamentos livre, os dois integrantes da relação procuram outros companheiros sexuais, mas não convivem nem costumam criar um vínculo além do sexual.

O Poliamor não é um intercâmbio de casais (swing), já que a troca de casais é simplesmente ter relações sexuais criativas com outros casais.

O Poliamor não é “safadeza, porque não se trata só de sexo e sim de um relacionamento mais profundo com duas ou mais pessoas onde há consentimento de todos os envolvidos.

O Poliamor consiste em ter relação amorosa com mais de uma pessoa e em fazer com que essa relação seja duradoura.

Evidentemente nem todo mundo é feliz com as mesmas coisas, nem tem a mesma forma de ver e viver as relações. De fato, algumas pessoas são felizes em relacionamentos de casais monogâmicos e o vivem plenamente e outras não, preferem buscar outras alternativas e infelizmente em alguns casos, a infidelidade.

O que pensar da infidelidade nos relacionamentos amorosos monogâmicos? Será que possuímos uma natureza poligâmica e por imposição de regras da sociedade nos condicionamos à monogamia?

Inicialmente você pode pensar que, se em uma relação monogâmica há infidelidade, é porque existe uma insatisfação no relacionamento, e que se há uma relação poliamorosa é porque a pessoa se sente insatisfeita com seu primeiro companheiro. Será mesmo??

É preciso ter muita ética e moral para manter relações com várias pessoas de forma satisfatória, posto que é necessária uma total sinceridade para poder viver a experiência de forma plena.

Pode parecer mais fácil mentir e viver uma relação aberta sem que as outras partes envolvidas saibam, mas isso não permitirá vivê-la e desfrutá-la plenamente. (infidelidade)

Você sabia que o poliamor não é um conceito novo?

Por incrível que pareça, é perfeitamente legal ter várias esposas em mais de 50 países. Em outros 20, a poligamia não está nas leis, mas é culturalmente aceita. A maioria dessas nações está na África, região de forte concentração da religião muçulmana. É que o livro sagrado dessa fé, o Alcorão, permite ao homem ter até quatro cônjuges (nada de haréns com dezenas de virgens), limite que foi “copiado” por boa parte das legislações favoráveis à prática.

Você acha possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

Isso porque o poliamor é antes de tudo um polirrelacionamento. É a possibilidade de ter dois ou mais relacionamentos simultâneos, que englobam afeto e sexo. O conceito foi definido em 1990, no glossário de terminologia relacional de um evento em Berkeley, nos EUA, e em 1997, no livro “Amor sem Limites”, de Deborah Anapol.

A primeira união poliafetiva em cartório do Brasil foi feita em 2012. Até hoje foram feitas cinco delas e, para especialistas, é cada vez mais comum relações nesse formato. De acordo com o antropólogo Antonio Cerdeira Pilão, mestre no tema pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o formato mais comum é de um homem com duas mulheres. Regina Navarro Lins, psicanalista e autora de “O Livro do Amor”, diz que em até 30 anos muito mais pessoas devem aderir ao poliamor.

A primeira Conferência Acadêmica Internacional sobre o Poliamor ocorreu em 2013, justamente em Berkeley. Em agosto deste ano, o Brasil teve no Rio seu maior poliencontro, com 180 pessoas. No Facebook, grupos brasileiros sobre poliamor passam dos 10 mil integrantes.

 

VOCÊ VIVERIA UM POLIAMOR?

Imagem do filme Vicky Cristina Barcelona, 2008.

Você já se apaixonou por outra pessoa fora do seu relacionamento?

O FIM DA MONOGAMIA?

O princípio do poliamor é a oposição à monogamia – quando a pessoa tem apenas um cônjuge. É antigo o mito que, na natureza, a monogamia é o “padrão”, mas cada vez mais estudos mostram que os animais têm diversos parceiros sexuais. Mesmo as aves, que eram conhecidas por serem mais “fiéis”, também apresentam altas taxas de cruzamentos “fora do casal”.

Apesar do tema ser tabu, nossa sociedade não revela um zelo tão grande pela fidelidade. Em pesquisa feita pela antropóloga Mirian Goldenberg, 60% dos homens e 47% das mulheres brasileiras admitiram já terem sido infiéis. Segundo Gilberto Freyre, desde o início de sua colonização o Brasil não foi monogâmico, mas poligínico, quando o patriarca podia manter mais de uma relação, condição impensável às mulheres.

Indo para a Pré-História, temos as pesquisas de Christopher Ryan e Cacilda Jethá. Eles afirmam que os homens sempre foram promíscuos e poligâmicos. Sem barreiras culturais, nossa orientação sexual derivaria em várias relações paralelas diferentes em profundidade e intensidade, como ocorre em nossas amizades, afirma Ryan em seu livro “No Princípio Era o Sexo”.

Você já traiu?

Numa conclusão de analogias entre o comportamento de primatas e de homens primitivos, a dupla de antropólogos afirma que a busca pelo prazer já existia no sexo pré-histórico e que as mulheres, assim como os homens, poderiam ter múltiplos parceiros. O livro cita inclusive tribos como os Kulina, da Amazônia, que consideram a troca uma maneira natural de acentuar os laços, e os Dagara, de Burkina Faso, cujas crianças acreditam que são filhos de todas as mulheres.

Os autores afirmam que na evolução humana era comum ter múltiplos parceiros dentro do grupo. Homens caçavam, mulheres coletavam e todos viviam de maneira igualitária e nômade. As relações sexuais entre os membros aumentavam os elos no grupo, o que trazia equilíbrio social. Mas a partir do desenvolvimento da agricultura, o estilo de vida mudou completamente. Surgiu a propriedade privada e o acúmulo de poder. Isso alterou também como as pessoas se comportavam e a monogamia veio como resultado disso; a mulher virou uma posse.

“SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO E RIO GRANDE DO SUL CONCENTRAM A MAIORIA DOS POLIAMORISTAS DO BRASIL”.

AMOR OU AMIZADE COLORIDA?

É muito difícil definir seu sentimento. Mais complicado ainda é saber o que o outro sente. Independentemente da nomenclatura, há um afeto entre os participantes de uma relação com mais de duas pessoas. Por isso, Claudia do Nascimento Domingues, escrivã de um cartório no litoral paulista, registra as uniões como poliafetivas. Para ela, os motivos que levam as pessoas a viverem assim e requisitarem um documento são os mais mundanos. Um quarteto queria que qualquer um deles tivesse condição legal de buscar o filho de uma das mulheres na escola. Um trio, por sua vez, queria provar que morava junto para pedir financiamento da casa própria.

O amor é uma gama ampla de sentimentos e emoções que tendemos a resumir ao amor erótico. A questão é que você também ama seus amigos, pais e irmãos. O conceito de amor romântico surgiu no século 12 no Ocidente, mas era um elemento estranho ao casamento. Só a partir da década de 40 do século passado que ele passou a ser essencial em uniões, muito impulsionado pelos filmes e romances.

Você teria um relacionamento poliamoroso se fosse aceito socialmente?

Mas nem tudo são flores. O amor romântico é bom. Navarro diz que nós amamos estar amando, mas esse estado também pode trazer alguns problemas. Você idealiza a pessoa, cria apego, uma posse, uma crença que a pessoa só pode ser feliz ao seu lado e vice-versa.

O amor dos poliamoristas é mais parecido com o que prega o budismo. É um amor similar ao que amigos compartilham. Sem exclusividade, sem posse. A busca pela individualidade, muito em voga, é mais um impulso para esse tipo de amor. Você pode ser “apenas” você, e não tudo o que o outro espera. O ciúme, o medo da perda, em tese não existiria, já que uma pessoa não é “trocada” pela outra.

Assim, números e especialistas apontam para a mesma tendência; o casamento como é hoje – monogâmico e baseado no amor romântico – está perdendo força e traz sofrimento para quem não se encaixa. Cada vez mais as pessoas têm buscado modelos que deem respostas para o que sentem e como querem viver. Mas, contra elas, ainda há o preconceito.

 

Quais são as principais dificuldades do relacionamento poliamoroso?

O Ciúmes: O ciúme é inevitável até que a pessoa aprenda a dizer as coisas que lhe incomodam.

A Comparação: Muitas vezes temos a tendência a nos compararmos com os outros em relação à beleza, inteligência, etc. É preciso ter em mente que o que cada pessoa gosta em outra é único. O relacionamento amoroso é diferente com cada pessoa.

A Possibilidade de Formar Família: O poliamor significa que é possível formar uma família e conviver com várias pessoas. Não é uma família no sentido tradicional, e sim um novo conceito de família diferente e mais aberto que pode trazer felicidade do mesmo jeito.

O Término: O término de uma relação com uma das pessoas que formam um relacionamento poliamoroso é tão duro quanto o de qualquer outro. O fato de se relacionar com várias pessoas não quer dizer que terminar com uma não doa. Se gostarmos de uma pessoa pelo que ela é, doerá perdê-la, independentemente do relacionamento ser monogâmico ou poliamoroso.

A Aceitação dos Outros: Uma das dificuldades que podemos encontrar na hora de esclarecer o tipo de relacionamento que queremos é explicar aos outros como desejamos que seja a relação. Por um lado, quando conhecemos alguém e queremos ter uma relação poliamorosa, a primeira coisa a fazer é explicar isso para que fique bem claro.

Você consegue se imaginar em um relacionamento assim?

(Texto adaptado: <https://tab.uol.com.br/poliamor/> e <https://amenteemaravilhosa.com.br/poliamor-beneficios-e-dificuldades/>)

 

E aí? Achou interessante? 

Tanto a literatura quanto o cinema abordam a décadas o tema, um dos filmes mais conhecidos é o filme “Três Formas de Amar”, 1994. Vale a pena conferir.

Eu amo assuntos relacionados ao comportamento humano e achei interessantíssimo, principalmente pelo aspecto conceitual do assunto e você?

Participe, dê sua opinião sobre este e os outros diversos temas que abordaremos aqui, o objetivo da nossa coluna é trazer assuntos interessantes e contar com a sua participação, afinal essa coluna é pra você! 

Paz e Luz

Até semana que vem!

K. 

 

 

 

 

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