Vereadores do PSL são pressionados pelos “bolsonarianos” em Rondonópolis
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Vereadores do PSL são pressionados pelos “bolsonarianos” em Rondonópolis

Fonte: Da Redação NMT
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João Mototáxis e Beto do Amendoim foram eleitos em 2016 pelo PSL a vereadores em Rondonópolis. Foto - Montagem NMT/Arquivo Pessoal

A militância do PSL, partido que levou Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, se vê completamente dona da agremiação de uma maneira como se tivesse sido o próprio Bolsonaro a fundar o partido, que na verdade nasceu em 2 de junho de 1998, quando teve seu registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Óbvio que, do ponto de vista prático, foi a vinda de Bolsonaro e sua grande militância digital, que posteriormente acabou também invadindo as ruas, que trouxe à sigla o espantoso tamanho atual, inclusive com força de desbancar MDB, PSDB e outros gigantes para ter a segunda maior representatividade na Câmara Federal, só não mais que o PT.

O problema, porém, é a entrada de muita gente “fora do ramo” na condição de poder opinar com força de chefe nos diretórios dos municípios e estados, o que inclui alguns empresários e alguns rebeldes que nunca tinham passado perto de política. Alguns representantes públicos eleitos que já estavam no PSL bem antes de Bolsonaro chegar, exemplos dos vereadores rondonopolitanos, João Mototáxi (PSL) e Beto do Amendoim (PSL), que trouxeram representatividade ao partido ao se elegerem em 2016, vivem agora a condição desconfortável de serem pressionados, até mesmo com ameaças de expulsão do partido, por essa nova militância barulhenta que concluiu que ambos não entraram na campanha do “capitão” da maneira que deveria.

João, especificamente, que tem no currículo a passagem pelo PT, é o que mais sofre com o conflito. Sem poder sair do partido pela obrigatoriedade legal da fidelidade partidária, é exposto a abordagens e cobranças dos mais diversos tons nas redes sociais e fora dela. Em nenhum momento, no entanto, desde a chegada deste novo grupo ao partido, houve qualquer tipo de aproximação aos que ali já estavam de modo a compor um bom ambiente. O próprio vice-prefeito, Ubaldo Barros, que tinha simpatia por Bolsonaro, e liderava o partido acabou saindo muito porque não aguentou a energia excessiva desse pessoal. Valdemir Castilho Soares, o Biliu, que voltou a presidir com a saída de Barros, tem usado de toda sua habilidade em dialogar para conseguir manter os ânimos e talvez só por causa dele o leite não tenha derramado de vez.

Embora pareça um choque ideológico, a verdade pode estar no fato de que a permanência de João e Beto oferece riscos, já que com bases eleitorais consolidadas ambos disputam com força a reeleição. Enquanto isso, em meio aos “bolsonarianos” tem muita gente com muita sede pra virar político em 2020, apostando que a onda Bolsonaro pode novamente ser decisiva nas urnas. Eleição municipal, porém, tem outros ingredientes no caldo e numa dessa perder os dois atuais vereadores e suas respectivas lideranças, já provadas, pode ser muito ruim para as pretensões locais do partido.