Vereadora critica si mesmo, esbanja demagogia e rebaixa nível de campanha em...
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Vereadora critica si mesmo, esbanja demagogia e rebaixa nível de campanha em PVA

Fonte: Da Redação
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Foto - Arquivo Pessoal

A vereadora Carmen Betti (PSC), que anda dividindo o tempo entre a candidatura a prefeita de Primavera do Leste e o segundo mandato como parlamentar municipal, perdeu-se em meio a um discurso, no mínimo, incoerente na Câmara Municipal de Vereadores, neste início de semana. Após votar favoravelmente aos gastos de 2016 como membro de uma comissão especial, ela decidiu, ou provavelmente foi orientada, a sair para um ataque desenfreado, em plenário, aos recursos aplicados na gestão passada, de Érico Piana (DEM). Especificamente no setor da Saúde, no exercício de 2016, Carmen chegou a fazer acusações graves e, sem querer, acusou a si mesma.

Em meio a votação para aprovação das contas já avalizadas pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE, Carmem tratou de demonizar os colegas de parlamento, Ministério Público Estadual, o próprio TCE, os ex-gestores e quem mais que tivesse no caminho entre ela e os votos que tanto almeja. O curioso da história é que o orçamento utilizado no ano passado foi previamente votado e aprovado com o voto da própria, dentro do legislativo municipal. Visivelmente preocupada em chamar a atenção, munida do populismo que assumiu na busca pela chefia do Executivo, Carmem chegou a acusar o setor de saúde da Administração de Érico Piana (DEM) de “lavagem de dinheiro e desvios”, sem estar munida de provas para tanto.

A candidata criticou o fato de ter sido gasto, em 2016, R$ 64 milhões no setor da saúde. Em uma conta rápida, Carmem dividiu o montante por 365 dias e apontou irregularidades como a única explicação de um gasto diário de cerca de R$ 175 mil. A estratégia da vereadora é claramente tentar vestir-se da probidade absoluta no sentido de colocar Érico Piana na mesma condição de condenado por improbidade administrativa, assim como foi Getúlio Viana (PSB), que acabou sendo cassado pela Justiça Eleitoral exatamente por estes problemas, resultando na eleição extemporânea de agora. A dificuldade para a vereadora, que quer ser prefeita, de lucrar politicamente com toda sua encenação, no entanto, é justamente o fato de que os Vianas serem seus principais cabos eleitorais e estarem do seu lado no pleito.

Mas já que quer falar de números, Carmem teria então, a titulo de comparação, ter criticado ainda mais a gestão de Getúlio, que de janeiro até agosto deste ano, quando Viana acabou finalmente cassado, gastou uma média de R$ 189 mil por dia , R$ 14 mil a mais a cada 24 horas que a administração anterior, alvo da revolta e das acusações da parlamentar. Interessante também destacar que, embora elevou os gastos, o prefeito cassado diminuiu os serviços. No mesmo período de 2016, ou seja, de janeiro a agosto, foram feitos mais de 1,3 milhão de procedimentos, entre os tantos realizados no setor da saúde pública. Neste ano, com mais dinheiro envolvido, não chegou a 945 mil, no mesmo intervalo de tempo, onde foram fechados, por exemplo, duas farmácias do Sistema Único de Saúde e finalizados os atendimentos noturnos nas unidades básicas.

Alguém disse para a candidata falar grosso, apontar o dedo e então construir a imagem de ser a solução para a seriedade “voltar” ao comando da cidade. Esse mesmo alguém, porém, esqueceu de explicar para a vereadora que os números podem ser traiçoeiros, que é preciso olhar o passado e quando for dar a pedrada que seja na cabeça. Campanha não é para amadores e política, apesar de tudo que vemos, ainda precisa ser tratada com honestidade de discurso. Até porque, normalmente, a pedrada que vem de volta, quase sempre, é mais certeira, caso a primeira falhar…