Três deputados são acusados de “penhorar” Audi e Hillux de Silval a...
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Três deputados são acusados de “penhorar” Audi e Hillux de Silval a espera de R$ 650 mil

Fonte: folhamax
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O empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho, irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), afirmou que o deputado estadual Wagner Ramos (PSD) pediu entre “R$ 5 milhões e R$ 7 milhões” para aprovar as contas do Estado de Mato no exercício de 2014, último ano da gestão Silval no comando do Palácio Paiaguás, sede do Poder Executivo Estadual. O parlamentar teria exigido o mesmo valor ao filho de Silval, Rodrigo Barbosa, durante um encontro em Cuiabá logo após o fim do mandato do ex-chefe do executivo.
As informações estão presentes no acordo de colaboração premiada firmado entre Antônio Barbosa e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele descreve que logo após o fim do mandato de seu irmão começou a ser pressionado por parlamentares que queriam dinheiro para aprovar as contas do Estado.
Um desses episódios ocorreu num encontro entre o filho de Silval, Rodrigo Barbosa, e Wagner Ramos, no escritório de uma das empresas da família, em Cuiabá. “Logo após ter encerrado o mandato de seu irmão Silval Barbosa alguns deputados estaduais o teriam pressionado para aprovação de contas. A primeira tratativa se deu entre Rodrigo Barbosa e o deputado Estadual Wagner Ramos, sendo que Rodrigo Barbosa contou ao declarante que foi solicitada a quantia aproximada entre R$ 5 milhões a R$ 7 milhões”, diz trecho da delação.
O valor da “compra” da aprovação das contas, porém, foi “negociado”, e Rodrigo Barbosa conseguiu estabelecer o pagamento de R$ 650 mil. Além de Wagner Ramos, o dinheiro também seria destinado aos deputados estaduais Silvano Amaral (PMDB) e a José Domingos Fraga (PSD).
Em outra oportunidade, numa reunião entre Antônio Barbosa, o sobrinho, Rodrigo Barbosa, e os deputados estaduais Wagner Ramos e Romoaldo Junior (PMDB), ocorrida dentro de uma Hilux SW4, no pátio da própria Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Ramos exigiu a quantia de modo “imediato”. O filho de Silval respondeu que seria necessário programação para sacar os R$ 650 mil.
O parlamentar não gostou da resposta, e exigiu que o montante fosse pago num prazo de 10 dias. “O deputado estadual Wagner Ramos exigiu essa quantia de modo imediato, tendo o declarante informado que a quantia de R$ 650 mil para ser sacada precisava de programação; Wagner Ramos pressionou o declarante e disse que tiveram três meses para levantar essa quantia em dinheiro. Na reunião, no interior do automóvel, ficou ajustado que o declarante deveria providenciar a quantia de R$ 650 mil no prazo de dez dias”, disse Antônio Barbosa.
De acordo com Antônio Barbosa, Wagner Ramos ficaria com R$ 250 mil. Já Silvano Amaral e José Domingos Fraga receberiam R$ 200 mil cada.
No referido prazo de 10 dias, o filho de Silval Barbosa afirma que continuou sofrendo pressão. Dessa vez, de um assessor de Silvano Amaral.
PRESSÃO TOTAL
Em razão do assédio, Rodrigo Barbosa entregou os documentos de um Audi Q3 e uma Hilux SW4 ao trio como garantia do pagamento pela aprovação das contas. Posteriormente, os R$ 650 mil foram pagos em “dinheiro vivo”, por meio de “intermediário”.
Antônio Barbosa, irmão do ex-governador, disse ter ido até Matupá (683 km de Cuiabá) e realizado diversas transações para “honrar” o pagamento. “No curso do prazo de 10 dias, Rodrigo da Cunha Barbosa foi pressionado por um assessor do deputado estadual Silvano Amaral e entregou corno garantia dois automóveis, sendo eles, um Audi Q3 e uma caminhonete SW4, Toyota; o declarante se compromete a entregar cópia dos documentos dos automóveis mencionados; a quantia de R$ 650 mil foi paga em espécie por meio de intermediário que o declarante foi até Matupá vendeu um pouco de gado, realizou saques em conta própria no Banco Bradesco e Banco do Brasil (todas as agências de Matupá) em conta própria, emprestou parte em espécie de seu irmão Dionísio Barbosa e ainda deu uma caminhonete de propriedade (L200 Triton GLS, ano 2014/2015)”.
Antônio Barbosa afirma ainda que os saques ocorreram logo após a aprovação das contas de Silval na Assembleia Legislativa de Mato Grosso ocorridas “próximo ao Natal de 2015”. Na época, Silval Barbosa estava preso em virtude da primeira fase da operação “Sodoma”.

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