Tim Vickery vê técnico do Verdão dar “importância excessiva” aos jornalistas
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Tim Vickery vê técnico do Verdão dar “importância excessiva” aos jornalistas

Fonte: SporTV.com
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O desabafo de Eduardo Baptista com um jornalista após a vitória de virada por 3 a 2 do Palmeiras contra o Peñarol continua repercutindo. O treinador disparou contra Juca Kfouri, do “Uol”, que afirmou que Róger Guedes teria discutido com o comandante ao receber notícia de que ficaria no banco antes do primeiro duelo contra os uruguaios, na casa do time paulista e que, além disso, também vê o técnico sujeito a aceitar interferências externas.

Apesar de ter recebido apoio de boa parte da imprensa, nem todos concordam com a reação do técnico. Um dos exemplos contrários à reação vem do comentarista Tim Vickery, que vê o desabafo excessivo, especialmente em relação a importância dos jornalistas em seu trabalho. Para ele, as decisões de Eduardo Baptista tem respaldo em análises muito mais consistentes do que as opiniões dos analistas (assista ao vídeo acima).

– Me parece também na reação do Eduardo que ele está dando importância excessiva para a nossa profissão. Ele é importante, a gente não, a gente é insignificante. Futebol é sobre jogadores, técnicos e torcedores, a gente não tem a importância que ele está colocando em cima da profissão. Ele é técnico do Palmeiras, recebe para ser técnico. Ele tem o direito de tomar as decisões dele baseado em algo muito mais fundamentado do que as nossas opiniões, mas a gente ainda vai ter as nossas – afirmou, durante o “Redação SporTV” desta quinta.

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Tim também analisou a relação entre jornalistas e treinadores e concluiu que há um estresse entre as duas áreas, especialmente por aqueles que considera como “urubus”, jornalistas que procuram notícias desgastantes. O analista crê que essa tensão é exagerada e perigosa.

– Sempre vai ter estresse entre jornalista e técnico. O emprego de técnico é estressante, é solitário. Isso eu não estou me referindo agora à nota do Juca Kfouri, mas a gente sabe que dentro da nossa profissão tem muitos urubus que estão procurando a notícia que é o cara perdendo o emprego. Eu acho que esse estresse é exagerado, desnecessário e até nocivo para o futebol – complementou.

Apesar das ponderações sobre o jornalismo, Tim Vickery também acredita que o nível de estresse do treinador se deve ao péssimo primeiro tempo do Alviverde. O comentarista não poupou críticas ao desempenho da equipe e chegou a brincar com o isolamento de Borja no setor ofensivo da equipe, dizendo que o colombiano estava “em um CEP diferente” do restante da equipe.

– Talvez, o nível de estresse do Eduardo seja uma consequência do futebol, do primeiro tempo que o Palmeiras apresentou. Eu não gosto de usar as palavras vexame e vergonha no futebol, mas o que aconteceu no primeiro tempo foi um vexame. Um time com os recursos do Palmeiras contra o Peñarol, que já foi grande, mas que hoje em dia caiu na decadência, que foi quase lanterna do último Campeonato Uruguaio. No primeiro tempo, eu estava tentando identificar uma ideia, linha de três, mas na prática foi um 9-0-1. Eu estava querendo entregar uma carta para o Borja e ele estava em um CEP diferente do restante do time. Foi quase uma propaganda dos técnicos brasileiros dizendo “Não nos contratem”. Como alguém com tanto recurso em comparação com o adversário pode render absolutamente nada? – ponderou.

Mesmo diante de tantas polêmicas, o Palmeiras conseguiu reverter a adversidade na segunda etapa. A vitória alivia a pressão sobre o treinador, que já havia sido eliminado pela Ponte Preta no Campeonato Paulista, além de deixar o Verdão confortável no grupo 4 da Libertadores. Um empate na última rodada, em partida fora de casa contra o Jorge Wilstermann, é suficiente para assegurar a equipe nas oitavas de final da competição.