Temer venceu batalha política, nada mais que isso…
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Temer venceu batalha política, nada mais que isso…

Fonte: Da Redação
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Foto - André Coelho/ Agência O Globo

Adversário político do presidente da República, Michel Temer (PMDB), embora partidário, o senador Roberto Requião (PMDB) defendia em vídeo postado antes da votação na Câmara Federal, nesta semana, que os deputados deveriam votar como “juízes” para decidir se deveria seguir ou não, ao Supremo Tribunal Federal – STF, o inquérito que trata sobre possível corrupção passiva da parte de Temer em suas relações com os diretores da JBS. Se ouviram Requião ou não, pouco se sabe, aliás, muito provavelmente o que baseou todas decisões foram questões políticas, mas o efeito técnico dos 263 votos foi justo.

Analisando juridicamente os indícios de ilícitos, suas materialidades e a razoabilidade da questão a decisão sobre o arquivamento temporário do caso era o que tinha de ser feito. A denúncia realizada pelo procurador, Rodrigo Janot, baseada em em colaborações premiadas e ilações decorrentes de gravações ilegais que apenas insinuam, mas em nenhum momento trazem concretude de crime da parte do presidente. A oposição, que abraçou a intervenção de Janot, dependia basicamente de aproveitar-se da seara política para avançar, ou seja, do atual desgaste pessoal de Temer. Por mais que tenha se esforçado, Janot não conseguiu materializar em seu despacho o caminho entre Temer até o dinheiro ilegal.

Dentro dessa análise, se juridicamente era frágil afastar um presidente por um crime que não se tinha certeza que ele acometeu, já que não há vídeo, foto ou gravação que trate claramente que a tal mala recebida pelo suplente de deputado, Rodrigo Rocha Loures foi endereçada ou seria a Temer, a batalha se resumia a uma queda de braço política e, neste contexto, a liberação de emendas e a discussão com líderes partidários sobre os encaminhamentos de votos só soa estranho a quem não acompanha o dia a dia da política nacional ou quem, demagogicamente, quer criticar o presidente a qualquer preço.

O mesmo militante de esquerda que ataca Temer e queria seu afastamento e condenação, mesmo com frágeis provas, é o que demoniza o juiz Sérgio Moro por ter condenado o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) justamente pelo mesmo motivo: a rigorosidade e a tal teoria do “domínio do fato”, que parece que é a defesa da moda petista, onde as provas não são os únicos fatores determinantes do veredito. Toda a celeuma criada para afastar o presidente do PMDB não se tratava de uma luta contra a corrupção, da mesma forma que o impeachment de Dilma Rousseff (PT) também não foi. A diferença é que, aparentemente, a atual oposição, no parlamento e nas ruas, ainda não conseguiu credibilidade junto a maioria da população, talvez por seu próprio modus operandi, e o reflexo disso no Congresso Nacional foi que a denúncia não chegou com o peso suficiente para derrubar um presidente, como foi com Dilma.

Parte dos parlamentares que votaram “SIM”, nesta semana, se baseou na Constituição, mais precisamente no quarto parágrafo do artigo 86, que diz que ‘o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções’. Já outros pensaram no Brasil e concluíram que não seria positivo para a imagem do país mudar novamente de presidente em tão pouco tempo, enquanto um outro grupo vê no atual presidente uma saída para a economia, por meio de sua competente equipe liderada por Henrique Meirelles, e priorizou a retomada dos empregos que já está ocorrendo. Quem votou contra e esbravejou nos microfones, estaria defendendo se exatamente os mesmos fatos acometessem um presidente que fosse aliado.

O deputado da Rede Sustentabilidade e do Rio de Janeiro, Alessandro Molon, disse em discurso que era necessário parar de hipocrisia e pensar que seria óbvio não ter um documento assinado pelo presidente Temer com os empresários da JBS, justamente porque isso o incriminaria, diminuindo a importância da prova. Ocorre que a mesma contextualização acaba por, indiretamente, também afetar Lula, que está exatamente na mesma condição, mas que a ele Molon assim não se refere. Ninguém que decidiu por votar pelo não seguimento do inquérito de Temer pode ser criticado por não cumprir a Constituição ou por ser a favor da impunidade, não há condições técnicas para isso. A luta foi puramente política, novamente com PT e aliados do lado dos derrotados, somados com alguns poucos parlamentares que não buscaram conhecimento sobre as minúcias da denúncia de Janot e se assustaram com o barulho das redes sociais.

Os parlamentares de Mato Grosso ou de qualquer estado do Brasil que votaram pelo inquérito não seguir, podem ser “acusados” apenas e unicamente por acreditar na política de Temer, tudo mais que vier de ataque fora isso é leviano e fruto de uma militância ideológica que quer usar todas possibilidades e armas possíveis para aumentar a força política e de representatividade da esquerda, após as eleições de 2018. Esquerda, aliás, que anda em decadência não só no Brasil como no mundo, justamente por essa postura incoerente de indignação seletiva que a leva a achar que Moro poder ter problemas pessoais com Lula, mas em relação a Janot com Temer ninguém pode, sequer, considerar a hipótese.

Montreal