Taques dá sinais de discurso menos inflamado em possível projeto de reeleição
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Taques dá sinais de discurso menos inflamado em possível projeto de reeleição

Fonte: Da Redação
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Enquanto membro do Judiciário, o atual governador, Pedro Taques (PSDB), foi um dos responsáveis diretos pela prisão do ex-bicheiro e líder dos maiores esquemas criminosos do estado, João Arcanjo, em 2003. Com seu nome em evidência, resolveu vir a política com um discurso forte de combate a corrupção e acabou não só se elegendo na primeira tentativa, de maneira direta, em 2010, ao alto cargo de senador da República, mas conseguiu fazer um trabalho tão destacado que virou nome forte a concorrer o cargo de governador, na campanha de 2014. Naquele momento, embora todos já soubessem que muita sacanagem era feita com o dinheiro do mato-grossense, parecia inimaginável pensar que o ex-presidente da Assembleia, José Riva, pagasse por seus erros, o mesmo se aplicava a Silval Barbosa. O discurso vindo da boca Taques naquela campanha eleitoral parecia música aos ouvidos dos eleitores e a vitória tornou-se inevitável, já no primeiro turno.

A entrada de Pedro Taques no comando do Palácio Paiaguás escancarou as portas do Executivo para Ministério Público e Judiciário de forma a que, em pouco tempo, tanto o ex-governador como o ex-chefe do Legislativo acabaram presos em operações combinadas com a Polícia Federal e a expectativa em torno de um novo momento da política mato-grossense contagiava cada dia mais tanto os novos eleitos como todo o povo. Eis que tudo isso ocorreu, no entanto, em meio a uma séria crise econômica e naturalmente orçamentária. O resultado acabou sendo uma gestão que encontra problemas para manter compromissos com seus servidores, além de dificuldades em manutenção e avanços em saúde e infraestrutura, que são áreas cruciais para a opinião pública definir um governo como bom ou ruim. Taques tem tentado driblar tudo isso com sua boa capacidade em se comunicar, falando de pontos sensíveis de maneira até corajosa e usando a mídia para combater o desgaste. Mas algo mudou…

Nos últimos dias, em conversa com aliados e outros nem tanto assim, o governador garantiu que é candidato a reeleição no ano que vem, o que pode até fazer com que seu atual grupo de sustentação política se rache. Mas qual seria o discurso a ser adotado, já que a população sempre espera algo novo, mesmo que for do mesmo político? O combate a corrupção, aparentemente, não será o carro chefe de um possível projeto eleitoral e o gestor já vem dando sinais disso. A própria delação de Silval Barbosa, que surpreendeu pelo teor até o próprio ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal – STF, que a homologou, foi pouco explorada pelo atual governador. Com informações sobre pagamento de propina da empresa Mendes Junior na construção da Arena Pantanal, além de vários outros escândalos envolvendo muitos políticos do estado, muitos deles adversários do tucano, o assunto poderia ser um prato cheio para o governador, até mesmo no sentido de justificar o porquê o estado atualmente passa por tantas dificuldades.

Pedro Taques, porém, limitou-se a dizer, em evento público recente, em Várzea Grande, sobre números e o quanto já foi recuperado para os caixas do estado. Não pessoalizou e não fez frase de efeito, saiu no máximo um “roubaram o povo”. Enalteceu o trabalho do Judiciário e disse que o estado tem feito sua parte. “Só da JBS foram R$ 375 milhões, da Votorantim foram R$ 250 milhões (recuperados). E disso tudo, 25% foi para os municípios. Nós estamos fazendo a nossa parte”, comentou. A mudança de postura do tucano, notadamente com falas mais pontuais e menos espetaculosas, mostra claramente que nada muda tanto um político quanto a migração do legislativo para o executivo, ou seja, a velha história de parar de jogar pedra para virar vidraça. O possível candidato a reeleição ainda está em busca da melhor bandeira para levantar, tem cerca de um ano para isso.

Montreal