Talk show “Tenho Depressão. E agora?” acontece nesta quarta na Capital


Talk show “Tenho Depressão. E agora?” acontece nesta quarta na Capital

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Vamos combinar: um grande e forte abraço não pode fazer mal a alguém. Pelo contrário, a ciência comprova que o carinho vai muito além da sensação de se sentir querido – ele traz benefícios à saúde. É o que pretende demonstrar o talk show “Tenho Depressão. E agora?”, que será ministrado por Alan Barros, nesta quarta-feira (14.06), às 19h, no teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, em Cuiabá. A entrada será um abraço e um quilo de alimento não perecível.
O evento – que busca por meio do afeto e do diálogo combater a teia de preconceitos sobre o tema e estimular a busca pela assistência – contará com psicólogos, médicos e especialistas em comportamento digital para conversar sobre depressão, bullying, ansiedade, suicídio, superação e amor próprio, entre outros assuntos. Em parceria com a Sala da Mulher e o teatro da Assembleia Legislativa, o show é uma prévia do livro homônimo de Barros, que será lançado no dia 21 de agosto.
“Enfrento a depressão há mais de 20 anos – fui diagnosticado aos 15. Há tempos tinha a ideia de colocar em prática esse projeto, mas ainda não estava preparado emocionalmente para isso. Agora, estou confiante de que é preciso falar sobre a depressão de forma sincera. Falar a verdade. Não sou especialista, mas darei meu testemunho de vida. E o mais legal disso tudo é que as pessoas estão se sensibilizando cada vez mais com esse projeto”, comenta o palestrante.
Ele complementa que o abraço é também uma forma de apoio social. “Ele é terapêutico. Cuida da dor. Adoro abraçar. É uma forma de se olhar nos olhos das pessoas. Pretendo abraçar todo mundo que vier assistir o talk show e dizer que todos são muito importantes para mim. Será um dia de generosidade, carinho e amor no coração. Um dia de fé. De auto-amor”, explica Barros.
Recentemente, uma pesquisa feita pelo professor de Psicologia da Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, Sheldon Cohen, comprovou que o abraço protege dos efeitos do estresse, da depressão e da ansiedade – bem como diminui os riscos de infecções. O estudo foi publicado em 2014 na revista científica Psychological Science. Outras pesquisas apontam que ele também ajuda quem tem problemas para compartilhar emoções, reduz a pressão arterial e alivia a dor.
Também participam do talk show a especialista em netnografia e comportamento digital, fundadora do site Belicosa, Maria Augusta Ribeiro; o médico, palestrante, diretor e fundador da Clínica Longevittá, Paulo Salustiano; e a psicóloga Flávia Haddad, que é cadeirante e viu na psicologia uma forma de ajudar o  próximo a vencer a dor. No dia 14 de junho, os ingressos podem ser adquiridos na hora na portaria do evento. Mais informações pelo telefone (65) 9 8112-3262.
LIVRO – O livro “Tenho Depressão. E agora?”, de Alan Barros, contará com 11 capítulos – destes, sete relatam seu testemunho sobre o período em que passou acometido pela depressão, bem como cita vários fatos vivenciados por ele ao longo dos anos. Enquanto que os outros quatro capítulos apresentam participações especiais de profissionais e pessoas que fizeram parte da sua vida.
“As informações e publicações sobre o tema que você encontra pela internet quase sempre estão associadas a coisas pesadas. E, com isso, o jovem não cria coragem de falar que tem. Quero falar sobre depressão de forma colorida e leve. Sempre de forma sincera e direta. Inclusive, cada capítulo no livro contará com ilustrações do artista plástico Rafael Jonnier. Além disso, terá uma seção de 50 perguntas e respostas, bem como participações especiais”, ressalta Barros.
Vale destacar que o último capítulo só será fechado na última semana antes da impressão e contará com a participação de pessoas que espontaneamente queira fazer parte – dando seus relatos de luta e superação da depressão. Os interessados devem seguir online as redes sociais do projeto “Tenho Depressão. E agora?” por meio do site e Facebook homônimos ou pelo Instagram @tenhodepressãoeagora. A obra também é solidária e conta com doações por meio de crowdfunding.
DEPRESSÃO – Atualmente, no mundo, cerca de 320 milhões de pessoas sofrem de depressão e pelo menos 800 mil tiram a própria vida a cada ano (um a cada 40 segundos), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Destas, 11 milhões vivem no Brasil, considerado o país mais deprimido da América Latina e o quinto no planeta. Um problema de saúde que já atingiu, atinge ou atingirá de 20% a 25% da população brasileira, de acordo com estimativas.
Ignorar os sintomas é arriscado e, em alguns casos, pode ser fatal: o agravamento no quadro de depressão e de outros transtornos psíquicos e emocionais é a principal causa de suicídios. De acordo com a OMS, pelo menos 800 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano. Ou seja, uma a cada 40 segundos.
Em 2017, a morte por suicídio no mundo já é maior do que a soma de mortes em guerras, homicídios e desastres naturais. E a perspectiva da OMS para o futuro não é nada animadora. A estimativa é de que, em 2020, este número chegue a 1,2 milhão – um suicídio a cada 20 segundos.
“Esses números mostram que, como eu, muitos estão carecendo de cura. Sabemos que depressão é uma doença reconhecida pela OMS, mas as pessoas ainda não são tratadas como doentes. Muita gente confunde depressão com preguiça e acabam fazendo bullying com aquelas depressivas”, enfatiza Barros.