SOBRE A INTERVENÇÃO NO RIO E AS AMIZADES
Fullbanner1



SOBRE A INTERVENÇÃO NO RIO E AS AMIZADES

Fonte: Assessoria
SHARE

Ontem foi dia de rever um grande amigo, quase uma espécie de
“conselheiro” político, a quem muito respeito, ao tempo de conversar
após também com seu filho ao telefone, aí sim, meu amigo irmão, que é
um jovem, porém já respeitado jornalista no circuito de Brasília, tendo
passado pela VEJA, Folha de São Paulo e chefiado a Comunicação da OAB
Nacional.

Ter amigos a quem podemos recorrer para ajudar a construir nossa
compreensão do mundo e das coisas mundanas, é uma das maiores
dádivas que podemos ter. Ontem mesmo aprendi nessas duas conversas
duas lições importantes, que me levaram a refletir e, acho eu, crescer um
pouco.

Na primeira conversa, no Shopping jantando e após, tomando um longo e
agradável café, com este primeiro amigo, um acadêmico aposentado,
Doutor, a conjuntura politica foi a sobremesa. Eu na inocência de pensar
em nomes e nos seus projetos pessoais por pura vaidade, percebi que o
que eu relegava a segundo plano na importância do xadrez da política
regional, era na verdade o prato principal. Os grupos econômicos,
continuam buscando nomes para seus interesses maiores, e quanto
menos pesado este nome for, menos indigesto e mais palatável é para tais
setores. Algo ficou mais claro e, a refeição teve uma digestão excelente.
Enquanto tirávamos uma foto do encontro, brinquei sobre um comunista
no shopping, e ele me ensinou que o shopping nasceu na Rússia
comunista. Rimos disso.

Deixei o amigo em um compromisso que teria na sequencia e fui embora.
Ao chegar em casa, mandei a foto do nosso encontro, carinhosamente ao
seu filho e meu “irmão”, qual ele me dissera estar no Rio de Janeiro
cobrindo a *INTERVENÇÃO NOS MORROS*, a mesma que tenho chamado
de “INVENÇÃO política”. Passado algum tempo, eis que recebo sua
ligação, num misto de alegria de falar com o amigo e, curiosidade para

saber a real situação do militarismo midiático implantado por lá. Confesso
que até o momento só havia tecido críticas a essa questão.

Atendo sua ligação com a saudação só permitida aos grandes amigos, o
bom e velho “xingamento carinhoso” e emendo com a pergunta: Me
conta logo, estamos em estado de sítio, que p…é essa?. Ele ri e
começamos, como sempre, nossa longa conversa, como se estivéssemos
na sala de nossas casas. Em verdade estávamos, ele no quarto do hotel e
eu na cozinha preparando um chá para a longa prosa.

Falamos de tudo. Do bate papo com seu pai, que eu relatei estar bem,
ativo e atuante. Do carnaval, que ele e a esposa, também jornalista,
passaram no mesmo Rio de Janeiro, do retorno antecipado por conta do
bracinho que quebrou sua filhinha Tarcila, que graças a Deus está bem e,
como gole final, a intragável intervenção e o dia a dia das favelas pós isso.

Para minha surpresa, não encontrei no amigo as convicções de sempre
sobre tantos assuntos, só permitida pela sua aguda inteligência e cultura.
Vi um amigo dúbio, sem entender o que estava vendo com os próprios
olhos. O pai sendo um intelectual de esquerda que VIVEU a ditadura e nos
contou suas memórias, para nós é muito claro o que significa o exército
nas ruas novamente. Mas como seu profissionalismo suplanta suas
ideologias e convicções filosóficas, pude perceber nele tais angústias.

O que conta do Rio de Janeiro é uma imprensa estridente, crítica, porém
uma população local, das favelas, com um certo alívio, como se fosse
melhor ser oprimido pelo estado do que, diariamente, pelo tráfico e sua
truculência com os moradores, a grande maioria pessoas honestas.
Contou muitas estórias que extraiu de moradores. Pesadelos que
passaram nas mãos dos traficantes. Humilhações e total ausência de
estado. Falou ainda de um exército sendo incrivelmente educado e cortês
com a população, sem truculência, muito bem treinados. E eficientes.

A essa hora meu chá já tinha acabado, e ainda não chegávamos a uma
conclusão sobre o que pensar e extrair disso. Uma coisa é certa, quem
quer falar por algum povo ou grupo, antes de demagogia, tem de saber o
que este povo e grupo quer de si mesmo, o que espera e quais suas
esperanças.

É fácil falar as vezes de cidadania e humanidade, se não sabemos de
verdade o que é viver diuturnamente situações desumanas e degradantes.
Quanto ao uso político disso, melhor nem comentar. Mas é outra coisa. A
canalhice política costumeira. Contei um pouco das minhas militâncias,
das andanças incansáveis, da luta de sempre em favor dos trabalhadores,
coisas menores frente a essa conjuntura incrivelmente inesperada para
nossa geração.

Nos despedimos já cansados daquela conversa, quase uma da manhã, ele
com compromissos interessantíssimos pelas vielas nunca dantes
transitadas como agora, com seu desprendimento habitual de um grande
profissional e grande ser humano. Espero que faça a melhor cobertura
jornalística de sua vida. E viva muito. Grande abraço a ambos amigos. É
sempre bom ter humildade para aprender algo novo!

Antônio Wagner Oliveira, Advogado, Servidor Público de Carreira, está
como Dir. Jurídico do SINPAIG MT e Vice-Presidente da CSB MT.