Será, de fato, intolerância à lactose?
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Será, de fato, intolerância à lactose?

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Como nutricionista, percebo que está acontecendo uma grande confusão, inclusive entre os profissionais de Saúde, sobre o que é a intolerância à lactose, bem como um ponto fundamental que muitos desconhecem: a qualidade do leite no Brasil.

A lactose é um hidrato de carbono composto por glicose e galactose (açúcares) encontrada especificamente no leite e alimentos que derivam dele, pois é produzido por mamíferos. Ser intolerante à lactose significa que o organismo não é capaz de digeri-la, pois, quando ingerida, é esmoída pela enzima lactase, que é responsável pela quebra da lactose, transformando-a em glicose, para que possa ser absorvida pelo corpo. Isso significa que, quando o corpo não possui ou produz insuficientemente essa enzima, ele o elimina, gerando assim os desconfortos abdominais, diarreia, flatulência, entre outros sintomas. Essa doença pode ser genética ou adquirida em decorrência de problemas, doenças e até cirurgias intestinais.

Mas é preciso ter atenção: segundo o artigo Lactose Intolerance: Diagnosis, Genetic, And Clinical Factors, apenas 20% da população sofre desta patologia! Logo, é importante avaliar a qualidade do leite que chega a nossas casas. No Brasil, consumimos normalmente o leite UHT (conhecido como leite Longa Vida). O trajeto desse alimento, do produtor até nossa mesa, é longo e pode ser corrompido no caminho. Outro ponto negativo é que o produto UHT (sigla que significa temperatura ultra alta, em inglês) alcança temperaturas superiores a 100ºC, o que acaba eliminando não só as bactérias ruins (patogênicas), como também as boas (probióticas).

Por isso, em muitos casos, quando o indivíduo troca o leite UHT por produtos de qualidade, a patologia desaparece. Para evitar essa doença é necessário estar atento aos ingredientes do produto antes de comprá-lo (o leite, por exemplo, deve apresentar como ingrediente apenas leite, nada mais, sequer conservantes). E optar, se possível, pelo produto pasteurizado (leite de “saquinho”), que possui o tratamento térmico em temperatura inferior ao de ebulição, permitindo que as bactérias probióticas sobrevivam e exterminando as patogênicas.

Se, mesmo com a troca do leito UHT pelo pasteurizado, o indivíduo continuar sentindo desconfortos abdominais, flatulências e diarreia, é necessário que procure um médico, pois pode significar, de fato, intolerância à lactose. Outro ponto importante é que as pessoas que realmente sofrem de intolerância a lactose devem investigar o grau da patologia, pois, muitas vezes, podem comer queijos, iogurtes e não sofrer dos sintomas, já que as bactérias presentes nestes produtos ajudam no processo de digestão.

* Patrícia Ceolin Grassi é mestre em Metabolismo e professora dos cursos de Nutrição e Medicina da Unic.

 

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