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Secretário de Justiça depõe e diz que governador de MT sabia do esquema de grampos na PM

Airton Siqueira, titular da pasta de Justiça e Direitos Humanos, foi ouvido como informante. PM grampeou jornalistas, médicos, advogados e deputada de oposição.

Fonte: G1
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Coronel Airton Siqueira Junior, secretário-chefe da Casa Militar de MT, foi afastado por 5 dias (Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT)

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, prestou depoimento à Corregedoria da Polícia Militar nessa quarta-feira (5) e disse que o governador Pedro Taques (PSDB), tinha conhecimento do esquema de escutas clandestinas operado pela corporação. O oficial negou qualquer participação no crime. Ele estava acompanhado do advogado, Paulo Taques, que pediu para sair do cargo de chefe da Casa Civil dias antes do escândalo dos grampos vir à tona, em maio. Ele próprio teria dado o telefone de uma ex-amante para que fosse interceptado.

Essa foi a primeira vez que um membro da alta cúpula da PM disse que Pedro Taques sabia dos grampos. O governador, por sua vez, tem afirmado desde que o início do escândalo que mandou o Gaeco investigar uma denúncia recebida por ele das mãos do então secretário de Segurança, promotor Mauro Zaque, mas que a apuração foi arquivada por falta de provas. Zaque afirma ter enviado dois ofícios sobre os crimes ao chefe do Executivo, mas Taques nega ter recebido esse segundo documento.

Atualmente, quatro oficiais (dois deles ex-secretários estaduais) e dois cabos da PM estão presos suspeitos de envolvimento no esquema de espionagem. Um Inquérito Policial Militar investiga o caso. Ouvido como informante, Siqueira disse que em 2015 foi chamado por Pedro Taques no gabinete do governador e que este lhe falou que sabia dos grampos e que teria que exonerar policiais militares.

“Vocês fizeram merda e não tenho como manter vocês no cargo”, teria dito o chefe do Executivo, segundo o depoimento de Siqueira, após receber informação de Mauro Zaque sobre a existência de uma central de escutas clandestinas na PM.

Siqueira disse ainda à Corregedoria da PM que em outubro daquele mesmo ano, antes da conversa com o governador, havia sido chamado juntamente com o então chefe da PM, coronel Zaqueu Barbosa, até a residência de Mauro Zaque. Este teria lhe dito que o Pedro Taques estava “muito aborrecido” porque sabia que a PM tinha grampeados “deputados, jornalistas e advogados”.

Zaque teria falado ainda que o governador iria exonerar Siqueira, Zaqueu e o também coronel Alexandre Lesco, secretário-chefe da Casa Militar, além de Paulo Taques. O titular da Segurança Pública teria falado ainda que Pedro Taques estava em São Paulo naquela data, tratando do assunto com Paulo Taques.

Foi o coronel Siqueira, que na época era comandante do Ciopaer (Centro de Operações Aéreas) quem indicou a sargento Andrea Cardoso para Zaqueu Barbosa, que precisava de policiais de confiança para investigar outros PMs supostamente envolvidos em crimes. Entrentanto, Siqueira nega ter participado dos grampos e disse que só soube da existência da central de escutas por meio de Zaque, em 2015.

O esquema

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.

Investigações

O esquema foi denunciado por Zaque à Procuradoria Geral da República em janeiro deste ano. O promotor deixou o cargo de secretário em dezembro de 2015, mas afirma que em outubro daquele ano avisou o governador sobre as escutas clandestinas da PM. Ele disse que entregou dois ofícios a Pedro Taques sobre o caso.

Taques, por sua vez, disse ter recebido apenas um documento, o qual encaminhou para o Ministério Público para investigação. A apuração foi arquivada depois de cinco dias, por falta de provas. O governador afirma que o outro ofício, que Mauro Zaque afirma ter entregue, foi fraudado e que nunca chegou a seu conhecimento.

A PGR investiga se o governador tinha conhecimento do esquema e de quem teriam partido as ordens para os grampos. A Polícia Civil e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso também apuram a irregularidade.

Prisões

Seis PMs estão presos preventivamente por suposta participação nas interceptações. O cabo Gerson e o coronel Zaqueu Barbosa foram presos em maio. Em junho, foram presos os coroneis Evandro Lesco, que comprou dois aparelhos que podem ser usados para interceptações telefônicas em maio de 2015, e Ronelson Barros. Os eram, respectivamente, de secretário-chefe e secretário-adjunto da Casa Militar, mas foram afastados dos cargos.

No mesmo dia, foram presos o tenente-coronel Januário Batista e o cabo Euclides Torezan, cedido ao Gaeco, do MPE, suspeitos de participação no crime, além do corregedor-geral e o diretor de Inteligência da PM, coronel Alexandre Mendes e tenente-coronel Victor Paulo Pereira. Esses dois últimos teriam avisado Lesco e Barros de que eles seriam alvo de mandados de prisão. Mendes e Pereira, porém, já estão soltos graças a uma decisão judicial.

Montreal