Rondonfolia 2017, um carnaval sem fim!
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Rondonfolia 2017, um carnaval sem fim!

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Rondonfolia 2017, um carnaval sem fim!

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Capítulo XI
A corda do cordeiro
22.11.17.

Eram dez cordeiros em cada um dos dois trios elétricos. As cordas eram amarradas nas laterais do trio, após os últimos pneus, e fazia um vê até a frente da cabine, que em média ficava oito metros de distância do para-choque. Distribuídos de modo que não deixassem as pessoas entrar no espaço e nem deixar os foliões correrem o risco de caírem debaixo da cabine ou dos pneus do caminhão, que passava o maior tempo trafegando. Uma pessoa experiente orientava os demais, em cada veículo.
Conversei com o moço contratado para coordenador a missão, antes do evento, e me garantiu que fez outros carnavais na mesma função, mas percebi que os outros integrantes estavam operando naquela função pela primeira vez na vida.
Notei já no primeiro dia uma desorganização, para mim era comum ver os trios terem uma distância entre si no circuito, mas como tinha muitos outros afazeres imaginei que o responsável pela missão resolveria logo, pois poderia ser os desencontros das primeiras voltas.
No final do evento, naquele dia, foi-me entregue um valor em espécie para repassar ao chefe dos cordeiros, o que fiz, e ele fez o pagamento dos trabalhadores.
No segundo dia, já desconfiado que a maioria das coordenações não iria funcionar, e sendo a minha maior preocupação como consultor e também produtor, uma vez pois as pessoas envolvidas queriam mesmo era festar, direcionei minha maior atenção aos pontos de segurança do evento, pórticos de entrada, policiamento, fechamentos, e em especial aos trios elétricos, que se movimentavam o tempo todo. Propus aos motoristas para ficarem mais atentos que o normal, pois a equipe de cordeiros não tinha o treinamento para tal, e eles confirmaram a minha desconfiança, pois já estavam muito preocupados. Abordei o chefe dos cordeiros para uma conversa e senti que ele estava exaltado, tratando-me com rispidez. Notei que um dos integrantes do grupo dele estava embriagado, e confirmei quando falei com ele, na presença de uma pessoa que nos ajudou no evento. Voltei a contatar com o chefe dos cordeiros, que me jogou contra todos, afirmando que eu estava dizendo que todos estavam bêbados. Houve um pequeno desentendimento, mas afirmei a todos, que eles eram as pessoas mais importantes do evento, pois se acontecesse um acidente com o trio, eles seriam responsabilizados e a festa poderia ser cancelada, quando alguns me afirmaram que realmente havia gente bebendo durante o serviço.
Não houve o pagamento dos cordeiros no segundo dia, e o chefe deles me cobrou, quando lhe informei que apenas repassei o dinheiro que meu contratante e chefe me pediu para lhe entregar, e que ele falasse com quem havia contratado os seus serviços. Foi um cansaço a noite toda do terceiro dia. Ele me abordando e eu lhe informando para procurar quem o contratou.


No quarto dia, os donos dos trios não queriam ligar os equipamentos e diziam que não sairiam do lugar, os músicos – que também não receberam o pagamento – também estavam reticentes a subir no trio para executar os serviços, quando recebi a informação de que os cordeiros também não iriam puxar os trios. Foi um caos. Para os 19 profissionais que conduziam as cordas do trio eu era o responsável pelo pagamento, pois o chefe deles não lhes informou quem o havia contratado. Em dado momento, quando se resolveram os problemas com os trios e as bandas, reunir-me com os cordeiros e fiz minha colocação, de que estava ajudando no evento, e que eu havia sido contratado, como eles e também não havia recebido o meu pagamento. Que eles procurassem quem os contratou para fazer a cobrança, e que eu me empenharia para que eles recebessem os seus devidos pagamentos. Um trio andou naquela noite, e a outra metade dos cordeiros ficou de braços cruzados esperando o pagamento. Fui enquadrado por diversas vezes por eles, mas sempre lhes falava que eu também era um contratado como eles, e que procurassem quem os contratou.
No quinto dia, foi o apocalipse. Nada funcionou como deveria, mas como estou falando só dos cordeiros, vamos a eles. Não iriam iniciar os serviços sem o pagamento. Quem era o responsável pelo pagamento e demais ações momescas nem foi ao evento e não atendia seus telefones. Encurralado pelos contratados para pagar e depois puxar os trios, e eles instigados pelo chefe, quase que ocorreu uma confusão, quando fui socorrido por um amigo jornalista e um servidor da secretaria de cultura, que me ajudaram a solucionar os problemas. Propus aos meus interlocutores que me comprometeria em conseguir, mesmo que emprestado de amigos, o valor correspondente a uma diária para pagá-los, antes da metade do evento. Eles acreditaram em mim. Juntos com os dois amigos fomos à caça de tomar dinheiro emprestado para resolver a situação. Metemos a mão nos bolsos, ligamos para todos os companheiros e o resultado foi que conseguimos pagar não uma diária, mas duas para cada um dos cordeiros. Registramos que três vereadores e um secretário municipal da prefeitura nos ajudaram na vaquinha. E os trios não ficaram estacionados, por falta dos profissionais que puxavam suas cordas.
Final do evento, algumas pessoas ainda saiam em direção as suas moradias, quando fui chamado pelo chefe dos cordeiros, para eu explicar aos demais profissionais quem era o responsável pelo não pagamento dos dois dias faltantes. Disse-lhes pela enésima vez para procurarem o chefe deles, que ele sabia quem era que os havia contratado. Tentei me desvencilhar deles, mas não deixavam sair de uma roda que fizeram. Inocentemente fui falar com eles para acalmá-los, coisa que, quem deveria não estava ali, e o líder deles já havia perdido o controle. Um dos mais exaltados dizia que eu era a única autoridade no evento, o que eu contestava dizendo que era um trabalhador contratado, como eles. Vi os olhos dele com um brilho diferente e não mais quis sair dali, pois senti que se o fizesse seria agredido. Fiquei conversando e chamando o líder deles para a roda, também o dono de um dos trios. Dizendo as eles que procurassem o real devedor da contratação e tantos outros argumentos. Quando o chefe dos cordeiros resolveu falar, que no outro dia pela manhã iriam acampar na porta da secretaria devida ou da prefeitura, foi quando os nervos se acalmaram e não houve nenhuma desinteligência, graças ao bom Deus.
Minutos depois, já estava no camarote fazendo as tabulações das notas dos blocos carnavalescos, quando fui abordado pelo chefe dos cordeiros, que me avisou que um dos cordeiros estava com uma faca, desde a primeira reunião daquele dia, e iria guardá-la na barriga de uma autoridade, se não recebesse naquele dia, e que ele achava ser eu a única, presente ali. Minhas pernas tremeram, e muito.

Montreal