Reinventar, o sucesso da profissão.
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Reinventar, o sucesso da profissão.

Fonte: Assessoria
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Foto: Arquivo Pessoal.

O ano não se sabe precisar, porém, há relatos que remontam sinais da sua existência há
aproximadamente 4.000 anos A.C. Já naquela época o homem primitivo sabia da
necessidade de controlar, administrar, preservar para que com a soma dessas ações viesse a
obter lucros.
É sabido que sua evolução foi lenta. Também, não é pra menos né! Afinal estamos falando
de algo que perpassam 6.018 anos. Sim, é isso mesmo; 4.000 anos A.C com os atuais 2.018.
Mas foi a partir do século XV, mais precisamente em 1.494 – época de grandes
acontecimentos tais como a assinatura do Tratado de Tordesilhas, o nascimento de Johannes
Agricola seguidor e amigo de Martinho Lutero – que explodia na Itália atividades mercantis
e econômicas.
Em razão disso, um monge franciscano nascido em Sansepolcro, região da Toscana,
professor de Leonardo da Vinci, em um de seus livros intitulado, Summa, escreveu um
capítulo que trata do método veneziano, mais conhecido como método das partidas
dobradas. Seu nome, Luca Pacioli.
A partir daí nascia como ciência uma das mais importantes profissões do mundo. A
Contabilidade.
Hoje dividida em duas grandes escolas. A europeia e a norte-americana, enquanto aquela
volta suas forças à produção trabalhos teóricos com pouca prática; esta se preocupa com a
contabilidade gerencial, a auditoria e ênfase ao usuário da informação contábil.
Recentemente uma revista de circulação nacional publicou matéria com o título “Elas vão
substituir você”. Onde em seu relato fantasioso e desprovido de conhecimento sobre a
profissão, afirma que em uma década há 94% de probabilidade da profissão de Contador
deixar de existir.
Nada mais repugnante e kafkiano que ler uma publicação como a que foi veiculada onde é
visível o descuido por parte do autor em não tratar os números e os termos da pesquisa com
o devido cuidado. Pois a pesquisa realizada pela consultoria americana McKinsey refere-se
sobre a extinção de algumas atividades e não a profissão.
O autor da matéria deveria saber que “atividade” e “carreira” estão diretamente ligadas. E
que o conceito dessas duas é diferente de profissão.
Enquanto carreira pode ser definida como sequências de posições ocupadas e de trabalhos
realizados durante a vida laboral de uma pessoa. A profissão, muita mais ampla, caracteriza-
se pela ocupação, a atividade que o profissional desempenha, para tanto requer competências
especializadas e formais.
O que os quase 356 mil alunos que se encontram matriculados nos cursos de Ciências
Contábeis vão pensar ao lerem uma matéria tendenciosa como esta?
No mês de abril do ano passado escrevi um artigo de opinião com o título “Mesma essência
para nomenclatura diferente”, onde abordei o tema contábil com viés voltado à inteligência

artificial. Naquela oportunidade já havia alertado sobre a necessidade dos profissionais, em
especial os da contabilidade, de estarem em constante capacitação.
Uma profissão milenar como esta não sucumbirá, contudo, aqueles que desempenham tão
somente a atividade estarão com os dias contados caso não se reinventem.
Prova disso é a concretização cada vez mais real da revolução 4.0. Realidade cada vez mais
latente ao depararmos com tecnologia nas nuvens, internet das coisas, Crowdsourcing que
nada mais é que contribuição coletiva para se alcançar melhores produtos e serviços. A
transformação é tão rápida que o termo Big Data já é coisa do passado, sendo substituído
pelo Smart Data.
Muita gente, inclusive profissional da contabilidade, não sabe o que é Contabilidade, porque
entende que Contabilidade é apenas escrituração, apresentação de balanço, receita disso,
despesa daquilo… isso tudo a quarta revolução já está fazendo. Porém, isso não é
Contabilidade. É informação. E informação sem o Contador de nada vale.
Portanto, para que a opinião da revista não concretize é preciso que estudantes, profissionais
e estudiosos da ciência contábil se unam na mesma seara para com isso evitar que a quarta
revolução os domine.
Assim como no início, concluo este artigo mencionando outro italiano, Sérgio de Iudícibus,
ao dizer que a Contabilidade é tão antiga quanto o próprio homem que pensa. Pensar. Coisa
que a revista não fez.

Claiton Cavalcante
Contador, mestrando em Contabilidade pela FUCAPE Business School, especialista em Contabilidade
Pública.