Reforço do America, ex-Flu recorda perrengues ao lado de craque do Real
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Reforço do America, ex-Flu recorda perrengues ao lado de craque do Real

Fonte: Juan Rodriguez
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Quem olha para o currículo das categorias de base de Mayaro, imagina que ele trilhou uma carreira de muito sucesso. Mas não foi bem assim. Reforço do America-RJ para a Série B1 do Carioca, foi revelado pelo Fluminense e jogou ao lado de Marcelo, Maicon “Bolt”, Alan e tantos outros jogadores que vingaram no time principal do Tricolor. Também foi convocado para a seleção brasileira sub-18, onde chegou a ser capitão do time em uma geração que tinha nomes como Éverton Ribeiro e Rafael Carioca. Porém, quando realizou o seu sonho de se tornar jogador profissional de futebol, a sua vida sofreu um reviravolta que, para ele, é injustificável.

Por conta da sua baixa estatura, Mayaro, com 1,69 m, aos poucos, foi deixado de lado. O capitão da base observava a sua geração brilhando com a camisa Tricolor e esperava ansiosamente pela chance que nunca chegava. E nunca chegou. Em 2008, até foi para o banco de reservas em três oportunidades no Campeonato Brasileiro, mas não entrou em campo pela equipe comandada por Renato Gaúcho. Depois disso, se tornou um andarilho e rodou por equipes de menor expressão, como Duque de Caxias, Volta Redonda e Bangu.

– Em 2008, um diretor que está lá no Fluminense até hoje me chamou na sala dele e falou que iam renovar o meu contrato, que apostavam em mim, mas que eu não ia ter chance. Eu não era tão baixo, poxa. Pelo menos, achava que não era – declarou o jogador, que lamentou a forma como foi tratado dentro do clube de coração.

– Aquilo me derrubou de uma tal maneira… Senti o golpe. Desanimei. Eu estava lá há nove anos com o objetivo de ser promovido para o profissional. Me tornei tricolor de coração, não tinha como ser diferente. Foi um baque. Não falei com nenhum familiar sobre isso por pura vergonha.

Apesar da tristeza por não ter tido mais oportunidades na equipe principal, Mayaro guarda com carinho tudo que viveu e conquistou no Flu. Principalmente as amizades com grandes nomes do futebol, como o lateral do Real Madrid e da seleção brasileira, Marcelo, com quem compartilhou diversos perrengues ainda garoto.

– Não passávamos necessidade, mas não éramos ricos. Eu lembro que contávamos moedas para pegar a van que ia para Xerém, que custava cinco reais na época. Hoje em dia, com essa crise, deve ter aumentado. Demos sorte. Se fosse hoje… –  conta aos risos.

Com a preparação para a disputa do Campeonato Carioca da Série B1 com o America já iniciada, Mayaro revelou que é uma honra jogar pelo clube. No Rubro, vai reencontrar o técnico João Carlos Ângelo, o seu auxiliar Edgar Pereira e o ex-lateral-esquerdo Gilberto que, atualmente, exerce o cargo de coordenador de futebol. O meia trabalhou com todos eles no Americano, em 2016. Para o jogador, atuar pela equipe será uma forma de fazer a alegria do seu avô, Seu Ezequiel, torcedor fanático do Mecão.

– É uma honra vestir essa camisa. Meu avô é America. Quando eu fechei com o clube, liguei para ele imediatamente. Ele ficou muito emocionado – disse o meia que, mesmo aos 27 anos, ainda sonha por uma nova oportunidade em um grande clube do futebol brasileiro, para, talvez, traçar uma história diferente da que viveu pelo Fluminense.

– Tenho uma filha e uma esposa que acreditam muito em mim. Então, como que eu não vou acreditar? – indagou Mayaro, em entrevista que você confere na íntegra abaixo.

Amizades na base do Fluminense- Eu era mais próximo do Tartá, pois somos do mesmo ano. Conquistamos alguns títulos legais juntos, inclusive, internacionais. Fomos convocados para a Seleção sub-18. Joguei com grandes jogadores. Alan, que está arrebentando na China, os gêmeos Rafael e Fábio, Maicon “Bolt”, que está bem na Rússia. O Lenny que, infelizmente, se aposentou precocemente, e o Digão, que é ídolo no mundo árabe.

Bronca nos juniores- Quando Wellington Nem, Wellington Silva, Marcos Júnior e Raphael Augusto estavam subindo para o juniores, eu era o capitão. Eles já eram jogadores diferenciados e que a gente tinha certeza que dariam bons frutos para o Fluminense. Dei conselhos e algumas broncas. Mas eles me deram muitas vitórias. É muito maneiro vê-los arrebentando como estão fazendo.

Parceria com Marcelo, lateral da Seleção brasileira e do Real Madrid- O Marcelo dispensa apresentações. É muito legal vê-lo com o status que tem, um dos melhores jogadores do mundo. Outro dia, estávamos pegando um metrô e depois uma van para chegar ao treino. Não passávamos necessidade, mas não éramos ricos. Eu lembro que
contávamos moedas para pegar a van que ia para Xerém, que custava cinco
reais na época. Hoje em dia, com essa crise, deve ter aumentado. Demos
sorte. Se fosse hoje…(risos). Perdemos o contato, mas ele continua o mesmo. Um cara humilde, que merece ser muito feliz.

 Decepção com o Fluminense- Em 2008, um diretor que está lá no Fluminense até hoje me chamou na sala
dele e falou que iam renovar o meu contrato, que apostavam em mim, mas
que eu não ia ter chance. Eu não era tão baixo, poxa. Pelo menos, achava
que não era. Aquilo me derrubou de uma tal maneira…Senti o golpe. Desanimei. Eu
estava lá há nove anos com o objetivo de ser promovido para o
profissional. Me tornei tricolor de coração, não tinha como ser
diferente. Foi um baque. Não falei com nenhum familiar sobre isso por
pura vergonha.

Aprendizado pós saída do Tricolor- Eu tinha 19 anos quando esse diretor me falou isso. Para mim, tinha sido tempo perdido ficar lá esse tempo todo, mas com chance zero de subir para o profissional. Hoje em dia, eu dou valor a cada treinamento, cada amizade que fiz, cada aprendizado. Sou o que sou graças ao Fluminense. Passaria por tudo de novo se fosse preciso. O que não dá é esticar e crescer. Nem quero isso, sou seguro quanto ao meu tamanho. Compenso com vontade e raça. A concorrência era enorme também. Tinha o Maurício, Fernando Bob…Valorizo os meus concorrentes. Prefiro ver dessa maneira.

Novo clube, o America- É uma honra vestir essa camisa. Meu avô é America. Quando eu fechei com o
clube, liguei para ele imediatamente. Ele ficou muito emocionado.
Percebi que é a chance de dar orgulho para uma pessoa que me ajudou
todos esses anos, principalmente quando o desemprego chegava. Meu avô é o
meu melhor amigo, meu maior incentivador. Estou muito feliz e motivado. E isso é o principal para sonhar com voos mais altos.

Sonho de atuar por um grande clube- Não sou mais tão novo. Sei como as coisas funcionam, mas para Deus, não há nada impossível. Estou trabalhando muito e correndo atrás. Tenho uma filha e uma mulher que acreditam em mim. Então, como eu não vou acreditar?