Recuo de Huck e polarização de extremos encorpam Alckmin
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Recuo de Huck e polarização de extremos encorpam Alckmin

Fonte: Da Redação
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Foto - Reprodução

O governador de São Paulo e provável novo presidente nacional do PSDB, em eleição que ocorrerá nos próximos dias, Geraldo Alckmin (PSDB) pode surgir para o Brasil, em 2018, com a mesma missão que agora teve para pacificar o ninho tucano. Enquanto uma briga e um verdadeiro racha interno se desenhava no horizonte com as candidaturas opostas do senador do Ceará, Tasso Jereisati (PSDB/CE), e do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB/GO), para ocupar o cargo máximo de direção do partido, Alckmin foi praticamente aclamado, inclusive pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para unificar as diferentes frentes políticas dentro da sigla. Sua postura, quase sempre ponderada, deu aos correligionários a atmosfera de tranquilidade que há tempos era buscada no partido e sua candidatura única, carimbada pelo senador José Serra (PSDB/SP), pelo prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB/SP), e sem nenhuma contestação da parte do também senador e ex-presidente, Aécio Neves (PSDB/MG), demonstram o que Alckmin consegue refletir com excelência: unidade.

Tasso e Perillo recuaram e mostraram satisfação com a possibilidade de serem comandados por Alckmin, antes mesmo que o governador do estado mais importante do país se pronunciasse sobre. Mesmo já muito ciente de sua grande chance de vitória na eleição interna do PSDB, o pré-candidato a presidência da República tomou cuidado para não tratar as minúcias do assunto publicamente e fez questão de ouvir a opinião de Serra e até mesmo do moralmente abalado Aécio Neves antes de confirmar que aceitaria. Os efeitos agora do PSDB nas mãos de Alckmin, no que tange a espaço político, já começaram a ser sentidos com o posicionamento do PMDB, maior partido da nação com mais de 2,3 milhões de filiados. O partido de Michel Temer (PMDB) já sinalizou simpatia com Alckmin na direção e até mesmo já sinalizou parceria para a corrida eleitoral do ano que vem. Setores de muita influência peemedebistas já haviam cravado que com Tasso no comando não haveria possibilidade de composição em 2018, mas com Alckmin a aproximação é muito mais viável.

Mesmo que do ponto de vista da análise do grande público, sobretudo a maioria revoltada com a classe política, a simpatia do PMDB não signifique muita coisa para Alckmin se vangloriar, a verdade é que a análise precisa ser um pouco mais aprofundada. Derrotado por Lula em 2006, o tucano ocupa atualmente, pelo quarto mandato, a gestão da unidade mais rica, porém mais complexa da Federação e tem conseguido ser eficiente. Ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito de Pindamonhangaba, cidade no interior de São Paulo e onde nasceu, o médico tem experiência de sobra e uma personalidade que, se por muito tempo foi razão das principais críticas contra si, agora pode ser seu grande trunfo. Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC) já iniciaram uma peregrinação muito antecipada rumo a maior cadeira da política nacional e a verdade é que o debate raivoso pode ser muito prejudicial a ambos pelo sentimento criado a quem está fora dos extremos e que efetivamente decide uma eleição, os chamados “apartidários”.

Assim como no amor, a moça que é razão da briga de dois homens acaba ficando com um terceiro elemento, Alckmin e seu modo contido pode, por fim, passar a segurança que tanto o deputado federal quanto Lula não conseguirão a quem não for “apaixonado” por algum deles. Enquanto um joga lama no outro, a tendência é que a rejeição tanto ao petista como ao defensor do porte de arma também cresça e automaticamente isso acabe por estagnar seus crescimentos nas intenções de voto. O resultado disso será um vácuo, que com uma boa dose de impulsionamento oculto do mundo empresarial, do campo e da cidade, pode trazer o provável novo líder dos tucanos como a solução. É até verdade que o brasileiro gosta de ver “o pau quebrar” e isso deve se repetir nas eleições, mas provavelmente não alcançará o voto em um momento tão sensível da economia nacional em que todos sentem o peso de tudo no bolso.

Quanto aos extremistas, que embora barulhentos são minoria, restará aceitar a decisão da grande massa, que muito provavelmente seria até Luciano Huck, mas deve agora sobrar no colo de Alckmin.

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