Que tal um cidade mais limpa? Que tal a Coleta Seletiva?


Que tal um cidade mais limpa? Que tal a Coleta Seletiva?

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Foto: Projeto Coleta Seletiva Bairro Consciente – Lucas do Rio Verde/MT

 

O crescimento da população urbana e o aumento do poder aquisitivo em geral estão diretamente ligados ao crescimento do consumo, aumentando o uso de matérias-primas e, consequentemente a geração de resíduos sólidos.

 

Hoje dia 02 de agosto de 2016, completa dois anos desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS determinou e sancionou o prazo de quatro anos para que as cidades brasileiras adequassem à gestão dos resíduos dentro da PNRS com ações como, a extinção dos lixões do país, implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios.

 

Como as prefeituras não conseguiram novamente cumprir o prazo, em 2015, o governo federal sancionou uma emenda no senado estendendo os prazos para 2018 e 2021 para que as prefeituras não corressem o risco de responder por crime ambiental, não terem gastos com multas de até R$ 50 milhões e suas autoridades não perdessem o mandato.

 

Em Mato Grosso, somente seis dos 141 municípios tratam de forma adequada o seus resíduos. O restante não cumprem o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos que estabelece que o poder público deve apresentar seus planos e ainda estão com as Licenças de Operação  de seus aterros vencidas.

 

A implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos esbarra numa série de dificuldades no Brasil. A coleta seletiva, é um dos principais instrumentos de gestão integrada dos resíduos sólidos, mas não é muito difundida no país. É através dela, que ocorre a  separação em acondicionamento de materiais recicláveis, em sacos ou recipientes segregados, nos locais onde o resíduo é produzido.

 

É importante ressaltar que a implementação de programas municipais, deve ser feitos através de parcerias com catadores organizados na perspectiva dos benefícios econômicos, ambientais e sociais. No entanto, identificam uma série de fragilidades nos programas de ordem econômica, legal, gerencial e organizacional e a precariedade das condições de trabalho.

 

Por isso, a coleta seletiva exige muita atenção e parceria com a comunidade para que o sistema funcione de forma adequada com capacitação das pessoas e um programa intensivo de educação ambiental.

 

Em Mato Grosso, o município de Lucas do Rio Verde vem se destacando no estado por ser o primeiro município a ter Coleta Seletiva totalmente mecanizada e a terceira cidade do Brasil a adotar o sistema 100%. Segundo o prefeito de Lucas do Rio Verde, o modelo de contentores de lixo em toda a cidade começou a ser adotado em 2013 e hoje possui 3.600 unidades que são responsáveis pela coleta de 60 toneladas por mês. O município atingiu 70% que exige a Política Nacional de Resíduos Sólidos em relação ao tratamento de lixo, percentual superior à média nacional, que atingiu pouco mais de 50%. O projeto contou com um investimento de R$ 5 milhões. Veja aqui o vídeo institucional do Projeto Bairro Consciente/ Lucas do Rio Verde/MT: https://www.youtube.com/watch?v=VpWZ7E2awK4

 

 

Que tal sermos como Lucas do Rio Verde que é exemplo em nosso estado, Vera Cruz que vem estimulando junto com os empresários do município, Tapurah que está estudando o modelo de Lucas do Rio Verde para levar para sua cidade, Sorriso com o Projeto  Amigos da Terra que está incentivando a separação e coleta seletiva nas escolas, o Projeto ReCiclo em Nova Mutum que comercializa todo o material separado via leilão e editais na cidade e o Projeto Ipiranga Melhor que está implantando e reestruturando toda a gestão dos resíduos em Ipiranga do Norte. Esses seis municípios citado aqui, são os únicos no estado de Mato Grosso tem aterros sanitários com licença ambiental de operação e PNRS em dia.

 

Que tal nos espelharmos mais neles? Que tal exigirmos mais do poder público? Que tal nos colocarmos à disposição e fazer nossa parte? Que tal reclamar menos e fazer mais pela sua cidade? Que tal começar por você, com atitudes? Começando pequeno e crescendo cada vez mais rápido…

 

Que tal, os novos prefeitos e vereadores do nosso estado avançarem mais em relação a questão ambiental e fazerem a diferença transformando o “lixo em ouro”, gerando renda, novas oportunidades, dando exemplo para as crianças e proporcionando orgulho aos moradores da sua cidade por viverem  em uma cidade mais limpa, que cuida do meio ambiente e pensa no bem estar da população??

 

Que tal baixar o Guia para Gestores Municipais e ver mais exemplos de iniciativas inovadoras na gestão de resíduos nos pais? Faça o download do guia, acesse: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80058/EaD/Manual%20PSGIRS%20diagramacao_v2.pdf

 

Precisamos mudar o nosso conceito pensando mais no coletivo e menos no eu. Precisamos dar exemplo, como diz Gandhi, “seja a mudança que você quer ver no mundo”.

KAMILA BARROS

Por: Kamila Barros, Engenheira Ambiental e Perita Ambiental. Presidente da Associação dos Engenheiros Ambientais de Mato Grosso – AEAM MT, Superintendente na Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais ANEAM, Diretora do Sindicato dos Engenheiros do Estado de Mato Grosso, Consultora na empresa Ambiento Engenharia e Consultoria Ambiental e no SENAR MT.