“Pupilo” de Gattuso, ex-Flu ressurge na Suíça e sonha com retorno ao...
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“Pupilo” de Gattuso, ex-Flu ressurge na Suíça e sonha com retorno ao Brasil

Fonte: Juan Andrade e Gustavo Garcia
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Léo Itaperuna segue aquela linha de jogadores que saíram do interior ainda meninos para tentar a vida em uma cidade grande e que precisaram ressurgir diversas vezes para o esporte. Natural do município da Região Noroeste Fluminense que passou a usar como “segundo nome”, ele chegou bem perto de se tornar apenas mais um na estatística dos milhares de atletas que viram o sonho de viver do futebol dar espaço para a frustração – e até mesmo para a falta de independência financeira. Mas persistiu.

– Cheguei ao Fluminense em 2005. Na época de infantil fiz uma peneira que acontecia toda segunda. Fui aprovado, mas depois tive uma lesão em minha cidade jogando entre meus amigos, onde muitos achavam que eu não conseguiria mais jogar futebol. Mas, graças a Deus, dei a volta por cima e, quando voltei para o Flu, já voltei no primeiro ano de juvenil – recorda.

Mas esta não foi a única provação encontrada pelo atacante. Revelado pelo Flu em uma geração que tinha nomes como Tartá, Alan, Maicon, Fernando Bob, Fábio, Rafael, entre outras então promessas de Xerém, ele conseguiu atuar pelos profissionais e até mesmo marcar gol – diante do Figueirense, em 2007, pelo Brasileiro. Mas quando tudo parecia encaminhado, viu-se novamente frente a frente com as complicações de seguir uma carreira profissional por conta da “concorrência de peso” na equipe principal.

Na época, os jovens não tinham tanto espaço no Fluminense como atualmente, em que Xerém forma a base do time. O clube recebia altos investimentos no futebol da então patrocinadora e estava prestes a entrar em um dos períodos mais vitoriosos de sua história.

– Eu era bem jovem quando subi para o profissional de vez, em 2008. O time era patrocinado pela Unimed, isso dificultou muito para nós, da base. Por exemplo, na minha posição tinha o Somália, o Washington, o Rafael Moura, o Leandro Amaral, o Dodô… era complicado – lembra.

Diante da falta de espaço e até mesmo de oportunidades nas Laranjeiras, o jovem de Itaperuna se tornou andarilho e passou a ser emprestado para outras equipes para ganhar experiência. Foi então que em 2012, já fora do Fluminense desde o fim do ano anterior após uma saída conturbada, que tudo mudou. Quando o fim do sonho de ganhar a vida com a bola nos pés parecia mais uma vez próximo, ele se agarrou à chance de atuar no Arapongas, do Paraná, e conseguiu garantir um futuro melhor. Afinal, os gols no clube lhe abriram portas da Europa.

E foi aproveitando as oportunidades que no mesmo ano ele desembarcou no Sion, time da Suíça em que conquistou espaço e atua até hoje. Por lá, foi apresentado junto com um jogador – conhecido pelas polêmicas – que acabaria contrariando os prognósticos para se tornar uma referência e até mesmo um “professor”: Gennaro Ivan Gattuso, ídolo no Milan e campeão mundial pela Itália em 2006.

– O Gattuso foi um cara que me ensinou muita coisa devido a sua vasta experiência. É uma pessoa que levarei para o resto da minha vida. Era um jogador que eu e todo grupo se espelhava, era extremamente profissional, correto e de bem com a vida. Foi uma bela experiência, ele era muito nervoso dentro de campo, sempre com muita vontade, disposição, mas todo mundo entendia a sua vontade de vencer – declarou Léo Itaperuna sobre o italiano, que era seu companheiro de quarto antes de se tornar treinador.

Hoje, aos 27 anos, com quatro temporadas no Sion e uma passagem pelo Suwon Bluewings da Coréia do Sul no currículo, Léo Itaperuna está em fim de contrato na Europa – o vínculo vence no fim da atual temporada. Com a vida estabilizada e com propostas, o jogador não esconde a vontade de retornar para “casa”.

– Devido a esses anos aqui (na Suíça), sinto que preciso respirar novos ares. Apareceram uns clubes da Suíça e dois Brasil, mas estou em fase de negociação pelo fato do meu contrato acabar agora em junho. Mas entrego nas mãos de Deus, ele sabe o melhor para mim – disse o jogador, em entrevista sobre a carreira que você confere na íntegra abaixo.

O pontapé inicialCheguei ao Fluminense em 2005. Na época de infantil fiz uma peneira que acontecia toda segunda-feira no clube, no qual fui avaliado pelo Edvaldo Cavalo e Marcos Aurélio. Fui aprovado, mas depois tive uma lesão em minha cidade jogando entre meus amigos, onde muitos achavam que eu não conseguiria mais jogar futebol. Mas, graças a Deus, dei a volta por cima e, quando voltei para o Flu, já voltei no primeiro ano de juvenil. Aí ganhei a confiança do treinador, depois fui ganhando confiança, fui fazendo gols. Disputei duas vezes a Copa São Paulo de Júnior e cheguei ao profissional. Minha saída ocorreu em 2011, tinha voltado de um empréstimo, onde eu tinha disputado Carioca pela Cabofriense. Quando retornei, o treinador da época (o Abel) disse que não contava comigo e mais alguns jogares, assim acabou meu ciclo com Fluminense.A primeira vez é inesquecívelO meu primeiro gol foi em 2007 contra o Figueirense no Orlando Scarpelli, o jogo ficou 2 a 2. Foi uma noite inesquecível. Quando marquei aquele gol, passou muita coisa na minha cabeça. Foi um jogo que nunca vou me esquecer, vou contar para os meus netos. O primeiro gol a gente nunca esquece, foi especial. Agradeço sempre a Deus por estar ali no momento certo e na noite certa naquela partida. Foi uma noite inesquecível.Geração que vingouNossa, são muitas lembranças, muitas histórias. Aquela geração era muito boa, foi uma pena que poucos conseguiram chegar ao profissional. Só tenho lembranças boas do período da base, foi nesse período que fiz muitos amigos, que converso com eles até hoje. Foi uma geração muito boa, lembro bem daquela geração que tinha o Tartá, o Alan, que está na China. Tinha o Maicon, atacante que hoje está na Russia. Os irmãos gêmeos Fabio e Rafael, que jogaram no Manchester United. Digão, zagueiro, que hoje está na Arábia. Sandro, zagueiro que hoje está no Ceará. O Fernando Bob, da Ponte Preta, entre muitos outros que estão bem hoje, graças a Deus. Nossa geração foi uma geração vencedora, ganhamos bastante coisa. 

Concorrência pesadaEu era bem jovem quando subi para o profissional de vez, em 2008. O time era patrocinado pela Unimed, isso dificultou muito para nós, da base. Por exemplo, na minha posição tinha o Somália, o Washington, o Rafael Moura, o Leandro Amaral, o Dodô… era complicado. Mesmo assim, consegui chegar até lá, consegui jogar, fazer gols, mesmo com poucas oportunidades. Essa experiência de 2008 me fortaleceu, aprendi muito com esses jogadores.

O TS3 MonstroThiago é e era um jogador na época que todos se espelhavam, boa pessoa, excelente profissional. Não tinha uma relação de amizade de ir na casa dele e ele na minha, mas tínhamos boa relação como colegas de trabalho. E hoje posso dizer que foi um prazer jogar com ele, um dos melhores zagueiros do mundo, sempre que posso acompanho os jogos dele.

Amizade com Marinho, o “doidinho”Minha convivência com o Marinho (ex-Flu e atualmente Changchun Yatai-CHI) até hoje é muito boa. Até hoje nos falamos, sempre falo com ele antes dos jogos ou quando eu e ele estamos de folga. Ele sempre foi meio doidinho, mas é um excelente amigo, sempre falava algumas merdas, mas sempre jogou muita bola e sempre foi muito profissional. Merece muito o sucesso que está tendo. Tem algumas histórias, mas ele não deixa contar (risos).

O adeus e a gratidãoMinha saída do Flu foi um pouco tumultuada devido ao meu empresário, que trabalhava antigamente comigo, não se dar bem com o diretor da época. Aí o Abel Braga chegou e disse que o grupo tava inchado. Ele separou um grupo de sete jogadores no qual eu fazia parte. Mas saí do Flu de cabeça erguida, sem nenhuma mágoa, muito pelo contrário. O Fluminense me ajudou muito, sou grato ao Fluminense para sempre. No final foi bom pra mim, depois fui para outro clube, fui vendido e hoje estou aqui, estou bem, graças a Deus.

O caminho para o Velho ContinenteEm 2012 eu fui para um time do estado do Paraná, o Arapongas E.C. Lá a minha carreira começou a alavancar. Eu usei tudo que eu havia aprendido nesses anos de Flu e 2012 foi um ano maravilhoso. Fui vice-artilheiro paranaense, conquistamos vaga na Série D, fomos campeões do interior, foi um ano inesquecível também. Depois tive proposta para ficar no Brasil, mas escolhi a Suíça pelo tempo de contrato e pelo fato de eu querer jogar em solo europeu. Em maio de 2012, cheguei na Suíça. Já estou há 5 anos aqui, já estou totalmente adaptado com as culturas, com o idioma. Falo francês fluente e minha família também já se adaptou.

Ensinamentos de um polêmicoO Gattuso foi um cara que me ensinou muita coisa devido à sua vasta experiência. É uma pessoa que levarei para o resto da minha vida. Era um jogador que eu e todo grupo se espelhava, era extremamente profissional, correto e de bem com a vida. Dei sorte que no dia da minha apresentação era a dele também. Ficamos no mesmo quarto do hotel, fazíamos curso de francês juntos, almoçávamos juntos. Foi uma bela experiência, ele era muito nervoso dentro de campo, sempre com muita vontade, disposição, mas todo mundo entendia a sua vontade de vencer. Era um jogador renomado que respeitava todo mundo. Um dos meus melhores anos foi jogando ao lado dele, foi um ano marcante e eu me sinto honrado em ter jogado ao lado dele.

Passagem pela Ásia antes de retornar à SuíçaNa Coreia foi um pouco difícil para a adaptação pelo fato do idioma, cultura, dificuldade de comunicação. Tudo dependia do tradutor e isso me atrapalhou, mas foi uma boa experiência. Fiz gols, disputei a Champions League da Ásia. Em geral, aprendi muita coisa que levarei para o resto da minha vida, depois fui para a China e fiz uns golzinhos também, depois retornei à Suíça.Futuro em abertoDevido a esses anos aqui, sinto que preciso respirar novos ares. Apareceram uns clubes da Suíça e dois do Brasil, mas estou em fase de negociação pelo fato do meu contrato acabar agora em junho. Mas entrego nas mãos de Deus, ele sabe o melhor para mim.