Professor da FGV defende poder a clubes e vê risco para concessionário
Fullbanner1



Professor da FGV defende poder a clubes e vê risco para concessionário

Fonte: Raphael Zarko
SHARE

Pré-candidato à presidência do Fluminense na eleição do ano passado, o advogado Pedro Trengrouse milita no futebol há 20 anos. Tem bom relacionamento na Gávea, onde passou como assessor jurídico do Flamengo na gestão Márcio Braga, conhece bem a Ferj – foi vice jurídico – e participa de discussões em mesas de debate no futebol dentro e fora do país. Recentemente, foi consultor da ONU para a Copa do Mundo realizada no Brasil. Acompanhando de perto o imbróglio do Maracanã, o professor e coordenador de curso de gestão esportiva da FGV – a Fundação realizou estudo à parte de viabilidade econômica do Maracanã – considera risco a compra da concessão pela Lagardère junto à Odebrecht. Para ele, os clubes deveriam administrar o estádio

– Administrado pelos clubes é muito mais do povo que administrado pela Odebrecht – afirma.

Confira a entrevista com Pedro Trengrouse, consultor FIFA Master e coordenador do Curso de Gestão Esportiva da FGV:

GloboEsporte.com – Os protestos de 2013 mudaram o escopo do contrato no Maracanã. Da maneira que se podia explorar o estádio, havia saída?

Pedro Trengrouse – A
previsão inicial incluía um empreendimento imobiliário e isso mudava
bastante o potencial de receitas do Maracanã. Mas de qualquer forma o
estádio tem viabilidade econômica e precisa ser muito melhor
administrado.

É viável o Maracanã sem o Flamengo? Você acha que a diretoria rubro-negra vai ceder e atuar no estádio?

Cabe
aos administradores do Maracanã trabalhar para que o estádio seja a
melhor opção para os clubes. A atual diretoria do Flamengo é séria e
competente. Sem dúvida jogará no Maracanã se isso for o melhor para o
clube.

No
entendimento da GL e da CSM não há segurança jurídica e contratual,
pelas ações do MP e do TCE. Há um risco grande para a Lagardère
assumindo o contrato?

O
MP pede, e acredito que com toda razão, que a licitação seja anulada.
Se isso acontecer afeta quem quer que venha a herdar o contrato da
Odebrecht.

A
FGV fez estudo de readequação contratual. Existe equilíbrio financeiro
do estádio sem construção de shopping center, estacionamento etc?

Independente
de qualquer estudo, o Maracanã é viável economicamente. Sempre foi.
Inclusive quando a Márcia Lins (ex-secretária de Esporte e Lazer do
Estado) administrava o estádio ele dava lucro. Era o ponto turístico
mais visitado do Rio de Janeiro junto com o Corcovado.

Você defende a administração direta de clubes no Maracanã?

Estádio
de futebol é para clube de futebol. A licitação do Maracanã começou
muito mal quando se proibiu que os clubes apresentassem suas propostas.
Por que não podem se organizar e administrar o estádio? Em 2007,
Flamengo, Fluminense e CBF formaram um consórcio para financiar as obras
e administrar o Maracanã. Teria sido muito melhor.O
último edital proibia clubes de participarem diretamente da gestão.
Pelo discurso de que o Maracanã foi construído, reconstruído e reformado
com dinheiro de impostos, do povo. Administrado pelos clubes, poderia
pertencer a um deles. Como vê esse debate?

Administrado pelos clubes é muito mais do povo que administrado pela Odebrecht.

Nova licitação, no momento, significa deixar o estádio fechado, talvez, por mais tempo ainda. Sem o Estado poder bancar.

O
problema central é que o Estado licitou mal. Para que o consórcio
formado por Fluminense, Flamengo e CBF assumisse a responsabilidade de
fazer a obra e administrar o estádio nem seria necessário licitação.
Iriam investir R$ 600 milhões. Mas aí o governo do RJ mudou de ideia.