Prisão de vice recoloca Fla nas páginas policiais e arranha gestão Bandeira
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Prisão de vice recoloca Fla nas páginas policiais e arranha gestão Bandeira

Fonte: Richard Souza
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A gestão da ex-presidente do Flamengo Patricia Amorim foi marcada por
escândalos policiais. O goleiro Bruno e o atacante Adriano foram
protagonistas dos episódios mais emblemáticos. A marca negativa virou
munição nas mãos dos membros da Chapa Azul na eleição
de 2012. Naquela época, o então candidato Eduardo Bandeira de Mello
pretendia “afastar o Flamengo das páginas policiais”. Não conseguiu. 

Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal e o Ministério Público
Federal cumpriram um mandado de prisão contra o vice-presidente do
clube, Flávio Godinho, no Rio de Janeiro. As informações são do G1. A
busca faz parte da Operação Eficiência, desdobramento
da Lava Jato. O dirigente é acusado de participar de ocultação e
lavagem de dinheiro das propinas que eram recolhidas das empreiteiras
que faziam obras públicas no Rio de Janeiro.
Calada num primeiro momento, a diretoria do Rubro-Negro monitora o caso.  Em nota oficial, disse que o departamento de futebol segue com seu
planejamento e atividades. Anunciou também que o presidente Eduardo
Bandeira de Mello passa a acumular a vice-presidência
da pasta. O mandatário classificou a situação como desagradável, mas negou danos ao Flamengo. 

– No Flamengo continua tudo absolutamente normal. É um assunto particular, o Flamengo tem princípios conhecidos de ética, transparência, de governança. Não acho que respingue no clube – afirmou Bandeira ao GloboEsporte.com. 

Apesar de tratar o tema como de “cunho pessoal”, a prisão de Godinho
atinge em cheio o departamento. Ele tem participação direta nas
negociações do Flamengo com reforços. Mais do que isso. Foi grande
financiador da campanha da reeleição de Bandeira de Mello
em 2015. Homem-forte do futebol desde janeiro de 2016,
quando assumiu a vice-presidência da pasta, Godinho fez parte do “time
de ouro” da Chapa Azul já na eleição de Bandeira. Ele foi um dos
pilares na campanha ao lado de outro executivo: Luiz
Eduardo Baptista, o Bap, vice de marketing na época. 
No evento de lançamento da candidatura da chapa, em 2012, teve o
currículo exibido com orgulho pelos companheiros de campanha. O perfil
destacava basicamente sua relação com o Grupo EBX, do empresário Eike
Batista. Godinho foi sócio-diretor do Grupo EBX, membro
do Conselho e atuou no Brasil e no exterior em empresas do Grupo. Eike
teve mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça também nesta
quinta-feira por suspeita de envolvimento em um esquema de pagamento de
propina ao governo Sérgio Cabral. Membro “001” da Chapa Azul
Vencida a eleição de 2012, o grupo que antes formava a Chapa Azul
definiu que Godinho seria o gestor do futebol e teria a palavra final no
departamento, acima do diretor-executivo, o que não se confirmou. Ele
assumiu como vice de relações externas. Ficou oito
meses na pasta e foi o responsável por estreitar a relação entre
Flamengo e o técnico Mano Menezes. Em agosto de 2013, o Flamengo
anunciou, através de seu site oficial, o desligamento do empresário.
Segundo o clube, em razão de compromissos no exterior. Flávio
Godinho, que proclama ser o membro “001” da Chapa Azul, explicou a
saída pouco tempo depois. Ele foi o primeiro graúdo a debandar da gestão
de Eduardo Bandeira de Mello. Justificou assim:

– Basicamente saí com uns seis meses de gestão. Foi um grupo formado
muito rápido, as pessoas têm a impressão que a Chapa Azul era formada
por velhos amigos, e na verdade foi um grupo de gente bem intencionada,
que você pode entregar um cheque em branco a qualquer
um, realmente nada do Flamengo, tudo pelo Flamengo. Como todo grupo que
se conhece pouco, na gestão do dia a dia começam a aparecer
divergências. Por exemplo, tinha gente lá, que fazia parte da liderança,
que achava que o Flamengo não devia investir em divisão
de base, deveria comprar jogador semipronto com 18 anos. Acho
absolutamente o contrário. Existia uma forma muito amadora de se
contratar jogador. O Flamengo evoluiu na questão do número de jogadores,
privilegiando mais a qualidade do que a quantidade. Até
para poder implementar esse choque de gestão, acho que um dos defeitos
da Chapa Azul foi uma certa intolerância ou arrogância. Perdeu uma
oportunidade no começo de gestão de unir o clube. Eu era contrário a
esse tipo de modelo, preferi me afastar. Achei que
estaria até contribuindo – disse ao GloboEsporte.com, em setembro de 2015. 
A explicação veio justamente nos meses finais do primeiro mandato de
Bandeira. Godinho retornava para ser vice de planejamento. E com mais
poderes, que lhe conferiam o direito de interferir em todos os setores
do clube, incluindo o futebol. Godinho passou a
participar efetivamente do planejamento do elenco para 2016.
Naturalmente tornou-se vice de futebol pouco tempo depois. Dois
episódios marcam sua passagem pelo clube. Foi Godinho quem conduziu as
negociações para contratar os meias Diego, em 2016, e Darío
Conca, em 2017.