Porque demorou tanto, Tiririca?
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Porque demorou tanto, Tiririca?

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

Sete anos de silêncio, uma decisão sobre não ser mais candidato a reeleição ano que vem e, enfim, um discurso no plenário da Câmara Federal como há tempos se esperava dele. Embora ninguém entre os 1.016.796 eleitores que votaram nele em 2014 e tampouco os 1.353.766 que assim o fizeram em 2010 esperava ver ali um gênio da oratória em debates técnicos com as grandes raposas da política nacional, não dá para negar que Tiririca passa pelo Congresso Nacional de uma maneira tímida e frustante. Ao que parece, o medo de cometer uma gafe lhe acompanhou durante quase todo esse tempo de dois longos mandatos e isso resultou em seu principal erro, até porque se tem alguém que pode cair e ainda assim sair por cima na cena é o palhaço.

Não se trata aqui sobre brincadeiras, palhaçadas ou falta de respeito com o lugar onde se fazem as leis do país, mas a inexistência de autoconfiança de um dos humoristas mais populares da história recente do Brasil durante todo esse tempo de um mandato tão representativo, no que tange ao tanto de votos que agregou, implica em uma nota muito baixa na avaliação da produção do deputado federal por São Paulo, em todos os sentidos. Tiririca teria moral para dizer a muitos colegas de parlamento o que a maioria ali dentro não pode o fazer. Ele mesmo ressaltou agora, no apagar das luzes, que o microfone é seu “amigo”, deixando claro que a questão era, de fato, a falta de culhão. Tiririca poderia ter sido a voz do povo anunciando ali de dentro, onde sempre estava, qualquer conchavo que se aproximava com amplitude a toda população.  Já que planejava ter vida curta na política, não teria porque se preocupar com retaliações dos chamados políticos de carreira.

Mas a análise mais verdadeira do fenômeno ocorrido é que um dos homens mais bem votados proporcionalmente do Brasil foi um grande covarde que só teve a coragem de se posicionar e dizer o que pensa pouco antes de fechar a porta, já saindo e correndo embora. Ele foi aquele que tinha condições de contribuir mais, visto que muitos ali são tão limitados quanto ele, mas são ativos e ousam enfrentar o alto clero. Quanto a marcar presença nas sessões e não roubar emenda, essas situações não fazem de Tiririca um bom político como ele pensa. Muito menos agora ele assim pode ser classificado por ter saído condenando toda classe política, dizendo-se envergonhado. Ele tem mesmo de estar, mas por sua própria conduta. O humorista tentou com seu discurso que muitos entenderam como renúncia, mas que na verdade foi só um anúncio feito com o parlamento vazio de que não vai a reeleição, talvez repetir o que fez capitão Nascimento no fim do segundo Tropa de Elite ao apontar o dedo para todos os lados e citar os maiores inimigos da nação.

A diferença básica foi que o personagem de Wagner Moura, antes disso, fez sua parte com determinação e executou sua missão. Tiririca falhou no tratado que fez com o povo, até porque um honesto frouxo e inerte também é âncora para um navio que precisa seguir. O seu legado é uma lição de que o tal “voto de protesto” pode ter o mesmo efeito que consegue aquele cidadão que não leva seu carro em determinado mecânico porque duvida de sua honestidade, mas fica na estrada durante a viagem porque o mecânico honesto que lhe recomendaram não sabia fazer o serviço direito.

 

Montreal