Por economia, Rio Claro, SP, decide fechar Fundação Ulysses Guimarães
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Por economia, Rio Claro, SP, decide fechar Fundação Ulysses Guimarães

Fonte: Do G1 São Carlos e Araraquara
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A decisão da Prefeitura de Rio Claro (SP) de fechar a Fundação Ulysses Guimarães, dedicada à memória de um dos principais políticos da história do país, divide a opinião dos moradores da cidade.

A administração alega que, com o fechamento, vai economizar mais de R$ 2,7 milhões nos próximos quatro anos e diz que o acervo será remanejado para outros setores, mas a dispersão dos objetos e da história que guardam gera preocupação. “Um país sem memória não tem futuro”, lembrou a historiadora Solange Zaparoli.

Acervo
Ulysses nasceu em 1916, em Itirapina (SP), na época pertencente a Rio Claro. Foi presidente da Câmara dos Deputados, lutou ativamente contra a ditadura e na campanha pelas eleições diretas. Em 1987, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela Constituição Federal, e, em 1992, morreu em um acidente de helicóptero em Angra dos Reis.
No espaço da fundação, existente há mais de 20 anos, estão objetos pessoais, como a mesa utilizada por ele em Brasília, diversas fotos e o primeiro exemplar da Constituição, em pergaminho. O local abriga também a biblioteca pessoal de Ulysses e mais de 20 mil livros da coleção do escritor João de Scantimburgo.

“Eles [os objetos] vão ser encaminhados para os setores de cultura do município. Nós temos a pasta da educação, o arquivo municipal, várias unidades de cultura serão utilizadas para acolher todo esse acervo”, disse o secretário de Administração, Jean Walter Scudeller.

Corte de gastos
Segundo a prefeitura, até o fim do ano passado, a fundação tinha seis diretores comissionados. Juntos, os salários deles representavam uma despesa de R$ 690 mil por ano e, com a troca de gestão, todos foram exonerados.

“Essa verba que é destinada para esses fins será redirecionada para outras pastas para que a demanda da população seja melhor atendida nas coisas básicas”, afirmou Scudeller.

A decisão, porém, dividiu a opinião dos moradores. “Daqui a uns anos ninguém vai lembrar da história de Rio Claro, eu acho que os mais novos que vêm vindo precisam disso”, defendeu a dona de casa Marcia Tomazela Proni.

“O custo de manter um lugar desses, pelo que a gente percebeu, é muito alto em relação a outras prioridades que o município, a educação necessitam”, opinou a pedagoga Valéria Cascone.  “Acho que deveria, sim, ter, mas com um custo menor”.

Parcerias
Para a historiadora, o apoio de setores da sociedade seria uma opção para manter o espaço aberto.
“A cidade é contemplada com faculdades, temos indústrias, tanto na cidade como no entorno, então ir atrás de parcerias para que se preserve o memorial”, disse Solange.

“Para que as futuras gerações possam ir até lá, pesquisem, conheçam e possam também interferir no futuro”, completou.