Polêmica com Carnaval em Rondonópolis expõe necessidade de mudanças


Polêmica com Carnaval em Rondonópolis expõe necessidade de mudanças

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Fonte: Da Redação
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Foto - A TribunaMT

O orçamento apertado de estados e municípios, combinado com a fiscalização intensa de Tribunal de Contas e outros órgãos, são situações atuais que cada vez mais impossibilitam que o uso do dinheiro ou da máquina pública para atividades que não sejam as fins da administração, como é o caso de saúde e educação, sejam praticadas. Em Rondonópolis, o carnaval 2017 é um bom exemplo do quanto isso pode dar errado. O Município decidiu executar, sem dinheiro, uma festa popular que seria garantida com a comercialização de espaços para visitantes e comerciantes, ingressos, publicidade e com outras rendas agregadas.

O que aconteceu, por fim, é que o tanto de dinheiro esperado não veio e os contratos que foram celebrados com a empresa terceirizada, que seria a responsável pela promoção do evento, acabou explodindo a relação custo-receita, sobrando inúmeros pagamentos a serem feitos sem que exista saldo para tanto. Isto porque, a concessionária que assumiu da prefeitura o direito de fazer o carnaval estabeleceu acordos de “relações de confiança” com artistas e outros prestadores de serviço, desde gente responsável por comida até segurança, para que todas as necessidades da realização fossem atendidas.

Passou quaresma, veio a páscoa e lá se foram março, abril, maio e já em junho a coisa estourou de vez. Quem trabalhou e prestou serviço garante que fez isso em confiança da participação de gente da Prefeitura no acordo, mas quem seria a responsável por realizar o pagamento, ou seja, a concessionária trazida para resolver o problema de pagamentos, não ficou com nenhum no bolso para isso e a inadimplência emergiu. Agora, não tem dinheiro, sobram acusações, um mar de descontentes e a Câmara Municipal de Vereadores de Rondonópolis está querendo entender que confusão foi essa.

Entre tantos organogramas, gráficos, contratos e pré-contratos que chegaram até o legislativo, os vereadores decidiram ouvir, neste início de semana, todos envolvidos. Os nomes ligados a prefeitura e a concessionária, prestadores de serviço que trabalharam no evento, secretários municipais e o vice-prefeito, Ubaldo Barros (PTB), que é apontado por muitos como o principal organizador inicial do evento, falaram por quase toda segunda (12) e terça-feira (13) aos vereadores.

Independente de quem são os vilões, os mocinhos e as vítimas dessa história toda, o mais importante a se ressaltar é que talvez está na hora de chegar num novo momento no país, onde não exista mais espaço para o Poder Público estar inserido em eventos com fins lucrativos, sobretudo estes com apelo popular tão acentuado. Se os chamados showmícios não são mais permitidos, em época de campanha eleitoral, freando abusos do poder econômico, que a mesma lógica seja trazida para a gestão pública, até porque, neste caso, o dinheiro em questão é do povo, que precisa dele em áreas muito mais essenciais.

Só para constar, neste mês de junho, o Festival Mato-Grossense de Quadrilhas recebeu quase R$ 500 mil de dinheiro público para sua execução.