Personagem de livro infantil prega paz nas torcidas de Atlético-MG e Cruzeiro
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Personagem de livro infantil prega paz nas torcidas de Atlético-MG e Cruzeiro

Fonte: Ricardo Welbert
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Dia de clássico Atlético-MG e Cruzeiro. Mineirão lotado. Festa
das duas torcidas. Sem brigas. Rivalidade saudável. Parece a descrição do
primeiro jogo entre os dois rivais mineiros em 2017, pela Primeira Liga, um
respiro para quem apoia o Mineirão dividido em dia de clássico. Mas é o sonho
de Amarildo, personagem do livro infantil que prega a paz entre os dois maiores
rivais de Minas Gerais. “Amarildo: o mais atletizeiro dos
cruzeiranos” pretende mostrar que a rivalidade, seja entre quaisquer times do
país, é saudável e tem limites.

A mente por trás da história é a do professor e músico
Eduardo Maia, de Divinópolis. Amante das letras, encontrou nos alunos
adolescentes a inspiração para criar Amarildo. O autor contou que por muito
tempo viu estudantes discutirem – e muitas vezes quase brigarem fisicamente – em defesa
do time do coração.

– Eu sentia que faltava uma história que levasse essa
meninada a refletir sobre os limites do fanatismo no esporte. Eles precisavam
se espelhar em um personagem que os fizesse entender que a rivalidade entre
times e suas torcidas é saudável, desde que não exceda os limites do bom senso,
da ética e não ameace os direitos dos outros – explicou.

Na história, Amarildo é filho do botafoguense Oscar, e é
batizado como Amarildo, um dos maiores ídolos do clube. O personagem é uma
mistura do Amarildo, substituto de Pelé na Copa do Mundo de 1962, com as crianças
que jogam bola nos campinhos de bairro. Nasceu no Rio de Janeiro, mas quando
ainda era um bebê viajou com os pais para Belo Horizonte, para o pai trabalhar em
uma mineradora. Cresceu perto da favela do Pindura Saia, onde jogava futebol.

Na capital mineira virou torcedor do Atlético-MG… e do
Cruzeiro. Não ligava para críticas e não levava a sério a rivalidade entre as
torcidas. Até que uma briga entre atleticanos e cruzeirenses o inspirou a se tornar, de vez, um porta-voz da antissegregação.

Ele tinha camisa dos dois times de Belo Horizonte. Às
vezes, vestia a camisa alvinegra do Galo. Em outras ocasiões, o azul celeste
era a escolha. Ganhou fama de “vira-folha”. Aos 16 anos, Cabeça, o melhor
amigo e parceiro no ataque do Pindura Saia Futebol Clube morreu em briga entre
torcedores de Galo e Cruzeiro na saída do Mineirão.

Foi quando teve a ideia de vestir a camisa dos dois
clubes. Literalmente. Pediu à mãe que cortasse as camisas do Atlético-MG e Cruzeiro
ao meio e costurasse uma na outra. Nas costas, os nomes dos ídolos Tostão (do
Cruzeiro) e Reinaldo (do Atlético-MG), formavam duas palavras de um poema
dadaísta: Tosnaldo e Reitão.

Os traços de Amarildo saíram das mãos do artista plástico
Gutto Paixão. Formado pela Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e na
Escola Guinard, trabalha como designer gráfico e ilustrador. Ele conta que a
experiência de ilustrar um livro que prega a tolerância foi uma tarefa
emocionante.

– Quando a gente pega uma história que já traz uma carga
de emoção, o trabalho tende a ser mais verdadeiro. É uma oportunidade de mexer
com a imaginação. A ilustração, mesmo trazendo as imagens para as palavras, não
encerra o livro. Sempre deixa um espaço para que o leitor complete a história.
Ele sempre vai poder dar um passo a mais e imaginar uma coisa que não está
desenhada ali – acrescentou.

 

Neste sábado, Atlético-MG e Cruzeiro
voltam a se enfrentar no Mineirão, às 16h, pelo Campeonato Mineiro. O autor do livro espera que, não só em clássicos de Minas, mas em todo e qualquer jogo, que os
rivais sejam inspirados por Amarildo.

– Eu
gostaria que o meu personagem inspirasse não apenas torcedores de Atlético-MG e
Cruzeiro, mas de qualquer outro time, pois diante de uma rivalidade em campo,
exageros podem acontecer de qualquer lado, independente do nome do clube.
Espero que as pessoas aprendam, antes de tudo, a respeitar o outro. Todos têm
direitos iguais de torcer. Mas esse direito termina quando você interfere no
direito do outro por meio da violência – concluiu Eduardo Maia.