Percival, Ana Carla e a “Farra da Merenda”


Percival, Ana Carla e a “Farra da Merenda”

1
Fonte: Da Redação
COMPARTILHE
Foto - Arquivo Pessoal

O que você acha de uma Prefeitura que compra uma quantidade de leite suficiente para abastecer todas as creches municipais, as chamadas Unidades Municipais de Educação Infantil – Umeis e Escolas Municipais de Educação Infantil – Emeis, e consegue, por meio de licitação, um contrato onde o litro de leite mais barato, o popular “saquinho”, saísse por mais de R$ 7? Quem vai na padaria e no mercado rotineiramente, facilmente detecta que nem que fosse de cabra e tivesse de vir do Xingú todo dia faria sentido o valor envolvido.

Pois foi exatamente esse tipo de contrato que o ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz (PPS), e sua mulher, Ana Carla Muniz, sua então secretária de Educação, fecharam para atender o setor enquanto tiveram em suas mãos (2013 até 2016) a condição de dar os rumos políticos e de investimentos na cidade. O Pregão Presencial nº 28/2016, contendo 32 lotes para abastecer as cozinhas das creches, virou, recentemente, inquérito nas mãos do Ministério Público Estadual – MPE que detectou diversas irregularidades e indícios de sobrepreço.

O promotor Wagner Antonio Camillo, da 2ª Promotoria de Justiça Cível de Rondonópolis e que está responsável pelo caso, investiga exatos R$ 9,5 milhões aplicados pelo Município em contratos que envolveram sete empresas. Segundo as considerações de Camillo, está claro que a gestão decidiu efetivar propostas menos vantajosas ao Erário Público. O trabalho do MPE deve agora aprofundar no sentido de saber se todo esse superfaturamento tem explicação apenas no talento de fazer bons negócios das empresas que participaram da licitação, ou se, de repente, a “farra das merendas” identificada na gestão de Geraldo Akcmin  (PSDB), em São Paulo, teve sua versão mato-grossense.

Não dá para desconsiderar também o fato de que a secretária Ana Carla não seja lá alguém muito adepta a ir ao mercado como a maioria das donas de casa, até porque, muito provavelmente, deve deixar isso a cargo de seus funcionários. Essa seria uma boa explicação para ela e nem o marido terem detectado as discrepâncias. Só quem tem familiaridade com as gôndolas sabe que, por mais branquinho que seja, o litro do leite não ainda equiparou-se ao da Heineken.

A título de comparação, o atual prefeito da mesma Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (SD), executou ordem de compra parecida e o litro do leite de saquinho foi fechado na casa dos R$ 3, menos da metade. A não ser que uma alta do leite não conhecida for encontrada, o MPE deve propor, ao fim do inquérito, ação civil pública de improbidade administrativa contra Percival. O assunto tem gravidade suficiente para, em um futuro próximo e em caso de condenação, causar, inclusive, a ilegibilidade do líder do PPS.