Oscar defende esposa, cobra que Nadaf fale sobre TCE e levanta discussão...


Oscar defende esposa, cobra que Nadaf fale sobre TCE e levanta discussão sobre delação

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Fonte: Da Redação
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Foto - Marcos Lopes/ALMT

Após o ex-secretário chefe da Casa Civil de Silval Barbosa, Pedro Nadaf, dizer à Justiça que, em 2014, deu cerca de R$ 700 mil a então deputada estadual, Luciane Bezerra (PSB), em dinheiro desviado dos cofres de Mato Grosso para quitar uma dívida do então gestor com a parlamentar, o esposo dela, atual deputado estadual, Oscar Bezerra (PSB), desqualificou Nadaf e cobrou coragem do delator, na Operação Sodoma 4, em falar detalhadamente da propina ao Tribunal de Contas do Estado – TCE. Segundo outras informações já colhidas em investigações, uma mesada milionária foi repassada por Silval aos conselheiros estaduais para ter suas contas aprovadas durante seu mandato.

“O cara está querendo desviar o foco. É réu confesso, malandro. Com certeza está a serviço de alguém, tem alguém por trás disso. Por que ele não falou dos conselheiros do Tribunal de Contas? (…) Ele (Nadaf) vai ter grande dificuldade de comprovar o que está dizendo (…) Ela (Luciene) nunca foi chamada. Já se colocou à disposição da justiça, não tem nada para esconder. Na hora que quiserem esclarecer, é só chamar”, esbravejou Bezerra, que ainda sinalizou a existência de alguém por trás de Nadaf usando-o para desviar focos maiores, envolvendo aliados.

A questão, acaba por trazer uma discussão sobre o instrumento da delação premiada, que ficou muito popular no Brasil após os tantos casos de corrupção. As falas, exploradas não só em juízo, mas amplamente na imprensa, tem cada dia mais se mostrado com credibilidade duvidosa e sem o peso que surge em primeiro momento. Ao notar todo esforço feito, por exemplo, por Joesley Batista, da JBS Friboi, para culpar o atual presidente, Michel Temer (PMDB), e o senador Aécio Neves (PSDB), omitindo em paralelo todo o esquema lesivo à nação que executou junto aos governos petistas, com Lula e Dilma, saqueando o BNDES e tornando-se um dos maiores empresários do mundo, é claramente implantar um sistema de justiça seletiva.

O prêmio de impunidade dado a Joesley, após tantas ilegalidades contra toda coletividade antes, durante e após todo o processo – neste último momento quando especulou e vendeu dólar, prejudicou o mercado e faturou mais alguns milhões – acabou por deixar ainda mais duvidoso todo o trabalho que está sendo feito. Joesley claramente recebeu uma encomenda para entregar algumas cabeças e negociou, com maestria, junto a justiça a entrega só de quem queria e deu um nó em todo mundo. A pergunta é: que justiça é essa que negocia com bandidos? Quem garante que Nadaf agora também não esteja sendo usado para fritar adversários e proteger aliados?

Fala de delator não pode e nem deve ser entendida com tanta força como está por toda sociedade. Quem fala, assim como lembrou Oscar Bezerra, é gente desqualificada e precisa apresentar provas do que acusa. Nadaf assumiu ilegalidades e concordou em devolver r$ 17,5 milhões aos cofres públicos. É provável pensar que ele tenha informações privilegiadas, mas também é razoável imaginar que quem teve coragem de roubar também tem de mentir. Agora, vindo com provas, ótimo, caso contrário não merece a publicação e a atenção que vem tendo no Brasil.