O curioso fetiche bovino de Percival

O curioso fetiche bovino de Percival

SHARE
Foto - Arquivo Pessoal

Deputado constituinte por Mato Grosso, sendo ajudante ativo do processo de reconquista plena e democrática do povo brasileiro a voltar a ter seus plenos direitos garantidos pelas leis que regem o país, Percival Muniz (agora PDT) certamente tem também no ponto alto de sua carreira política o período de 1998 a 2004, onde após assumir em momento conturbado a Prefeitura de Rondonópolis – após o titular da cadeira ser deposto – conseguiu reorganizar administrativamente a cidade, fato que o levou a reeleição dois anos depois. Homem de fala fácil, acessível e com sensibilidade no trato com as pessoas, acabou por deixar saudades no rondonopolitano, que viria a trazê-lo novamente ao comando da cidade oito anos depois.

Após quatro anos de um terceiro mandato apenas razoável, do ponto de vista administrativo, e de inúmeras críticas quanto ao tratamento recebido pela população junto a seu gestor e sobretudo com o secretariado por ele destinado a este papel, a pergunta que pairava sobre a cabeça de todos era: onde foi parar aquele Percival de anos atrás? E a resposta para esse questionamento pode ter vindo recentemente com apontamentos do Ministério Público Estadual – MPE sobre o veterano, que indicou que ele pode ter decidido receber de maneira muito original, diferentemente do método tradicional utilizado por alguns políticos (dinheiro na meia, cueca, dentro do sapato ou na caixa de papelão), uma propina em forma de bois. Percival, segundo aponta o MPE, conseguiu de uma empresa que teria ajudado a ter facilidades no Governo do Estado, ainda enquanto deputado estadual (2009), 1.700 nelores de “presente”.

O mais curioso, porém, vem no seguimento da história. Assim que voltou ao comando do Executivo Municipal da cidade mais importante do interior de Mato Grosso, em janeiro de 2013, Percival marcou seu terceiro e histórico mandato na cidade tendo como uma das obras mais emblemáticas um monumento em uma das principais praças da cidade e que traz como principal função o culto exatamente a bois. Na época, o NMT chegou a questionar o valor gasto na obra, exatos R$ 225 mil. Como a construção é um carro de boi e apenas quatro “animais”, uma conta ligeira trouxe a proximidade de R$ 50 mil por bovino de cimento, o que gerou estranheza em época de “vacas magras”, com o perdão do trocadilho. O mais curioso foi uma imagem postada pelo prefeito, onde acariciava o chifre de um dos bovinos concretados justamente com o carinho que o povo sentia que estava faltando em sua administração.

A conclusão que se chega com toda essa história é que, talvez, a decisão de se enveredar pelo ramo da pecuária nos últimos anos acabou produzindo uma mudança de comportamento político e pessoal de Percival. Ele deixou de ser o político popular que era e passou a ver o eleitorado provavelmente assim como vê seus bois: contando cabeças, invés de notar seus corações. Quem estava perto do ex-prefeito em seu último mandato afirmava ser notável perceber seu entusiasmo sobre seus negócios rurais, exemplificado pelas tantas “fugidas” que dava para o Xingú. O nome que  deu a suas fazendas também é simbólico. Quando está no campo é na “Felicidade” que Percival é encontrado. A dúvida agora é saber se tudo não vai acabar numa grande “tristeza” com o seguimento do processo.

NENHUM COMENTÁRIO

DEIXE SEU COMENTÁRIO