O cabo da enxada
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O cabo da enxada

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george ribeiro - 22-01-16

O chão, que denuncia a interferência humana,
Reconhece a mão que o entrega a boa semente,
Expressa sua reação ao ser humano consciente
E repara a obra calamitosa da ação vil e insana.
É esperado o retorno certo: ou sadio ou doente…

Seguem as mãos calejadas arando a nossa terra.
Iluminadas pelo sol acima, não reclamam do calor.
Fertilizam o solo quente com cada gota de suor…
Aquele que trabalha com esperança jamais erra.
Determina a sua sorte a força honesta do labor.

Tudo leva a crer que a natureza, além de bela,
Devolve por inteiro o bem que faz o agricultor
Que a respeita, que a contempla por seu valor
E sabe que a sua existência só se dá com a dela…
Impossível é sustentar-se sem esse ato de amor.

Mesmo cansadas da ingratidão desse mundo afora,
Suportam em silêncio duas entidades consolidadas:
Humanidade e Natureza (às vezes, parecem separadas).
O cabo da enxada nunca descansa ou escolhe a hora
E espera muitas mãos para dividir tais empreitadas…

(*) George Ribeiro é poeta e morador em Rondonópolis

Montreal