Não deixem nossos museus virarem cinza
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Não deixem nossos museus virarem cinza

Fonte: Assessoria.
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Foto: Arquivo Pessoal

No último domingo (02/09), uma grande tragédia abalou a sociedade brasileira, o
Museu Nacional, principal instituição museológica do Brasil ardeu em chamas queimando uma
das principais coleções do mundo. Precisamos refletir sobre essa tragédia.
O museu foi vítima da falta de investimentos governamentais em cultura, ciência e
tecnologia. Essa não é a primeira tragédia do gênero, o Museu da Língua Portuguesa, o
Instituto Butantã e outras importantes instituições também perderam acervos relevante em
eventos similares.
No museu nacional estavam importantes coleções de história natural, como por
exemplo o crânio mais antigo das Américas. No local também estavam fósseis do famoso
dinossauro Chapadense, o Pycnonemosaurus Nevesi, e mais de 20 milhões de peças. O
patrimônio destruído pelas chamas resistiu milhões de anos na natureza, mas não resistiu a
negligência governamental e aos cortes de verbas.
Essa tragédia serve como um aviso de outras que ainda podem ocorrer caso a
realidade não mude. Vou aqui falar um pouco do cenário atual das instituições museológicas
de Mato Grosso. A grande maioria delas está passando por um total abandono devido à falta
de repasses do Governo do Estado. A situação é crítica e coloca em risco às coleções existentes
nas instituições, assim como, os casarões históricos que abrigam esses importantes
patrimônios culturais.
Não serei injusto em dizer que o abandono das instituições museológica é apenas
culpa do Governo do Estado, os deputados estaduais, federais e os senadores parecem
desconhecer essas instituições de cultura, ciência e pesquisa. Durante os últimos anos nenhum
centavo se quer foi destinado para os museus mato-grossenses, por outro lado, tanto o
governo do estado como os parlamentares destinaram muitos milhões para outros tipos de
eventos culturais.
Esse cenário é uma vergonha e merece sim ser denunciado. Será que nossa história
não merece respeito? Devemos tomar uma atitude, ou vamos esperar mais tragédias
acontecerem? Investimentos em cultura são fundamentais para que às futuras gerações
conheçam seu passado e entendam seu presente.

Caiubi Kuhn
Geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT);
E-mail: caiubigeologia@hotmail.com