Nadaf aponta mentira e acusa Zílio de sumir com 539 cabeças de...
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Nadaf aponta mentira e acusa Zílio de sumir com 539 cabeças de gado em MT

Os dois compraram animais com dinheiro oriundo de propinas de empresas

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Foto:Assessoria.

O ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, apresentou um requerimento na Justiça alegando que detinha em uma fazenda administrada pelo ex-secretário de Administração, César Zilio, a quantia de 1.253 cabeças e gado e não 714 conforme dito em delação premiada. Ou seja, 539 animais teriam “desaparecido” na propriedade rural.

O requerimento foi negado pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, pois não foi anexado aos autos qualquer documento comprobaório. Por isso, a magistrada homologou a transação que arrecadou aproximadamente R$ 580 mil e autorizou a liberação do gado ao comprador.

As 714 cabeças de gado de Pedro Nadaf avaliados em pouco mais de R$ 1 milhão, já foram leiloados pela Justiça para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. Um pecuarista de Pontes e Lacerda arrematou os bovinos.

Segundo a delação de César Zílio, as cabeças de gado foram adquiridas com dinheiro oriundo de propina no esquema de cobrança indevida de vantagem para concessão de incentivos fiscais a empresas privadas que veio à tona com a “Operação Sodoma”, da Polícia Civil. O sequestro do rebanho foi determinado pela juíza Selma Rosane dos Santos, da 7ª Vara Criminal, que será responsável pela destinação do dinheiro arrecadado no leilão.

De acordo com os autos, o rebanho ficava em um pasto em uma fazenda na cidade de Rosário Oeste, de propriedade da família de Zilio. O ex-secretário de Administração foi preso na 2ª fase da “Sodoma”.

Ele firmou acordo de colaboração e revelou, em depoimento, como ocorreu a transação com Pedro Nadaf. Zílio contou em determinado momento após ter assumido a secretaria de Estado de Administração e ter se tornado colega de Nadaf no Governo do Estado, este o procurou e indagou se tinha uma quantidade de gado para vendê-lo e uma área para que os animais ficassem.

Em seguida iniciaram o vínculo comercial. “Pedro Nadaf pagou tanto o gado como as despesas com dinheiro e cheques de terceiros oriundos de propina que ele, Pedro Jamil Nadaf recebia, ou seja, lavando o seu dinheiro obtido de forma ilícita. Pedro Nadaf chegou a adquirir 1.200 cabeças de gado do interrogando que hoje perfaz o montando aproximado de R$ 1,5 milhão”, destacou no depoimento.

Zílio informou em depoimento que das 1,253 mil cabeças de gado, cerca de 500 foram vendidas após autorização de Nadaf, para pagamento de despesas como sal mineral, medicamentos, aluguel de pastagem, mão de obra, reparos na cerca e manutenção de curral. Sendo assim restaram cerca de 700 cabeças. Nadaf segue preso desde setembro do ano passado e Zílio está em liberdade.

 

ÍNTEGRA DA DECISÃO

I – Após análise dos autos, entendo que o requerimento formulado pela defesa de PEDRO JAMIL NADAF não merece acolhimento. Isso porque, ao alegar que nos seus controles, no mês de agosto/2015, teria junto ao Colaborador Cézar Roberto Zílio a quantidade de 1.253 (um mil, duzentos e cinquenta e três) cabeças de gado, não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório.

Até porque, conforme se vê às fls. 36/38, o Requerente admite ter adquirido apenas 100 (cem) cabeças de gado. Ademais, quando intimado da avaliação dos semoventes, manifestou somente impugnando a avaliação do “bovino macho de idade de 5 a 12 meses”, nada falando no tocante à quantidade de seu rebanho.

Assim, sem mais delongas, INDEFIRO os itens “a” e “b” do requerimento de fls. 85/86. 

Em relação ao constante no item “c”, registro que na decisão que determinou o sequestro dos semoventes, consta que o valor obtido com o leilão será utilizado para o ressarcimento ao erário, em caso de condenação.

Intime-se.

II – Em relação ao Ofício nº 1495/2016, oriundo do Instituto de Defesa Agropecuária (INDEA/MT), no qual solicita informações de como proceder no tocante à autorização para saída dos semoventes leiloados da propriedade em que se encontram, bem como para a emissão e pagamento das taxas respectivas, compulsando os autos, verifico que na ordem de entrega dos bens consta que os arrematantes ficaram autorizados a emitir a Guia de Transporte Animal – GTA, junto ao INDEA, bem como o transporte do gado conforme a GTA (fls. 186/190).

Assim, a emissão da GTA e demais taxas respectivas, se não puder ser dispensada, deverá ser custeada pelos arrematantes dos semoventes leiloados.

Comunique-se.

III – Dê-se ciência às partes da realização do leilão e arrematação dos semoventes leiloados (fls. 117/190).

Cumpra-se. 

Cuiabá – MT, 22 de agosto de 2016.

SELMA ROSANE SANTOS ARRUDA

JUÍZA DE DIREITO

Fonte:FolhaMax.

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