Mendes põe pimenta na crise para preparar taxação do Agro
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Mendes põe pimenta na crise para preparar taxação do Agro

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - Suellen Pessetto/ O Livre

Que a situação financeira do estado de Mato Grosso está caótica todo mundo sabe e faz tempo, mas as declarações diárias do estratégico governador, Mauro Mendes (DEM), com apenas onze dias no mandato, são objetivas para algum plano maior. Homem de negócio como é, o novo gestor sabe que a constância de negativismo, neste momento, pode aumentar ainda mais a crise, fazendo investidores que estão no estado pensarem em ir embora e os que pensam em vir abandonar seus planos. Segundo comenta-se nos bastidores, todavia, a ideia seria de criar o cenário político perfeito para a aprovação no legislativo da taxação do Agro, trazendo servidores e o povo nesta pressão.

Em entrevista à Rádio Vila Real FM, neste início de fim de semana, Mendes chegou a anunciar que pode estar por vir uma das medidas mais drásticas que um gestor pode fazer em relação a um momento de crise. “Eu comecei a analisar a possibilidade de decretar estado de calamidade pública nas finanças de Mato Grosso. Isso, na prática, quer dizer que o Estado está na beira da insolvência. Temos que entender isso, os deputados e servidores precisam entender isso. Estou estudando decretar estado de calamidade porque é uma gravíssima realidade”, falou, aumentando em doses consideráveis as tensões do momento.

Do ponto de vista prático, segundo alguns analistas do setor, a polêmica ideia de taxar os produtores rurais poderia simplesmente inviabilizar os médios e pequenos donos de terra, mesmo porque estes já possuem uma produção mais voltada ao mercado interno e por isso já são acometidos de outros custos. Os grandes empresários, embora também terão seus lucros reduzidos, até acabarão aguentando o aperto do cinto, mas mesmo assim se movimentam contra a medida que é trabalhada por interlocutores do novo governo e políticos de esquerda. Por outro lado, a proposta encontra resistência dentro do próprio núcleo de comando de Mato Grosso na figura do vice-governador, Otaviano Pivetta (PDT).

Sob a ótica dos interesses de encher o caixa do Poder Público estadual, Mauro Mendes pode entrar para a história como o cara que “resolveu” o problema, caso tenha sucesso na investida. O grande problema é saber o resultado prático disso a longo prazo quando se visualiza até uma possível migração de empresas, ligadas direta e indiretamente ao Agro, por um eventual aumento da inadimplência dos produtores e natural queda de rendimento em terras mato-grossenses. Outros centros como Luis Eduardo Magalhães, na Bahia, poderiam em pouco tempo levar pra si milhares empregos, diminuindo a realidade invejável que muitas cidades do estado hoje possuem.

O quanto a possível nova realidade pode provocar em valorização do preço das terras em estados vizinhos pela consequente desvalorização da mato-grossense é uma projeção incerta, nebulosa e preocupantes para os interesses mato-grossenses. Achatados, os médios e pequenos produtores não terão mais nada a fazer a não ser vender seus patrimônios aos grandes que os cercam, o que no fim pode dar ainda mais posses a quem já tem muitas no estado e fazer cinco ou seis famílias serem praticamente “donas” de Mato Grosso, o que não parece nada evolutivo.