Matagal, lixo e invasões: a triste rotina dos esquecidos Célio de Barros...
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Matagal, lixo e invasões: a triste rotina dos esquecidos Célio de Barros e Júlio Delamare

Fonte: Globo Esporte
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Júlio Delamare em aparente estado de abandono (Foto: Flávio Dilascio)

Matagal, lixo acumulado, entulho e até relatos de invasões. Quem passa pelo entorno do Complexo do Maracanã se depara com dois templos do esporte brasileiro em aparente estado de deterioração. Referências no atletismo e na natação até um passado recente, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare estão fechados desde 2013. Pior, ambos não têm previsão para serem reformados, muito menos para reabrirem as portas. O Célio de Barros é administrado pela Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro), autarquia vinculada à Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (Seelje) do Rio. Já o Júlio Delamare é alvo de conflito entre a Suderj e o Comitê Rio 2016, que já foi dissolvido.

– Seria um sonho poder, em algum momento, utilizar um parque aquático como o Júlio Delamare. Eu tenho muito carinho pelo local, pois participei da inauguração em 1979, também bati meu primeiro recorde sul-americano lá, aos 14 anos. Entendo que, hoje, ele pode ser utilizado tanto em alto rendimento, quanto em iniciação esportiva e aulas para idosos. O Júlio Delamare sempre esteve lá para isso. É um parque completo. Infelizmente existem questões que nos impedem de utilizá-lo, mas esperamos que essa situação mude – afirmou o gerente geral de esportes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Ricardo Prado.

Os problemas nas duas praças esportivas são visíveis. Nas proximidades das grades que cercam os dois complexos esportivos, há uma quantidade razoável de lixo acumulado, aparentemente vindo da rua. A parte do Célio de Barros voltada para a Avenida Professor Manoel de Abreu foi tomada por um grande matagal. Próximo à “entrada B” do Maracanã, há entulhos e pedaços de reboco da arquibancada. O esqueleto do estádio também virou abrigo de animais de rua. Diaramente, moradores da região deixam água e comida para as dezenas de gatos e cachorros que vivem no local.

Soterrado durante a reforma do Maracanã para Copa do Mundo de 2014, o Célio de Barros tinha a previsão de reabrir em 2017, segundo promessa feita pelo antigo secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Rio, Marco Antônio Cabral. Logo após o fechamento, o antigo estádio foi utilizado como almoxarifado das obras do Maracanã. A partir do fim da Copa do Mundo, uma parte descampada do Célio de Barros – hoje concretada – passou a ser usada como palco de eventos, festas particulares e até estacionamento para os jogos de futebol. Competição de atletismo mesmo, o estádio não recebe desde janeiro de 2013.

Júlio Delamare em aparente estado de abandono (Foto: Flávio Dilascio)

– Vejo com muita tristeza essa situação toda – resumiu Carlos Alberto Lancetta, que presidia a Federação de Atletismo do Estado do Rio no momento do fechamento do Célio de Barros. – Ali está a história do atletismo brasileiro. Foi no Célio de Barros que, em 1981, o Joaquim Cruz bateu o único recorde mundial conquistado em solo brasileiro. Lá competiram e treinaram todos os ícones do nosso esporte, como a Maureen (Maggi), o Nélson Prudêncio… Lutei bastante pelo não fechamento do estádio. Pelo menos a luta não foi em vão, pois desistiram de demolir o Célio de Barros para transformar em anexo do Maracanã. Hoje, há uma liminar que determina a reconstrução, mas, com o estado falido, vai ser complicado vermos que isso aconteça tão cedo – completou.

Fundado em 25 de outubro de 1974, o Célio de Barros ocupa uma área total de 18.714m² dentro do Complexo do Maracanã. Antes de ser fechado, o estádio possuía 15.501m² de área construída, 756m² para estacionamento e 457m² de jardins. A capacidade era de 9.143 pessoas. Pelo local, passaram lendas do atletismo como Sergei Bubka e Michael Johnson, que competiram no Célio de Barros no fim dos anos 90. Palco do Meeting Internacional entre 1996 e 2001, o estádio recebeu outras competições importantes como o Troféu Adhemar Ferreira da Silva e o Troféu Brasil de Atletismo.