Maré de azar de Fulô…
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Maré de azar de Fulô…

Fonte: Da Redação
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Ex-vereador foi autor do decreto que concedeu título de "cidadão Rondonopolitano" a ex-conselheiro do TCE afastado do cargo pelo STF. Sem Joaquim, o mesmo TCE agora enquadra Fulô. Foto - Assessoria

O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Rondonópolis, Lourivaldo Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB), de fato não vem tendo um 2017 dos mais agradáveis. O veterano, que foi membro do legislativo municipal por exatos 24 anos e acabou sendo derrotado nas urnas, em 2016, mesmo com mais de 1.300 votos, tem visto de fora do protagonismo político, embora tenha conseguido cargo de destaque na Câmara de Vereadores, apenas notícias nada animadoras a si rechearem o noticiário, nos últimos tempos.

Dentre as nuvens na cabeça do ex-vereador folclórico nada talvez seja comparável ao imbróglio que está metido no Tribunal de Contas do Estado – TCE, onde é apontado como suposto responsável por uma fraude em licitação, da época que ocupava a cadeira de presidente da Câmara Municipal, posto que esteve até o fim do ano passado. Os números envolvem um pagamento de cerca de R$ 900 mil a uma prestadora de serviços, enquanto que  o valor envolvido deveria ter sido apenas pouco mais de R$ 100 mil, segundo o conselheiro Isaías Lopes, da “nova” corte de contas.

Ocorre que analisando o passado recente é bem conveniente dizer há um fato a se lamentar ou mesmo se classificar como “azar” na vida de Fulô. O ex-presidente do TCE, Antônio Joaquim, alguém que se tornou bem próximo do PMDB, foi afastado junto a mais quatro conselheiros da corte de contas, recentemente, e com eles também foi por água abaixo todo um método de trabalho que já havia sido assimilado por muitos gestores públicos do estado. O Supremo Tribunal Federal – STF acabou dando, com a decisão, uma nova e inesperada cara ao Tribunal Estadual responsável por analisar as contas de gestores públicos, o que atrapalhou quem estava acostumado e trabalhou dentro de um outro norte de exigência.

Fulô chegou a visitar por várias vezes o TCE e receber dos conselheiros afastados todas orientações sobre como proceder seu trabalho como ordenador de despesas. Em visita a Waldir Teis, outro afastado, no início de 2015, Fulô chegou a declarar: “O TCE é um parceiro do Poder Público e não um adversário. Creio que não há de se ter vaidade. Se o gestor se abrir a um diálogo constante com o tribunal vai recolher as informações necessárias para desenvolver um bom trabalho”.

Antônio Joaquim chegou a se encontrar com Fulô em suas várias visitas a Rondonópolis, até porque o primeiro ensaiava uma candidatura ao Governo do Estado pelo mesmo PMDB do ex-presidente da Câmara, ano que vem. A admiração cresceu tanto que Fulô chegou a propor e ver aprovado um decreto legislativo de sua autoria para conceder o título de “cidadão rondonopolitano” a Joaquim, pelos “serviços prestados à Administração Pública e à cidade”.

Agora, mesmo afastado, Joaquim encaminhou ida ao PTB e tem cravado, até em tom de desafio à Justiça, que será candidato. Enquanto isso, o amigo de Rondonópolis, que tem um “pepino” para resolver, terá que achar um jeito de dizer para os novos componentes da corte que foi uma “vítima de más orientações”, ou algo tão absurdo quanto, para justificar o pagamento que autorizou.

Há exatamente um ano, quando já sabia que não havia sido reeleito, Fulô fez um discurso emblemático na Câmara em tom de apelo emocionado para que os vereadores da nova legislação, ou seja, a atual, agissem para que não fosse permitido que nenhum vereador “novato” assumisse a presidência da Casa de Leis, sob pena de ver o nome da instituição NA LAMA, segundo o vereador. Que ironia…