Manobra de Zaeli para criar cargos custará mais de meio milhão/ano a...
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Manobra de Zaeli para criar cargos custará mais de meio milhão/ano a Rondonópolis

Fonte: Da Redação
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Foto: Assessoria.

O atual presidente da Câmara de Rondonópolis, Rodrigo da Zaeli (PSDB), que tem criado um discurso de austeridade no tratamento com os gastos públicos em sua gestão, na verdade tem sido traído pelos números na tentativa de encorpar uma candidatura ilustrada pela seriedade a deputado estadual, visando as eleições de outubro. Isto porque, deliberações realizadas pelo chefe das contas do legislativo, de janeiro de 2017 para cá, aumentaram consideravelmente os custos para o mantimento da máquina e, como já demonstrou o NMT, o aumento no número de assessores parlamentares e os valores envolvidos para mantê-los são os principais motivos.

Ao todo, só com essa faixa citada de servidores comissionados (cargos de confiança), indicados pelos 21 vereadores para compor seus gabinetes, o presidente legislativo modificou a estrutura que era, por exemplo, de 122 assessores, em novembro de 2016, para um total de 144, em janeiro de 2018. Além disso, o gestor executou a manobra de excluir o cargo de ‘assessor administrativo de gabinete’ com fins de criar um cenário de contingenciamento. A verdade, porém, é que Rodrigo transformou todo o montante no cargo único de ‘assessor parlamentar’, fazendo com que cada um destes visse seu salário subir cerca de 10%.

Em análise feita pelo NMT, utilizando-se de dados coletados no Portal da Transparência da Câmara de Rondonópolis, se hoje os gabinetes ainda funcionassem com a estrutura de 2016, ou seja, em momento anterior a entrada de Zaeli, a realidade administrativa de 122 assessores resultaria num custo mensal aos cofres públicos de R$ 219.696,38, valendo-se do salário atual do cargo de assessor parlamentar que é de R$ 1800,79. Mas como havia, em 2016, 45 deste total que eram assessores administrativos e que ganhavam por volta de 140,00 a menos que o assessor parlamentar, o custo atual ainda seria reduzido para cerca de R$ 213 mil a cada mês.

A realidade atual, no entanto, com a transformação de assessores administrativos em assessores parlamentares, bem como a autorização do crescimento do número de comissionados por gabinete, mostra um custo mensal de R$ R$ 259.313,76 para manter os 144. A análise, baseada unicamente na evolução dos cargos comissionados e transformação de outros nos gabinetes, confirma que o atual presidente da Câmara autorizou que mais de R$ 46 mil fossem agregados ao custo para se manter os chamados cargos de indicação direta de cada um dos 21 vereadores. Se levarmos a situação a um balanço anual, o acréscimo ultrapassa os R$ 550 mil, sem contar o décimo terceiro e outros custos.

A legislação que Zaeli se embasou para possibilitar que cada vereador pudesse passar da média de seis cargos para oito por gabinete, além de poder realizar a manobra de unificar os cargos, não foi aprovada na atual legislatura. O texto é da Lei 7000, de 15 de dezembro de 2011, mas o interessante a se detalhar é que o gestor anterior da Câmara, Lourisvaldo Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB), que deixou o parlamento no fim de 2016, preferiu ser sensível ao mau momento orçamentário que vive o país e não executou as incorporações. Já Rodrigo da Zaeli, que assumiu a gestão do legislativo trazendo consigo uma bagagem vinda da iniciativa privada, mostrou na prática não ter o mesmo cuidado com a caneta que tem nos seus negócios pessoais. Muito provavelmente porque o dinheiro que agora gere é do povo e não somente do seu próprio bolso.