Lúdio lamenta e Barbudo defende Bolsonaro quanto ao fim do “Mais Médicos”
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Lúdio lamenta e Barbudo defende Bolsonaro quanto ao fim do “Mais Médicos”

Fonte: Da Redação NMT
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Montagem NMT - Foto: OLivre/Ednilson Aguiar

O deputado federal mais votado no pleito de 2018 em Mato Grosso, Nelson Barbudo (PSL), defendeu o aliado e presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sobre as exigências para o seguimento da presença de profissionais da medicina de Cuba no Brasil, o que acabou levando ao fim o programa “Mais Médicos”, originado durante a era petista. Também em entrevista ao NMT, o deputado estadual eleito pelo partido de Luis Inácio Lula da Silva, Lúdio Cabral (PT), por sua vez, disse lamentar a ideologização do setor essencial de atendimento à população que é a saúde.

Barbudo fez questão de ressaltar que não ocorreu no Brasil nenhuma voz de comando expulsando cubanos. “O Bolsonaro não expulsou nenhum médico, apenas solicitou que fizessem o “revalida” e que o salário ficasse 100% com o indivíduo que trabalhasse. Como eles ficam com algo em torno de 30% do dinheiro e o restante vai para o seu país de origem, foi Cuba que os chamou de volta”, disse, reiterando a importância do revalida. “A imprensa noticia que nem todos (cubanos) são médicos (…) Se o brasileiro que faz medicina na Argentina ou na Bolívia precisa fazer o revalida, porque neste convênio com Cuba isentava isso? Eu concordo com Bolsonaro, isso é plenamente democrático”, cravou.

O social-liberal, porém, admitiu que o estado que representa sofrerá, a curto e médio prazo, os prejuízos da retirada de tantos médicos de uma vez só. “Ninguém é hipócrita de dizer que não vai refletir, se não me engano são cerca de 150 cubanos no Mato Grosso, mas o Governo precisa compensar (…) A partir de janeiro, O presidente Bolsonaro pode achar solução com os médicos refém-formados e criar um incentivo, uma maneira de resolver o problema. Nosso país tem um déficit de atendimento, o prejuízo com a saída dos cubanos pode sim aumentar, mas tenho certeza que será achada uma saída”, otimizou Barbudo.

Já o petista Lúdio Cabral, médico de formação e atuação na saúde pública na maior parte da sua carreira, contou que já trabalhou com profissionais do “Mais Médico” e detalhou uma postura agregada aos conhecimentos técnicos que valorizava muito a presença dos cubanos, sobretudo no atendimento dos mais pobres. “No início do programa, eu trabalhei com um grupo de médicos cubanos em Cáceres (centro-sul de Mato Grosso). O que posso garantir é que executam um trabalho de uma dedicação que vai muito além da medicina. Além de serem tecnicamente muito bem preparados para lidar com os pacientes, possuem um compromisso social muito forte. Eles entendem a presença deles no Brasil como uma missão. É lamentável que tenha acontecido o que ocorreu”, comentou.

Lúdio ainda complementou pontuando que talvez os maiores prejudicados com a volta dos médicos caribenhos ao seu país sejam os povos indígenas de Mato Grosso, que tiveram uma cobertura de atendimento nunca conseguida pelo Poder Público desde o início do programa, de 2013 para os tempos atuais. “Nós temos que agradecer os cubanos de coração pelo período que os médicos do país aqui tiveram. Atuaram em comunidades onde há muita dificuldade de fixação de médicos, que são as periferias das grandes cidades, comunidades rurais e os pequeninos municípios do interior. Hoje praticamente toda população indígena do Brasil é atendida essencialmente pelos profissionais oriundos deste programa, então é triste que em função de um comportamento ideologizado, de extrema direita, dos que vão assumir o poder em breve, isso tenha acabado”, criticou.