Limpos no meio da lama
Supermoveis

Fullbanner2


Limpos no meio da lama

Fonte: Da Redação
SHARE
Foto - Montagem NMT

O atual prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (SD), o senador por Mato Grosso, José Medeiros (PODE) e o deputado federal, Adílton Sachetti (PSB), todos com base eleitoral na maior cidade do interior do estado, são raros membros da classe política de Mato Grosso, possuidores de mandato eletivo,  que talvez possam ter algum ganho de credibilidade com a sociedade frente a todo o lamaçal que virou o estado depois que a “delação monstruosa” do ex-governador corrupto do PMDB, Silval Barbosa, tomou conta dos noticiários, após ser homologada junto ao Supremo Tribunal Federal – STF. Nenhum dos três foi citado, pelo menos com as informações que chegaram a público até o momento, em qualquer tipo de negociata, intermediação ou vantagem junto a gestão reconhecidamente mais criminosa que os mato-grossenses já foram expostos, claramente disposta a fazer qualquer negócio com dinheiro público.

Para ser bem cirúrgico na análise, interessante dizer que durante o tempo em que Silval esteve com as chaves do cofre nas mãos, de 2010 até 2014, Medeiros e Sachetti, por exemplo, não eram possuidores de mandato como são os casos de muitos dos que foram gravados recebendo propina possivelmente em ato ilícito, caso do também ex-prefeito de Rondonópolis e deputado estadual na ocasião, Hermínio Barreto (PR). No entanto, a abertura total de Silval e seus comandados a negócios fraudulentos era tanta que bastava estar próximo politicamente que era possível e fácil ter algum ganho. Haja vista que a delação dá conta de gente que também não era dono de mandato na época e que hoje é, mas que mesmo naquele tempo intermediou incentivos fiscais à empresas e recebeu propina como pagamento de dívida de campanha, já outros que podem ter usado o governo para extrair dinheiro da iniciativa privada e passar para a pessoa física, bem como tantas outras torneiras que estavam abertas e serviram a ganância de tantos.

Sachetti, por exemplo, chegou a presidir a Agecopa, agência que foi criada com a função de tocar os projetos de preparação para a Copa do Mundo, evento aliás que sangrou dinheiro público a rolé para Silval e seus companheiros de corrupção. Antes da bomba estourar, talvez exatamente por prever isso, o atual deputado federal pulou fora quando anunciado que não seria mais um BRT mais um VLT a chegar em Cuiabá. Já Medeiros, ocupava na ocasião a condição de suplente de Pedro Taques (PSB)  e líder partidário do PPS, que após 2013 tinha o comando de Rondonópolis por meio da figura de Percival Muniz. Ou seja, se o atual senador tivesse tido a má perspicácia de usar sua força política para levantar dinheiro junto a Silval, sobretudo na vizinhança da campanha de Taques ao Governo, o que naturalmente o beneficiaria, isso seria mais do que possível.

Já Zé do Pátio, apesar de ter deixado a Prefeitura de Rondonópolis por meio de uma controversa cassação de mandato, em 2012, mais uma vez saiu ileso de uma delação bombástica. O mesmo já havia ocorrido com as revelações do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, que disse à Justiça que a tal prática do “mensalinho” – quando o Executivo compra apoio de parlamentares para encaminhar seus interesses na Casa de Leis – é prática comum no legislativo estadual desde o governador, Dante de Oliveira, passando também pela gestão de Blairo Maggi (PP), de 2007 a 2010. Riva ressaltou, no entanto, que o atual prefeito de Rondonópolis foi um dos únicos a dizer não para o dinheiro. Fala igual não repetiu a Percival Muniz (PPS), que foi apontado pelo delator como um dos deputados estaduais receptores do dinheiro.

No fim das contas, não convém que nenhum dos três – Pátio, Sachetti e Medeiros – use o fato de não terem sido alvo do grande e sujo dedo duro de Silval para qualquer tipo de ganho político, até porque honestidade é mais do que obrigação, sobretudo para um representante público. Porém, igualmente justo é que não ganhem o desgaste generalizado que muitas pessoas fazem de toda classe política quando uma bomba cai com as proporções da jogada pelo ex-governador.

Montreal