Líderes políticos de MT detonam e isolam Valtenir, que fica preso a...
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Líderes políticos de MT detonam e isolam Valtenir, que fica preso a verba partidária

Fonte: Da Redação
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Valtenir tem mãos atadas e não tem como impor autoridade sobre deputados federais do partido, a não ser que renuncie R$ 100 por mês. Foto - UnicaNews

O presidente do PSB nacional, Carlos Siqueira, deu o partido nas mãos do deputado federal, Valtenir Pereira, em Mato Grosso, mas ao que tudo indica o parlamentar será o líder da legenda apenas de direito, porque, de fato, ninguém da alta cúpula ou sequer do segundo escalão da sigla teceu qualquer palavra de apoio e reconhecimento ao nome de Pereira. Os dois deputados federais do partido, Adílton Sachetti e Fábio Garcia, além de parlamentares estaduais, como o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso – ALMT, Eduardo Botelho, e o deputado, Oscar Bezerra, várias outras lideranças e o próprio ex-prefeito, Mauro Mendes, da capital, não têm se furtado em repudiar publicamente o que consideram uma “manobra ingrata” de Siqueira com aqueles que, efetivamente, construíram, nos últimos anos, o partido até ele se tornar um dos maiores do estado.

Nos últimos momentos, até mesmo o governador Pedro Taques, do PSDB, fez sua análise sobre todo o caso e metralhou verbalmente contra Valtenir. O gestor estadual insinuou que Pereira, mesmo quando esteve do lado do grupo político que atualmente detém o poder no estado, jamais teve a confiança dele e dos demais. “Em 2010, montamos um novo grupo político no Estado de Mato Grosso. Quem jogava contra, era o deputado Valtenir. Dormíamos de botina! Dormíamos com um olho aberto e outro fechado, porque era traição diferente todo dia”, revelou Taques, em uma reunião, neste início de semana, que contou com vários membros do PSB e que teve as portas fechadas para Pereira. O governador passou por cima até de uma possível saída do PSB de sua base aliada, algo já aventado por Valtenir, e disse que não exonerará Max Russi e Suelme Evangelista, dois membros do partido que estão em seu staff, mesmo se Valtenir cumprir a retirada.

Mauro Mendes, por sua vez, usou o termo “água e óleo” para sinalizar que não há possibilidade de aglutinar com seu novo líder partidário. O que atrapalha toda legalidade de ocorrer uma debandada do partido é que nenhum parlamentar de mandato proporcional (deputado estadual e federal) pode sair do partido sem que corra o risco de perder a vaga por isso. Dessa maneira, o que Siqueira fez, obrigando o partido a rumar para o “esquerdismo” radical, coisa que a sigla já há muito tempo havia abandonado, soa quase como uma armadilha a todos que acreditaram no projeto PSB e que cresceram a legenda no estado. O pior é que tanto Siqueira quanto Valtenir já prometeram que haverão retaliações para os parlamentares, caso estes não sigam as orientações de votações nacionais. A Reforma da Previdência e outras pautas que avançam na Câmara Federal, podem ser decisivas para que o partido rache-se de vez e, a exemplo do que é o PMDB, passe a ter “alas”, ao menos até 2018.

Até porque, se por um lado os parlamentares não podem sair sem que exista uma janela partidária, uma “expulsão” do partido, conforme chegou a ser sinalizada por Siqueira quando Garcia foi a favor da Reforma Trabalhista, seria o “sonho de consumo” tanto do último como do próprio Sachetti, que, diga-se de passagem, foi o deputado federal proporcionalmente mais votado do partido no país em 2014. Caso fossem destituídos pela sigla, ambos ficariam com o mandato e poderiam ir para onde quisessem. Ocorre que levariam consigo a chamada verba do fundo partidário, que faz cada um render ao PSB de Mato Grosso cerca de R$ 50 mil por mês. Aposta-se que Valtenir não terá coragem de destituir ninguém, muito menos Siqueira, não só os federais, bem como os estaduais, em razão dos recursos. Sendo assim, a prática trará ao partido um presidente tão ativo e notado feito uma “samambaia artificial” e reuniões partidárias sem a sua presença devem ser a tônica de agora em diante.

Montreal