Lavagem das escadarias simboliza paz e respeito entre as religiões
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Lavagem das escadarias simboliza paz e respeito entre as religiões

Fonte: NOTÍCIAS DE MATO GROSSO com Assessoria
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Na manhã deste sábado (24.06) a cuiabania presenciou, depois de 18 anos, o ritual de lavagem das escadarias da Igreja do Rosário e São Benedito.

Desta vez, o ato veio com o incremento da presença de líderes da Umbanda e Candomblé, simbolizando a paz entre as religiões de matriz africana e a Igreja Católica.

O padre Marco Antônio pontuou a necessidade de congregar esse espírito de paz, através da união entre todos. “Somos bombardeados há anos com a ideia de que a religião induz a guerra, induz a violência e nós somos exatamente contrários a isso. Deus é um só, pai da humanidade, e só quer a paz e felicidade das pessoas”.

Ele conta que essa é a segunda vez que o ritual ocorre, de forma bem mais ampla que sua primeira edição em 1999.

“Hoje essa proposta foi pensada com várias cabeças. Eu tenho a graça e a satisfação de liderar esse movimento que resgata a história da devoção a São Benedito, que foi, sobretudo, cultuada pelos afrodescendentes. Essa memória e carinho cresceu tanto que suplantou, ao longo desses quase três séculos, a devoção à própria padroeira da paróquia, que é Nossa Senhora do Rosário. Então, com esse gesto simbólico da lavagem das escadarias do Rosário nós queremos trazer essas outras instituições, religiões de matriz africana e todas as denominações religiosas, para junto de nós e fazer essa festa da paz, afinal de contas, Deus não é propriedade de ninguém”, disse o pároco.

O secretário-chefe da Casa Civil, José Adolpho de Lima, esteve no local representando o Governo do Estado e participando da cerimônia.

“O Governo do Estado não poderia deixar de estar junto nesse momento histórico. A festa de São Benedito é culturalmente muito importante para a cidade e esse evento está resgatando a cultura de Cuiabá, essa integração dos povos e trazendo essa cultura afrodescendente para junto da igreja católica. Esse resgate é muito importante”, pontuou o secretário.

O Pai Paulo Henrique de Oxumaré, representante do candomblé, explica que a união da igreja católica e os povos da matriz africana é muito antigo, e que agora passa por esse resgate em Cuiabá.

“A lavagem rememora a ancestralidade. Água é vida, é purificação. As flores relembram as mulheres, que são o palco de tudo no candomblé. Então nós entendemos que esse é o momento da cultura, assim como o resgate espiritual entre os povos, praticando a paz e o amor entre todos” disse o líder espiritual.

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