Labirintos da Mente 3 – Parte 03
Supermoveis

Fullbanner2


Labirintos da Mente 3 – Parte 03

Fonte:
SHARE

Queridos leitores, nessa semana temos por missão encerrar o assunto Esquizofrenia. Já conhecemos algumas histórias, aprendemos quando ligar o sinal de alerta no caso de depararmos-nos com casos suspeitos, aprendemos causas e “pincelamos” brevemente sobre o tratamento.

Agora lhes convido a relembrar o caso do adolescente que contei, em destaque o desespero de uma mãe desinformada e o despreparo do serviço de saúde em casos como esses. Afirmo, com toda certeza, que, com a devida informação, podemos ser pessoas melhores. Ao invés de julgar, tentemos ser compreensíveis, agir guiados pela razão e não pelo medo.

Em relação ao tratamento – veja, não falamos de cura, mas sim de uma compensação de transtorno, visando cessar os sintomas psicóticos e reabilitar o paciente. O tratamento tem boa eficácia para fazer regredir os sintomas negativos. Em muitos casos de adultos jovens e adolescentes, é possível conseguir que eles não interrompam suas atividades e mantenham boa reintegração social, o que evita muitos danos causados pela Esquizofrenia.

É curioso destacar que a evolução do tratamento da Esquizofrenia, na verdade, começou no início dos anos 1950 com a introdução do primeiro medicamento antipsicótico. Antes desta data, tratamento era muito variado, com banhos seguidos, terapia com sanguessugas e eletrochoque. Meio bizarro isso, não? Não é a toa que houve um esvaziamento dos hospitais psiquiátricos que eram usados como asilos para esses pacientes no passado. De lá para cá, esses medicamentos evoluíram muito. Hoje existem medicamentos com poucos efeitos colaterais que atuam nos sintomas negativos da doença, e, como qualquer doença na medicina, quanto mais precocemente começar o tratamento, melhor. Não só porque o início prematuro impede que a doença provoque danos mais sensíveis na personalidade do paciente, mas também evita que ele abandone sua rotina de vida, os estudos, sua atividade profissional, de modo a preservar a estrutura social e econômica.

Passado o surto agudo, os pacientes podem beneficiar-se participando de diferentes programas que vão ajudá-lo a reintegrar-se na sociedade. São programas que incluem desde terapia cognitiva específica para transtornos esquizofrênicos a fim de ensiná-los a lidar com os sintomas e a doença, até um treinamento de profissionalização para aqueles que não conseguem retomar as atividades que exerciam antes ou treinamento em oficina abrigada para ajudá-lo a reintegrar-se na sociedade. O tratamento ideal é sempre o que proporciona melhor reintegração social do paciente!

Agora chegamos onde eu queria desde o início, que é orientar sobre o que podemos fazer, em nossas funções de amigo ou familiar, para ajudar alguém acometido pela Esquizofrenia. Primeiramente, sendo compreensivos. A família e os amigos precisam entender que, se por acaso o paciente teve um surto de nervosismo ou agressividade, não se trata de mau caratismo ou maldade. Ele tem uma doença como qualquer outra, uma doença neuroquímica da qual é muito mais vítima do que agente malfeitor. O impacto inicial da notícia de que alguém da família tem Esquizofrenia é bastante doloroso. Como é uma doença pouco conhecida e sujeita a muita desinformação, as pessoas se sentem perplexas e confusas. Frequentemente, diante das atitudes excêntricas dos pacientes, os familiares reagem também com atitudes inadequadas. Atitudes hostis, críticas e superproteção prejudicam o paciente; apoio e compreensão são necessários para que ele possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente com a doença.

Algumas dicas são preciosas: jamais abandonar o tratamento e os medicamentos. Ter um apoio psicoterápico individual além de estratégias de reabilitação compatíveis com a realidade e demanda do paciente. Evitar a superestimulação através de tarefas que exponham o paciente ao estresse. Ampliar a rede social, e fazer novos contatos, amizades, ampliar as atividades de lazer da família, através de passeios ou viagens, o que ajuda a deslocar dos problemas relacionados à doença e aumenta a qualidade dos relacionamentos e da vida em família. Cultivar hábitos mais saudáveis de vida, com boa alimentação e atividades físicas, e obviamente não fazer uso de drogas. Por fim, manter o respeito e as regras de boa convivência em casa e nos ambientes sociais.

Pois bem, pessoal, espero que tenha ficado mais fácil lidar com esse transtorno. Somente informação e conhecimento vencem o medo, porque, se agirmos movidos pelo medo, não ajudaremos ninguém; só vamos empurrar o problema para debaixo do tapete, ao invés de enfrentá-lo. Como Bob Marley dizia: “Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais”.

Montreal