Jovem, carudo e workaholic: o braço direito do novo técnico do Palmeiras
Fullbanner1



Jovem, carudo e workaholic: o braço direito do novo técnico do Palmeiras

Fonte: Felipe Zito e Tossiro Neto
SHARE

A primeira informação que salta aos olhos quando se olha o currículo de Pedro Gama é que o assistente de Eduardo Baptista, novo técnico do Palmeiras, nasceu em 1985. Como alguém com 31 anos, que tinha nove no tetracampeonato mundial da seleção brasileira, já trabalhou em dez clubes diferentes – sem contar as experiências em divisões de base? Recém-chegado ao 11º, o mineiro explica:

– É que comecei muito cedo, como analista de desempenho. Fiz a faculdade de educação física (no Centro Universitário de Belo Horizonte) toda voltada para a análise de jogo e entrei no América-MG no último ano, quando fazia a monografia. Dali foi embora. Andei com alguns treinadores, como (Alexandre) Gallo, Estevam (Soares), Vadão… Até parar no Sport.

Foi o Sport o início da parceria com “Edu”, que à época era preparador físico e, ao ser chamado para dirigir o time interinamente após a demissão de Geninho, convidou o então analista de desempenho a lhe auxiliar. Sem volta, seguiram juntos também por Fluminense e Ponte Preta. Mas, entre América-MG e Sport, Gama já havia passado por Náutico, São Bernardo, Grêmio Barueri, Ceará, Oeste e XV de Piracicaba, além de breves trabalhos nas divisões de base de três outros clubes mineiros: Vespasiano, Santa Tereza e Cruzeiro.

VEJA TAMBÉM:> Sai Cuca, entra Eduardo: veja o que o Palmeiras já tem do novo técnico> Por formação mais compacta, gramado da Academia ganha nova pintura

Assistente desde 2014, ele não perdeu duas das principais características da função anterior: ainda é de dar as caras por aí – mesmo às vezes não sendo chamado – e continua viciado em futebol. Ao GloboEsporte.com, o agora membro da comissão técnica palmeirense falou um pouco sobre sua experiência e o mais novo desafio como braço direito de Eduardo.

VELHOS CONHECIDOS

Na Academia de Futebol, Gama já está em casa. Ele tem a companhia de Cláudio Prates, assistente contratado nesta temporada para integrar a comissão técnica permanente, vaga que até o final do ano passado era ocupada por Alberto Valentim. Claudinho, como é conhecido, foi seu colega de trabalho no início da carreira, durante um ano, no América-MG. Não só ele.

– O Claudinho, o Alexandre Mattos (diretor de futebol) e o Jomar (Ottoni, fisioterapeuta). São todos do Palmeiras hoje. Fomos campeões da Série C do Campeonato Brasileiro juntos, em 2009 – contou, antes de lembrar que já conhecia também Cícero Souza, gerente de futebol, responsável por levá-lo ao Sport, em 2012.

ESPIÃO DESCOBERTO

Quando trabalhava no Náutico, em 2010, o então analista de desempenho foi à Ilha do Retiro disfarçado de jornalista para acompanhar um treinamento do Sport. Só que o disfarce não ajudou muito. Enquanto filmava a movimentação da equipe rival, acabou descoberto pelo supervisor de futebol Edmilson Santos, que anos depois viria a ser seu chefe nas conquistas do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste.

– Sempre fui muito “carudo” nessa parte de análise, sabe? Eu entrava com tripé, tudo. Recife é uma cidade pequena. Uma semana antes, eu tinha ido jogar bola com uns amigos, e um pessoal do Sport também estava jogando, incluindo o Edmilson. Nesse dia na Ilha, alguém da imprensa me viu, falou para o assessor, e ele veio em minha direção. Quando vi que era ele, pensei: “Não vai ter jeito” – recorda-se, rindo.

– Ele chegou com três seguranças, três “armários”, e falou: “Quero que você saia”. Eu disse que não era do Náutico, não, que ele estava me confundido. Ele falou: “Você quer que eu avise para a torcida que você é do Naútico?”. Eu falei “não mexe com isso, não” e fui embora (risos).

DE ANALISTA A AUXILIAR

– Como analista, você fica viajando para ver os adversários, passa informações. Alguns treinadores pedem opinião dos pontos mais fracos, o que dá para fazer, mas você não entra em campo para dar treino. Como assistente, continua analisando, mas está mais próximo dos jogadores, transitando com os analistas. O que venho incorporando desde 2014 é essa parte de treino. Às vezes, tem que fazer mais o lado social dos jogadores, saber o que eles estão pensando, entendê-los um pouco individualmente. Esse lado, como analista, você não mexe.

ESTÁGIO NA EUROPA

O braço direito do técnico do Palmeiras tem a Licença B da Confederação Brasileira de Futebol, curso voltado para trabalhos na base, e por pouco também não se habilitou na A, no fim do ano passado. Chegou a tentar uma vaga, mas só recebeu a confirmação em cima da hora, quando já havia comprado passagem para um período na Europa. “Carudo”, bateu nas portas dos rivais de Madri, Real e Atlético, e acompanhou um pouco da rotina também do Bayern de Munique.

– Não gosto muito da transmissão de televisão, porque a câmera é fechada, corta algumas coisas. Queria ir para lá assistir a alguns jogos in loco e, quem sabe, alguns treinos. Consegui ver dois jogos do Real Madrid, contra Borussia Dortmund e La Coruña. O Borussia tem variações legais de jogo, ideias bacanas também. E consegui ver treinos do Bayern, do Real e do Atlético de Madrid. Pude ver como colocam as ideias em prática, a dinâmica dos treinos. Cada país tem sua identidade de futebol, mas tem muita coisa que dá para usar. É aprendizado.

VÍCIO EM FUTEBOL

Em sua apresentação como treinador do Palmeiras, Eduardo fez muitos elogios ao workaholic Pedro Gama e brincou que, muitas vezes, tem que pedir para o auxiliar descansar, de tanto que pensa em trabalho. Não foi força de expressão.

– Como eu era analista, sou acostumado a ver muito jogo. Às vezes, assisto duas ou três vezes ao mesmo jogo. Entendo que você não vê uma coisa quando assiste uma vez, na segunda você já vê, na terceira pode até enxergar outras coisas. Não parei de fazer isso como auxiliar. Às vezes, o Edu me dá uma freada, fala que está demais, fala para eu ir dormir, que é muito.

Antes de se apresentarem ao novo clube, os dois fizeram um curso intensivo de Palmeiras. Cada um recebeu da equipe de análise de desempenho um HD com a íntegra, em câmera aberta, dos 38 jogos da equipe no Brasileiro e mais quatro do Paulista.

– Via um jogo, um jogo e meio durante o dia. Tudo bem devagar, anotando algumas coisas. Depois, eu e ele nos reunimos para conversar sobre o que tínhamos visto, definir algumas coisas. Aí foram as férias todas. A mulher ficou brava, tomei umas duras – falou, rindo, já a caminho de mais uma reunião com Eduardo.