Imprudência administrativa da própria Santa Casa resultou em fechamento da UTI Pediátrica...
Fullbanner1


Macropel

Imprudência administrativa da própria Santa Casa resultou em fechamento da UTI Pediátrica de Rondonópolis

Fonte: Da Redação
SHARE
Contas da Prefeitura não batem com as da Santa Casa. Foto: Arquivo/GComMT.

Inaugurada em agosto de 2016, os 30 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis, que tiveram os atendimentos paralisados recentemente por falta de repasses do Governo do Estado, na verdade sempre foram uma tragédia anunciada desde a inauguração da referida ala.

O governador Pedro Taques (PSDB) nunca fez uma fala de apoio irrestrito a hospitais filantrópicos do estado, até pela escassez de recursos, e sempre indicou que legalmente “o estado não era obrigado a realizar repasses”, como de fato não é.

Com isso, quando o Ministério Público Estadual (MPE) bloqueou cerca de R$ 4 milhões das contas de Mato Grosso – e esse dinheiro foi aplicado na montagem da famigerada UTI – ninguém pensou que o menor problema para a saúde pública seria instalar e construir uma estrutura. O complexo da questão e o que precisa de planejamento técnico/administrativo competente é manter tudo funcionando e, para isso, não há mágica; e sim previsão orçamentária.

Até poucos dias atrás, na iminência do fechamento, a UTI Pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis sequer estava inserida no Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, não recebia recursos diretamente do Governo Federal e isso não é só uma gestão política. Administrar é priorizar, criar condições de receita e fazer expansões somente até onde “a perna dá”.

O que foi feito no município e que agora causa toda essa celeuma – para quem gosta de analisar toda a situação dentro da lógica e da realidade, abdicando do oba-oba – é que a inauguração de uma nova ala de alta complexidade sem previsão concreta de recursos para mantê-la só tem um nome: irresponsabilidade.

Se um homem de muitas posses, ou uma empresa, que seja, decidir construir e doar um hospital para uma prefeitura de uma cidade pequena, ele estará resolvendo o problema por alguns poucos meses, até fatalmente a unidade ser fechada por falta de dinheiro para pagar funcionários e manter a estrutura.

O Governo do Estado de Mato Grosso não está dando conta de pagar o que constitucionalmente tem de cumprir, quem dirá algo que esteja fora disso. A verdade é que o futuro dos hospitais filantrópicos no Brasil, para não morrerem, precisam unir as forças locais (públicas e privadas), o que já é feito pontualmente com eficácia em Rondonópolis no que tange a Santa Casa. O executivo estadual tem números a cumprir e ele priorizará o que são suas funções fim, assim como a administração da filantrópica da maior cidade do interior deveria ter feito.

Na relevante Sorocaba, no interior de São Paulo, a prefeitura requisitou, em 2017, a Santa Casa da cidade para tentar montar um plano de recuperação financeira público/privada e afastou a antiga diretoria, envolvida em diversas irregularidades; segundo o Tribunal de Contas daquele estado, criando um novo ambiente e possibilitando o retorno normal dos atendimentos.

Foto: Junior Silgueiro/GComMT

A verdade é que a pressão que já foi em Silval Barbosa e que agora é em Pedro Taques alcançará o próximo governador em uma bola de neve que não vai parar de crescer, deixando o horizonte sem qualquer previsão de solução. A discussão precisa ser séria, transparente e técnica, principalmente porque trata-se de saúde. Politizar e trazer a massa para dentro do assunto não vai ajudar para que se alcance uma saída. Já não basta o sofrimento que a população passa ao necessitar de atendimento e não ter, mais crueldade ainda é desinformar e usar as pessoas mais carentes de maneira demagógica.

Montreal