Há um mês de Operação, Blairo sinalizou cartel e criticou JBS
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Há um mês de Operação, Blairo sinalizou cartel e criticou JBS

Fonte: Da Redação com G1/OD
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Foto - Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da agricultura e pecuária – MAPA, Blairo Maggi (PP), adiantou nesta sexta-feira (17) que intensificará políticas de acompanhamento e rígida fiscalização quanto a qualidade da carne brasileira, após a Polícia Federal deflagrar a Operação “Carne Fraca” que encontrou irregularidades assustadoras como a presença de papelão e de substâncias cancerígenas na industrialização de produtos derivados de boi, suíno e aves. Maggi, porém, já sinalizava há cerca de um mês atrás não ser tão simpático aos métodos de atuação da JBS/Friboi, uma das gigantes citadas na operação.

Falando sobre a crise que levou duas importantes plantas frigoríficas a fecharem no oeste de Mato Grosso nos últimos dois anos, o ministro deixou claro a insatisfação com a postura da JBS, empresa majoritária da movimentação do setor no estado, e chegou a elencar a possibilidade de um esquema criminoso. “Da forma como está, fica muito evidente que há um controle, quase um cartel na região”, atacou, em reunião com prefeitos da região.

Reunião ocorrida no fim de fevereiro com prefeitos da região Oeste de MT para falar da produção de carne no estado. Foto - Noaldo Santos /Mapa
Reunião ocorrida no fim de fevereiro com prefeitos da região Oeste de MT para falar da produção de carne no estado. Foto – Noaldo Santos /Mapa

Na oportunidade, Maggi contou ter dialogado com diretores da Associação Brasileira da Indústria da Carne (Abiec) e verificou que a possibilidade da reabertura dos frigoríficos de Mirassol d’Oeste, Nova Xavantina, Brasnorte e Vila Bela da Santíssima Trindade. “Ainda não tem nada definitivo. Mas vamos trabalhar para que isso aconteça. Afinal, o maior rebanho bovino do Brasil está no Mato Grosso”, informou na ocasião.

Operação “Carne Fraca”

Segundo a polícia, a “Carne Fraca” é, em números, a maior operação já realizada pela PF no país. Pela manhã desta sexta (17), funcionários do MAPA foram detidos. Até o momento, a PF já identificou agentes do governo que teriam recebido propina para liberar licenças de frigoríficos e sinalizou que as maiores empresas do setor podem estar no esquema. Frigoríficos nacionais vendiam carne vencida no mercado interno e no exterior. Em uma primeira ação, por volta de 40 pessoas têm prisão decretada.

Envolvidos

A operação envolve grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo.

Absurdos 

Gravações telefônicas obtidas pela Polícia Federal apontam que vários frigoríficos do país vendiam carne vencida tanto no mercado interno, quanto para exportação. Entre produtos químicos, usados para maquiar cheiro de podridão dos alimentos fora da validade, possibilitando atualização de etiqueta, há casos ainda mais “curiosos” como a inserção de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiça.

Blairo promete apoio a PF

Em um postagem nas redes sociais, Blairo, que desistiu de uma licença de 10 dias que havia solicitado, ressaltou ser importante “separar o joio do trigo”, afirmou que várias ações já foram implantadas internamente no combate a corrupção sistêmica existente no MAPA e defendeu “tolerância zero” com quem praticou ilicitude. O ministro garantiu que já determinou afastamento de todos os envolvidos e disse que contribuirá com a PF em tudo o que lhe por cabido contra o que considerou um “crime contra a população brasileira”.