Gaeco prevê novas fases; agiota recebeu transferência de R$ 380 mil
Supermoveis

Fullbanner2


Gaeco prevê novas fases; agiota recebeu transferência de R$ 380 mil

Fonte:
SHARE
Foto: Internet

Documentos apreendidos durante a operação Seven, deflagrada nesta semana pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), deve embasar novas fases. A informação é do promotor Marco Aurélio de Castro, coordenador do Grupo. “A gente pretende adentrar no assunto Intermat se nós tivermos elementos para buscar novos fatos em relação à corrupção. Podemos esperar novas fases”, garante.

De acordo com o promotor, o material colhido nas buscas e apreensões realizadas, bem como os depoimentos que foram prestados até o momento, confirmam que a área de propriedade do médico Filinto Correa da Costa foi adquirida duas vezes pelo governo do Estado. “A versão ministerial ganhou mais corpo ainda. Ou seja, as provas produzidas até então e os interrogatórios feitos confirmaram que a área já havia sido adquirida e o dinheiro possivelmente voltou para determinados personagens. Já foi comprovado que a área foi adquirida duas vezes e o dinheiro foi utilizado para um sistema de corrupção”, explica Marco Aurélio.

Nos bastidores, já se especula que parte do dinheiro desviado foi utilizado para o pagamento de agiotas. Por exemplo, um dos empresários do setor de fomento junto autoridades do palácio Paiaguás chegou a receber R$ 380 mil num único depósito.

A operação Seven foi deflagrada na última segunda-feira (1º) e resultou na prisão do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto; do ex-secretário-adjunto de Administração, coronel José de Jesus Nunes Cordeiro, e em novas prisões do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do ex-secretário de Estado Pedro Nadaf. Ambos estão presos desde setembro de 2015 pela suspeita de fraude em um esquema de cobrança de propina para conceder incentivos fiscais para empresas privadas, conforme revelado pela operação Sodoma, da Polícia Civil.

O médico Filinto Correa da Costa, 73 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão, mas a Justiça decidiu submetê-lo ao uso de tornozeleira eletrônica, descartando a prisão preventiva. Filinto era o proprietário da área que teria sido comprada duas vezes pelo governo do Estado. Conforme as investigações, a transação serviu apenas para encobrir um esquema de desvio de dinheiro público que pode chegar até R$ 7 milhões.

De acordo com o Gaeco, no ano de 2002, o empresário negociou com o governo do Estado uma área de aproximadamente 3,240 hectares pelo valor de R$1,8 milhão. Ocorre que, no ano de 2014, 727,931 hectares dessa mesma área foram novamente vendidos ao governo do Estado, dessa vez pelo valor de R$7 milhões.

Para dar legitimidade à transação, o ex–governador Silval Barbosa contrariou dispositivos legais expressos e transformou a unidade de conservação do tipo “parque” em unidade de conservação do tipo “Estação Ecológica”. Nesses casos, a legislação federal não exige a realização de estudos técnicos ou audiências públicas. O esquema contou com a participação do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, e do ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto.

Além dos mandados de busca e apreensão e prisões, também foram realizadas conduções coercitivas ao Gaeco de dois servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Os dois foram responsáveis pela elaboração de pareceres favoráveis à manobra e da minuta do decreto assinado pelo Executivo.

Montreal