Gaeco cita 2 “salários” para deputados e prevê invadir gabinetes na Assembleia...
Adventista

Fullbanner1


Gaeco cita 2 “salários” para deputados e prevê invadir gabinetes na Assembleia Legislativa de MT

Deputados estaduais com mandato, foram identificados pelo Gaeco como receptores de esquema liderado por Riva, que segundo algumas esferas judiciais acreditam, ainda pode estar em vigor

Fonte:
SHARE
Ilustração
"O dinheiro é publico e doa a quem doer o papel do Gaeco será avançar na segunda frente sobre os outros beneficiários deste esquema corrupto", detona promotor, Marco Aurélio Castro. FOTO (FOLHAMAX)
“O dinheiro é publico e doa a quem doer o papel do Gaeco será avançar na segunda frente sobre os outros beneficiários deste esquema corrupto”, detona promotor, Marco Aurélio Castro. FOTO (FOLHAMAX)

O promotor do Gaeco (Grupo de Ação e Combate ao Crime Organizado) em Mato Grosso, Marco Aurélio Castro. revelou no final da tarde desta segunda-feira (23) que novas fases da “Operação Ventríloquo” serão deflagradas dentro da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. ” Os nomes não posso revelar no momento, mas não tenho dúvida que essa operação adentrará noutros gabinetes”, previu após participar da primeira audiência da ação criminal sobre o esquema suspeito de provocar um rombo de R$ 10 milhões no Legislativo através do pagamento administrativo de um empréstimo contraído junto ao banco HSBC para seguros de servidores em 2014.

Marco Aurélio Castro reconheceu que atuais parlamentares são suspeitos de terem sido beneficiados com o desvio liderado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva (sem partido), que está preso em decorrência da “Operação Metástase – Célula Mãe”. “O dinheiro é publico e doa a quem doer o papel do Gaeco será avançar na segunda frente sobre os outros beneficiários deste esquema corrupto. Está muito claro que, apesar de ter sido encabeçado por José Geraldo Riva, esse benefício não ficou apenas para ele. O dinheiro entrou dentro da Assembleia e queremos saber agora quem realmente se beneficiou dele”, disse.

Para o chefe do Gaeco, as quebras de sigilos bancários e depoimentos de testemunhas ajudarão na “formação do quebra cabeças”. “O que o MPE quer é se convencer para convencer o Judiciário de que isso de fato ocorria e era uma prática infelizmente junto ao poder”, observou.

Segundo o promotor, os deputados estaduais tinham dois recebimentos até a última legislatura para que não incomodassem Riva no comando do Orçamento milionário. “Estamos diante de um cenário que tinha recebimento oficial e também paralelo dos deputados. Não é o MPE dizendo isso com palavras ao vento, mas testemunhas que vieram aqui e atestaram literalmente o pagamento de mensalinho para que os parlamentares não provocassem enfrentamentos a Mesa Diretora”, lembrou.

Para o promotor, apesar do foro privilegiado dos deputados estaduais, que só podem ser presos em caso de flagrante, as investigações estão avançando com respaldo do poder Judiciário. “O foro privilegiado pesa, mas temos tido total apoio do Tribunal de Justiça para investigar e fazer com que fiquem presos aqueles que realmente merecem. “Esssa é uma operação que surge em decorrência da existência de uma fraude e estamos na primeira fase da operação ainda. Muita coisa terá que ser esclarecido e vocês (imprensa) viram o teor do depoimento de uma testemunha que, além dos fatos hoje narrados, coloca um cenário dentro da Assembleia que nos causa arrepio”.”, assinalou.

Marco Aurélio exemplificou que parlamentares usavam funcionários para receber parte do dinheiro desviado. “”Uma servidora vinculada a um deputado disse que sua conta pessoal foi usada para pagamentos de contas particulares com valores exorbitantes do homem médio”, comentou.

Além de Riva, são réus em decorrência da “Operação Ventríloquo”, o servidor Luiz Márcio Bastos Pommot, os advogados Anderson Flávio de Godoy e Júlio César Dominguez. Todo esquema foi delatado pelo também advogado Joaquim Mielli Camargo.

IDONEIDADE MORAL E NADA MUDOU

Já o promotor Marcos Bulhões, que também atua no Gaeco, insinuou que as práticas de corrupção seguem da mesma forma no Legislativo apesar da saída de Riva após 20 anos de poder. “Os negócios mudam, mas o modo de agir é sempre o mesmo”, salientou.

Mesmo sem ser provocado sobre o assunto durante a entrevista , o promotor Marco Aurélio Castro avisou, de forma suscinta, que o MPE não se amendrontará nas investigações sobre os parlamentares mesmo após ser criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a emissão de cartas de crédito na ordem de R$ 10,3 milhões para cerca de 47 servidores. “O que o MPE quer é o apoio da sociedade para que verdades venham a tona. Ou seja, se tem irregularidades, vamos nominá-las e vamos fazer isso de forma responsável e corajosa. Não vamos retroagir nem um passo nessa investigação que ainda vai mostrar muitos descasos com o dinheiro público”, afirmou.

Para o promotor, o Legislativo precisa mudar conceitos. “”Vamos tenta recuperar o dinheiro desviado e temos mecanismos para isto, mas temos que recuperar a idoneidade moral de um poder Legislativo que deve ser íntegro e voltado para o bem comum que é sociedade”, frisou.

Fonte: Folha MAX