Furação de orelha marca início de uma nova fase para índios da...
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Furação de orelha marca início de uma nova fase para índios da aldeia Sangradouro

Fonte: Da redação
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No último sábado a aldeia indígena Sangradouro realizou um ritual que acontece a cada quatro anos e é de extrema importância para a cultura da comunidade. Jovens de diferentes idades passaram a ser considerados adultos, e para isso a simbologia utilizada para identificar essa nova fase é a furação de orelha.

Depois da preparação dentro da água, a população indígena se reúne para realizar a furação. Os jovens são alinhados em cima de folhas de bananeiras, sentados, onde aguardam cada um o seu momento.

Conforme o professor Martinho, mestre em educação, que também é índio e dá aula na aldeia, quem determina o momento de cada filho realizar a furação são os pais. Os avós também têm importante força de decisão sobre a escolha do momento para a inicialização da vida adulta dos netos.

Existem quatro grupos na comunidade: Anarowa; Tsadaro; Airere; e Hotorã. A furação ocorre a cada 16 anos para cada grupo, ou seja, “os pais precisam agir na oportunidade e decidir se já é hora de o filho conhecer e começar a praticar coisas de adultos, como exemplo a educação sexual e assuntos que não são ditos a eles antes da furação, como namorar, casar e caçar”, explica o mestre.

Desta vez a furação ocorreu para o grupo Anarowa. Agora somente em 2034 esse grupo poderá furar a orelha, por isso, crianças de até sete anos que pertencem aos Anarowa já participaram do ritual e são considerados adultos. Todos os jovens, antes do procedimento, convivem juntos, longe da família, por quatro anos, tempo necessário para a preparação.

O ritual, coincidentemente, ocorre em anos de Copas do Mundo, sempre no mês de maio e se estende até agosto. Desta vez 135 jovens participaram do ritual.

O prefeito Leo Bortolin acompanhou a furação de orelhas e anunciou para os indígenas que nesta semana, em viagem à Brasília, irá ao encontro de recursos para a instalação de uma Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) e também para a construção da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) em Primavera do Leste.

Léo também definiu, junto aos líderes da comunidade, três representantes que ficarão responsáveis por levar as demandas da comunidade à prefeitura, já que, na maioria dos casos, aquela população enfrenta situações difíceis. Falta apoio necessário até mesmo para o sustento de crianças e idosos que vivem na aldeia. “Estamos em busca da garantia de cestas básicas e atendimento de saúde para essa comunidade que tanto precisa de auxílio do Poder Público”, observa Bortolin.