Fávaro consegue segurar PSD consigo e oficializa saída
Adventista



Fávaro consegue segurar PSD consigo e oficializa saída

Fonte: Da Redação NMT
SHARE
Foto - Rogégio Florentino/OD

Conforme adiantou o NMT na última quarta-feira (4), o vice-governador, Carlos Fávaro (PSD), pensou bem e resolveu deixar o cargo eletivo que possui e que lhe rendeu nos últimos quatro anos R$ 20 mil a cada trinta dias. O motivo da ousada saída é o risco jurídico que visualizou em ter sua candidatura, possivelmente ao Senado Federal, prejudicada com a condição de assumir o cargo de governador nos próximos seis meses que antecedem as eleições. Isto porque, o titular da cadeira, Pedro Taques (PSDB), não precisava oficializar seu substituto por eventual retirada temporária, o que deixava o vice como presa fácil de uma possível arapuca jurídica caso ficasse, por dois dias que fosse, como chefe do Palácio Paiaguás.

A situação denota clara falta de confiança entre ambos, sobretudo da parte de Fávaro com seu cabeça de chapa em 2014 e não era por menos. Segundo informações de bastidores, a exemplo do que teria articulado com MAx Russi em relação ao PSB, Taques teria tentando costurar diretamente com Gilberto Kassab, cacique maior da sigla, em Brasília, para receber o partido nas mãos de cima para baixo, ou seja, destituindo o próprio vice e sua equipe após notar que o PSD atual não está fechado com o projeto de reeleição como o tucano queria. Kassab teria dito não ao governador, permanecendo o partido aos cuidados de Fávaro.

Verdade ou não, o ruído acabou por desgastar de vez a relação e impossibilitar qualquer hipótese de nova união em 2018. O PSD de Fávaro entregou seus cargos e anunciou sua independência de Taques no fim de março, culminando agora com a coerente, mas também corajosa, renúncia do vice do visado cargo que possuía. Como o NMT já ressaltou, a situação traz holofotes e cria uma linha de discurso promissora para Carlos Fávaro, que agora passa exclusivamente a pensar seu projeto pessoal. As projeções iniciais é que se junte ao grupo de oposição liderado por Wellington Fagundes (PR) e alguns partidos da esquerda.

Abaixo carta enviada por Fávaro à imprensa.

Carta à imprensa

Hoje, protocolei minha renúncia ao cargo de vice-governador na Assembleia Legislativa. Tomei essa decisão em razão da missão dada pelo meu partido, o PSD, de construir um novo projeto para Mato Grosso. A razão é simples: não poderia me dedicar a esse propósito, fortalecendo o partido para as candidaturas proporcionais e majoritárias recebendo o salário mensal de R$ 20 mil e nem continuar utilizando toda a estrutura que dá apoio à Vice-governadoria.
Desde que assumi o cargo de vice-governador, reduzi sensivelmente o tamanho da estrutura que, na época, contava com 74 cargos, sendo 46 exclusivamente comissionados. No primeiro ano, diminuí para 20 o número total de servidores e mantive essa média até hoje. Com o compromisso de reduzir custos, diminuí 60% das despesas administrativas e isso tudo sem prejudicar os trabalhos, já que realizamos 12 mil atendimentos durante o período que estive à frente do gabinete.
Além disso, assumi por 20 meses a gestão da Sema – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, um dos maiores desafios da minha vida e, com muito trabalho, planejamento e dedicação, apresentamos avanços em todas as áreas. Hoje, com certeza, temos uma secretaria muito mais eficiente e cumprindo o seu principal papel, que é a preservação do meio ambiente, sem atrapalhar o desenvolvimento econômico.
Agradeço aos eleitores que me elegeram e ao povo de Mato Grosso com a absoluta certeza de missão cumprida. Parto para esse novo desafio e não seria ético de minha parte trazer prejuízo ou despesa ao erário, utilizando-me de uma estrutura que foi criada para atender ao mandato de vice-governador. A nova política exigida pela sociedade não quer discurso, quer ação. Tenho convicção de que esta é a decisão mais acertada.

Obrigado a todos.

Carlos Fávaro
Vice-governador