Ex-secretário garante que Silval ficava com 70% da propina em MT
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Ex-secretário garante que Silval ficava com 70% da propina em MT

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Foto:Assessoria.

Em depoimento prestado na ação penal relativa à segunda e à terceira fases da operação Sodoma, da Polícia Civil, o ex-secretário de Estado de Administração, César Zílio, declarou perante a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) se apropriava de 70% de toda a propina levantada com empresas que mantinham contratos com o governo do Estado.

O pagamento se dava por meio de cheques com valores variáveis de R$ 300 mil a R$ 350 mil, vindos de empresas como a Consignum, empresa que mantinha contrato com o governo do Estado para oferecer empréstimo consignado aos servidores públicos estaduais, e a Web Tech, empresa que lida no ramo de informática.

“A propina era de R$ 500 mil, às vezes mais, mas nunca poderia ser mais e 70% ficava com o governador e outros 30% eram divididos para os demais integrantes do grupo”, contou.

No período de janeiro de 2011 a agosto de 2013, Zílio admitiu que embolsou R$ 8,8 milhões em propina. A suspeita é de que Silval Barbosa tenha recebido até R$ 30 milhões em propina neste período.

Zílio ainda admitiu em juízo que integrou uma organização criminosa liderada pelo ex-governador Silval Barbosa com a função designada aos demais membros. O ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi seria o mentor intelectual, aquele que teria a responsabilidade de encontrar mecanismos para fraudar leis tributárias.

O procurador aposentado do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima, o Chico Lima, teria a responsabilidade de emitir pareceres jurídicos favoráveis aos interesses da organização criminoso em processos nos quais havia a necessidade de manifestação da Procuradoria Geral.

O ex-secretário Pedro Nadaf ficaria responsável pelas questões técnicas e de intervir com demais secretários do Estado e o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio César Corrêa de Araújo, de acompanhar todo o desenrolar dos esquemas de corrupção, pois atuava como homem de confiança do ex-governador.

O ex-secretário César Zílio ainda lamentou sua participação no esquema de corrupção. “Cometi erros graves que me envergonharam, envergonharam minha família. Quero pedir desculpas”, disse.

Ainda foi revelado que a cobrança de propina começou em fevereiro de 2011 e que até agosto de 2013 era de sua responsabilidade gerenciar o recebimento do dinheiro pago pelos empresários.

Nas investigações da operação Sodoma, é apontado que Cézar Zílio utilizou dinheiro de propina para comprar um terreno de R$ 13,5 milhões na Avenida Beira-Rio para construir um Shopping Popular.

De todo o montante desviado, R$ 1 milhão foi entregue a Silval Barbosa e outro R$ 1 milhão, a César Zílio. O restante foi encaminhado a Walace Guimarães para tocar a campanha a prefeito de Várzea Grande, na qual saiu vitorioso e posteriormente foi cassado pela Justiça Eleitoral por compra de votos e formação de caixa 2.

Fonte:FolhaMax.

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