Ex-secretário diz que sofreu atentado a tiros na UFMT
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Ex-secretário diz que sofreu atentado a tiros na UFMT

Cursi é acusado de engendrar leis para facilitar os crimes investigados na Sodoma

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Foto:MidiaNews.

O ex-secretário de Estado de Fazenda, Marcel de Cursi, afirmou que foi alvo de um atentado no pátio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) quando ainda comandava a Pasta.

A revelação foi feita durante seu interrogatório relativo à ação penal derivada da 2ª e 3ª fase da Operação Sodoma, na manhã desta quarta-feira (31). A audiência é conduzida pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.

“Eu dava aula na universidade e um dia cheguei atrasado, eu iria aplicar uma prova. Quando eu saí do carro, um motoqueiro apareceu e disparou vários tiros contra o meu veículo”, contou.

Eu dava aula na universidade e um dia cheguei atrasado, eu iria aplicar uma prova. Quando eu saí do carro, um motoqueiro apareceu e disparou vários tiros contra o meu veículo

De acordo com Cursi, o atentado ocorreu após o ex-secretário ter dobrado a arrecadação do Estado em 90 dias e também por ter atuado no combate à corrupção tributária de Mato Grosso a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). No depoimento, ele disse que esse desempenho teria descontentado algumas pessoas que, conforme ele, hoje estão lotadas na secretaria.

“Um grupo de pessoas que infelizmente hoje voltou a ocupar cargos na Secretaria de Fazenda, mas eu prefiro não dar nomes”, afirmou.

Na oitiva, ele também classificou a denúncia como “falsa” e que ele foi “vítima” de uma confusão de informações que constam no processo.

“A minha história de vida todos conhecem, é de um servidor que lutou e lutou pela moralidade”.

“A denúncia é falsa. Eu sou inocente em relação a ela,  tenho até dificuldade de entendê-la, porque nunca participei da compra de terreno [ de R$ 13 milhões da Avenida Beira Rio], nunca fraudei licitação [da Consignum e WebTech]. Estou tentando organizar, prestar o depoimento para poder auxiliar. Eu vou tentar ajudar, mas também sou vítima dessa confusão de informações onde aparecem fatos que eu desconheço”, disse.

Na ação penal, ele é acusado de ser o “mentor intelectual” do grupo criminoso, responsável por criar o arcabouço legal para que os crimes pudessem se concretizar. O esquema era consistente na exigência de propina de empresários para a concessão e manutenção de contratos dos mesmos com o Estado.

Uma das tarefas de Cursi, segundo a denúncia, foi a elaboração da Lei 10207/2014, que dificultava as investigações na secretaria.

Confira como foi a audiência:

Cursi nega participação em esquema (atualizada às 09h45)

O ex-secretário afirmou que não cometeu crimes e nem participação da organização criminosa.

“A denúncia é falsa. Eu sou inocente em relação a ela, tenho até dificuldade de entendê-la, porque nunca participei de compra do terreno, nunca fraudei licitação. Estou tentando organizar, prestar o depoimento para poder auxiliar. Eu vou tentar ajudar, mas também sou vitima dessa confusão de informações, onde aparecem fatos que eu desconheço”

Cursi também negou ter feito tratativas criminosas com os ex-secretários Pedro Nadaf, César Zílio e Pedro Elias, que confessaram participação no esquema.

“Em relação ao Pedro Nadaf, nas transações em que estive com ele, eu olhava para ele e via um homem honesto. A mesma coisa com Pedro Elias e Cesar Zilio. Nunca tratei de questões ilícitas com nenhum deles, minha relação com eles sempre foi institucional. Fiquei supreso com as essas declarações deles”.

Ex-secretário alega legalidade (atualizada às 10h02)

A juíza Selma Arruda afirmou que os delatores da ação relataram que Cursi tinha a função de dar legalidades às ações criminosas da organização. “Eu nego”, disse o ex-secretáreio.

Cursi também foi questionado sobre a elaboração da Lei 10207/2014, produzida por ele e que dificultava a fiscalização do Ministério Público Estadual (MPE).

“Esse fato ele não foi escondido de ninguém. O MPE pediu minha prisão porque eu estava interferindo na CPI da Renúncia e Sonegação da Assembleia Legislativa. Eu disse que não, que estava discutindo a mensagem 45 que editava a lei 10207. A posição do MPE era de que não era verdade. Existiam várias versões da mensagem, eu estava buscando uma melhor forma para contriubir com o Estado,  diversos empresários e deputados me procuravaram para isso”.

“Essa lei não pode ser satanizada como estão colocando. Eu estava estudando essa lei porque sou um estudioso, o meu interesse era com o Estado. A revogação dela representa o afrouxamento da fiscalização. Eu disse naquela época que o Estado teria dificuldade financeira em junho de 2016, e que inclusive teria atraso de salário, e é o que esta acontecendo hoje”.

Lei 10.207/2014 (atualizada às 10h27)

Segundo Marcel de Cursi, a Lei 10.207/2014 foi criada para evitar o vazamento de informação na Secretaria de Fazenda, e não para dificultar investigações.

Eu estava estudando a lei para o bem do Estado na questão econômica. Se algum ato que eu fiz ajudou algum ato ilícito, eu o fiz sem saber

“A receita federal adota igual procedimento. A lei tinha um propósito de Estado. Em nenhum momento essa lei foi pensada para fins esdrúxulos, e inclusive eu acho ruim a revogação da lei.

“Se algum ato que eu fiz ajudou algum ato ilícito, eu o fiz sem saber. O próprio João Rosa [ex-delator] disse que eu fui usado pelo Pedro Nadaf”.

Ele disse que não sabia sobre os pagamentos de propinas feitos pelas empresas Consignum, Webtech e Zetra.

“Não conheço o Mischur, não exige dinheiro de propina jamais, e não sabia que estava acontecendo. Não tenho conhecimento de fraude que favoreceu a Zetra, nem a WebTech, eu conheço o Julio, ele é meu amigo, mas jamis recebi nada dele”.

“A minha visão dessas pessoas desmoronou, eu tinha uma visão, agora tenho outra”.

Suposto atentado (atualizada às 11h06)

Cursi afirmou que foi alvo de um atentado na Universidade Federal de Mato Grosso, quando ainda era secretário de Estado de Fazenda no Estado e, segundo ele, conseguiu dobrar a arrecadação em 90 dias e também combater à corrupção tributária de Mato Grosso a pedido do Ministério Público Estadual (MPE)

“Eu dava aula na universidade e um dia cheguei atrasado, iria aplicar uma prova. Quando eu saí do carro, um motoqueiro apareceu e disparou vários tiros contra o meu veículo”.

O advogado Leonardo Bassil questionou quem era prejudicado com esse aumento de arrecadação.

“Um grupo de pessoas que infelizmente hoje voltou a ocupar cargos na Secretaria de Fazenda, mas eu prefiro não dar nomes”.

Vazamentos na Sefaz (atualizada às 11h51)

A defesa de Cursi perguntou a ele se Silval Barbosa sabia desses vazamentos de informações da Sefaz.

“Ele que me atazanava sobre isso o temp

Ele voltou a falar que nunca pediu propina.Impressão que se tem é que a gente passava o dia inteiro discutindo propina, eu não participei disso. Minha vida foi destruída a vida da minha família foi destruída, a minha vida profissional também, eu estou em uma situação que eu considero vexatória”.

“Eu dediquei 12 anos da minha vida para que não houvesse fraude na conta única da Sefaz, compra de corta via. Eu entrei na Sefaz no governo Blairo Maggi. Quando eu assumi a Secretaria eu subi a eficacia tributaria de 68 para 83, só para ter ideia do que isso significa, a maior perfomace no planeta é da China que é de 85. Eu fui preso por trabalhar”.

 Fonte:MidiaNews.

 

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