Ex-deputado bancava jantares, funerais e trabalhos sociais com verba da Assembleia


Ex-deputado bancava jantares, funerais e trabalhos sociais com verba da Assembleia

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Foto: Internet

Donos de restaurantes e de uma funerária prestaram depoimentos na tarde desta sexta-feira à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda, em audiência de instrução da “Operação Metástase”, que apura desvios de cerca de R$ 2 milhões na Assembleia Legislativa por meio da verba de suprimentos. Todos confirmaram que prestaram serviços ao legislativo estadual.

Lelis Fonseca, proprietário de uma peixaria no bairro Duque de Caxias, informou que realizava eventos de pequeno e médio porte para a Assembleia Legislativa. Ele disse que os pagamentos eram realizados em dinheiro e que as notas fiscais emitidas eram de responsabilidade da gerente financeira do estabelecimento.

Na mesma linha, Ariane Maluf, dona do Restaurante Mahalo, informou que também realizava eventos para o poder legislativo. Ariane conta que seu restaurante sediava jantares organizados pela Sala da Mulher, que teve a ex-secretária Janete Riva como presidente por vários anos.

A empresária explica que emitia cupons fiscais comprovando os pagamentos de serviços prestados. Ela também disse que a Assembleia quitava os débitos em dinheiro.

Dono da funerária Santa Rita, Paulo Vinícius Mendonça, explicou que prestou serviços por cerca de 6 anos a Assembleia Legislativa. Ele disse que era comum enviar coroas de flores para velórios em nome dos deputados estaduais. “Na maioria das vezes era José Riva e família”, disse, ao elencar que o nome do parlamento não era citado nas homenagens póstumas.

Paulo contou que começou a prestar serviços para a Assembleia por meio de uma funcionária do gabinete de Riva, identificada como Ana. Após isso, era comum funcionários do gabinete entrarem em contato para pedir as coroas de flores.

Era comum homenagens a políticos e outros homens públicos. O último serviço prestado a Assembleia foi o funeral do ex-deputado estadual Walter Rabello.

O empresário informou que seus pagamentos eram realizados por meio de depósitos bancários ou transferências. Algumas vezes, seu motoboy ia buscar os pagamentos. “As coroas custavam em média R$ 250. O pagamento era sempre feito depois dos serviços prestados”, contou.

TRABALHOS SOCIAIS

Outras testemunhas que prestam depoimentos nesta terça-feira ressaltaram ações sociais sociais prestadas pelo ex-deputado estadual e pela sua ex-chefe de gabinete MAria Helena Caramelo, também ré no processo. O servidor da Secretaria de Infraestrutura, Tércio Lacerda de Almeida, declarou que é paroco na Igreja Mãe dos Homens junto com a ex-servidora do parlamento. Ele citou que Caramelo sempre auxiliava no contato com José Riva para obter auxílio financeiro para os eventos da igreja.

Num dos casos, ela intermediou a doação de 15 mil camisetas para realização da Caravana Franciscana da Paz. O evento reuniu mais de 10 mil fieis.

Segundo Tércio, as camisetas não continham o nome do ex-deputado, nem da Assembleia Legislativa. Ele declarou que o padre fez menção a Riva e a ex-chefe de gabinete ao final do evento agradecendom o apoio. Tércio disse que não tinha conhecimento do desvio de recursos no parlamento estadual.

Durante a fala de Tércio, Maria Helena CAramelo chorou copiosamente na sala de audiência.

Já Nelson Abdala, ex-servidor de gabinete, destacou o trabalho social do ex-deputado estadual. Ele contou que as pessoas iam ao gabinete de Riva para obter algum tipo de ajuda e sempre tinham respostas satisfatórias.

Segundo ele, o ex-presidente da Assembleia chegava a atender demandas como remédiosm passagens, translados para mortos, entre outras. “Ele dava assistência para uma casa de apoio aqui em Cuiabá. Hoje, os pacientes estão a mercê. Riva fazia trabalho que era do Estado e era um trabalho social fantástico”, disse.

O ex-assessor Alaércio Soares também saiu em defesa do ex-deputado e dos ex-chefes de gabinete Maria Helena Caramelo e Geraldo Lauro. Segundo ele, ambos tratavam funcionários e pessoas que procuravam o gabinete muito bem.

Alaércio contou que trabalhava na área política do gabinete, no atendimento a prefeitos e vereadores. Já a questão social ficava a cargo de outros servidores. “Esta verba de suprimentos só fiquei sabendo pela mídia”, relatou.

Fonte: FolhaMax