“Estou indignado”, diz Sachetti sobre financiamento público de campanha
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“Estou indignado”, diz Sachetti sobre financiamento público de campanha

Fonte: Thiago Mattar
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Deputado Adilton Sachetti (PSB) se pronuncia após resultado da votação na Câmara dos Deputados. Foto: Arquivo.

Na noite de ontem (quarta-feira, 4), com 223 votos favoráveis e 209 votos contrários, a Câmara dos Deputados aprovou a criação de um fundo eleitoral com dinheiro público para financiar as eleições de 2018. Estimado em R$ 1,7 bilhão, a proposta votada às pressas causou polêmica e, por ter origem em projeto de lei anteriormente aprovado pelo Senado, segue para sanção do presidente Michel Temer.

Se sancionado, o novo sistema de financiamento de campanhas vai utilizar recursos públicos de, pelo menos, 30% dos valores destinados para emendas de deputados e senadores somados aos valores da renúncia fiscal economizada com o fim da propaganda nas emissoras de rádio e de TV, também instituído pelo projeto.

Em entrevista por telefone ao site Notícias de Mato Grosso, o deputado Adilton Sachetti (PSB) se posicionou.

“Fundo público de campanha é uma agressão a sociedade. Estou indignado! Tem gente morrendo em fila de pronto-socorro por não ter dinheiro para comprar remédio. Vamos pegar dois bilhões para jogar em campanha sem a sociedade receber o retorno disso; de forma errada, de forma casuística, de forma que beneficie meia dúzia de donos de partidos?”, indagou Sachetti.

Além do parlamentar, os deputados por Mato Grosso Fábio Garcia (PSB) e Rogério Silva (PMDB) também votaram contra o fundo público de campanha. A lista dos 209 ainda inclui outros nomes conhecidos como Jair Bolsonaro, Tiririca, Celso Russomano e Jarbas Vasconcelos.

Segundo analistas, a proposta beneficiaria partidos maiores como o PMDB, PT e PSDB, que ficariam com parcelas significativas do fundo em relação aos outros partidos, já que o cálculo da distribuição do fundo seria feito de acordo com a representatividade da legenda e apenas 2% seriam igualitariamente divididos entre todos os partidos.

O deputado acredita ser necessário buscar outro caminho para resolver o problema do caixa dois e do financiamento privado de campanha. “Se tem caixa dois, vamos combater o caixa dois! Vamos buscar como acabar com o caixa dois; mas a Câmara foi para um caminho mais fácil, um caminho que vai acabar por forçar a existência do caixa dois agora. Porque muita gente vai ter que fazer caixa dois para fazer essa campanha… ou usar o dinheiro público, o que é uma vergonha!”, desabafou.

A criação do fundo público eleitoral foi apoiada pelos partidos DEM, PP, PTB, PDT, PSD, SD, PSC e Podemos. Votaram contra a criação do fundo as legendas PR, PRB, PSB, Rede, Psol, PPS, PEN e PV. O PSDB liberou sua bancada, e dos 38 tucanos que votaram, 30 foram contra.

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