Especialista em gestão de cooperativas explica os sete princípios universais do cooperativismo
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Especialista em gestão de cooperativas explica os sete princípios universais do cooperativismo

Fonte: Assessoria.
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Foto: Assessoria.

Os princípios do cooperativismo foram instituídos em 1844, durante a constituição da 1ª cooperativa formal, em Rochdale, na Inglaterra, através de 28 pioneiros. Estes princípios são observados até hoje. Eles são as linhas orientadoras através das quais as cooperativas levam à prática os seus valores. Quem vai explicar um pouco mais sobre esses princípios é o especialista em gestão de cooperativas e coordenador do conselho fiscal da UNICRED Mato Grosso, Clésio Antônio Sousa Carvalho Filho.

“O primeiro, dos sete princípios do cooperativismo, é a adesão livre e voluntária, onde ninguém é obrigado a aderir, mas demandando vontade de pertencer à uma Cooperativa,e esta estando em conformidade com seus anseios e vice-versa pode-se fazer parte da instituição. Em se tratando de cooperativas de crédito vale lembrar que cada uma temsuas regras de associação disciplinados em seu estatuto social, de acordo com os normativos do Banco Central do Brasil”, expôs Clésio.

Carvalho elencou as cooperativas de crédito doEstado de Mato Grosso, suas áreas de atuação, e deu exemplos entre cooperativas de livre adesão e de cooperativas que têm pré-requisitos para adesão de novos cooperados.

“Hoje, em Mato Grosso, nós temos o Sicredi e o Sicoob que são mais voltadas para o agro, a Unicred que é mais voltada para pessoas que trabalham na área da saúde, médicos e empresários, temos uma cooperativaque se chama Primacredi com apenas uma unidade noEstado, localizada na cidade de Primavera do Leste e cada uma delas tem suas peculiaridades. Por exemplo, a cooperativa de crédito Unicred possui pré-requisitos,para ser um cooperado precisa ser médico, profissional da área da saúde ou empresário de Mato Grosso. Então a Unicred não é totalmente de livre adesão ela tem esses requisitos. Já o Sicredi é um exemplo de cooperativa de crédito de livre admissão,qualquer pessoa pode se tornar um cooperado”, explicou o especialista.

O coordenador detalhou o segundo princípio. “O segundo princípio é ter uma gestão democrática. É o poder de tomada de decisão paraqual caminho os associados querem que esta cooperativa trilhe. Por isso é democrático, cada associado temdireito a um voto, independentemente do valorda cota de capital que possuir,nas deliberações de Assembleias Gerais”, detalhou Carvalho.

“O terceiro princípio é a participação econômica dos membros. Para a pessoa se tornar cooperada cada cooperativa tem um valor da cota, em que o associado tem a possibilidade de integralizar o valor de imediato, ou pode integralizar o valor durante alguns anos. Na Unicred por exemplo, o cooperado pode integralizar o valor de R$ 6 mil e cinquenta reais no ato da adesão, ou pode integralizar o valor por dez anos. A integralização e participação econômica está ligada também na parte das sobras ou perdas no resultado anual. Participação por que você pode ter tanto a receber, no caso das sobras. Como pode ter a pagar, no caso da cooperativaapresentar uma perda no exercício. Neste caso ela pode fazer uma chamada de capital onde cada cooperado tem que integralizar um valor em detrimento daquela perda”, salientou o Coordenador.

“Quarto princípio: autonomia e independência. A cooperativa tem que seguir alguns regimentos do cooperativismo. Mas ela não é subordinada ao governo pura e especificamente. Para exemplificar em uma empresa normal, ao mudar algumas regras, o governo imputa a ela mais ou menos impostos. Na cooperativa já é um pouco diferente. A Lei nº 5764 e a Lei complementar 130são as leisque regem todo o funcionamento do cooperativismo, e influencia diretamenteno funcionamento das cooperativas, por isso autonomia e independência”, ressaltou.

“Quinto princípio: educação, formação e informação. Educação para os próprios cooperados para saber o que é uma cooperativa, como o cooperado deve usá-la. A formação dos cooperados inclusive para participar do quadro diretivo. E a informação sobre tudo o que diz respeito ao cooperativismo. Tanto é que tem um recurso doFATES (Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social), que só pode ser utilizado para a formação acadêmica do colaborador ou atividade social, e a cooperativa obrigatoriamente tem que recolherno mínimo 5% do resultado anual e utilizá-lo, na forma prevista em regimento interno“, esclareceu Clésio.  

“Sexto princípio é a intercooperação, que é a cooperação entre as cooperativas. Quanto mais elas cooperarem entre si mais elas crescem. Por exemplo, ao invés de comprar algo de uma empresa normal, elas preferem comprar de outra cooperativa. Cooperando uma com outraé contribuir com o crescimento mútuo. E para concluir o sétimo princípio que é o interesse pela comunidade, desenvolvendo ações sociais na comunidade. A Unicred, por exemplo, realiza ações sociais no estado de Mato Grosso, como arrecadação de brinquedos que são doados para crianças carentes. Realiza eventos com a chamada de doação de alimentos como entrada. Alimentos que são doados para creches e casas de apoio entre outras ações que são realizadas ao longo do ano”, finalizou Clésio Carvalho.